CASTELO DE CARTAS

Como um castelo de cartas, a economia brasileira despencou, simplemente despencou, caiu. Não caiu aos poucos, de forma a  ser amparada, simplemente ruiu. Trazê-la de volta a patamares razoáveis novamente, vai demandar algum tempo, um longo tempo. E vai precisar de muito esforço,  muito boa vontade, mas sobretudo,  que se  acredite que a tarefa é viável,  que  é realmente possível. Isso lembra a história que, dizem, verdadeira, de três operários alemães, na cidade de Dresden,  que, no pós-guerra, estavam trabalhando na remoção dos escombros de uma igreja para reconstruí-la novamente. Ao serem indagados por alguém, sobre o que estavam fazendo, o primeiro operário disse: Eu estou removendo estes escombros. O segundo respondeu: Eu estou trabalhando para sobreviver. O terceiro indagado respondeu: Eu estou ajudando a construir uma igreja. Pois, para a recuperação da economia brasileira num período menos longo do que o esperado, será preciso que os governos, que os políticos e, em especial a população em geral,  transformem-se em operários que acreditem estar construindo igrejas. Com o espírito de alguém que acredite estar contribuindo para a construção de algo louvável, de algo grandioso e indispensável. Pode parar, dirá a maioria da  população, hoje. Qualquer tentativa será inútil. Não haverá operários sequer para a remoção dos  escombros. O  Presidente Temer, dirá a população, não detém   as mínimas condições de levar adiante essa tarefa. Acrescente-se que ele, o Presidente é do PMDB, que foi aliado de Dilma que foi indicada por Lula, o seu staf está comprometido com a Operação Lava-Jato, e ponto final.  E agora?  O que fazer? A população vai simplesmente cruzar os braços e esperar que um milagre aconteça? Ou, quem sabe,  permitirá que a atual equipe reformista continue  o seu intento?  Se não der certo, haverá o ano de 2018 para  novas tentativas.    Independente do atraso pelo acidente que  vitimou o Ministro Teori Zavascki, o resultado das homologações das delações pelo STF será demorado e simplesmente passará  para a fase das investigações. Inúmeros são os processos, inúmeros são os procededimentos. Será que vale a pena uma obstrução rigorosa como a que vem sendo procedida?  Como ficam os Estados nesse vácuo, como ficam os municípios?  Como esperar algum investimento se a casa não para de cair? Como esperar, nesse vácuo, ao menos uma freada na queda de empregos?  Se a Operação Lava-Jato prosseguir, e a população espera que prossiga, aliás, a única luz no fim do túnel, no seu  intransigente e incessante  trabalho, os  responsáveis, sejam eles políticos,  empresários ou quem quer que seja, de qualquer partido,  pela corrupçao endêmica com que assolaram o país, sejam  punidos. Então?  Qual a melhor opção?   

Wilmar Rodrigues de Almeida/ Advogado e colaborador.

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