CULTURA E LUTA

BELCHIOR – A vida surpreende. A morte também. Sublimou o grande artista nordestino brasileiro latino-americano sem dinheiro no banco e sem parentes importantes. Na verdade, há muito já estava morto. O artista, o mito já não habitava o corpo. A mente, certamente, fervilhava. Quando falo de surpresas, quero dizer que chega ao meu conhecimento que Belchior – mal de cabeça e de finanças – viveu dois meses em cidade próxima. Foi acolhido por conta da solidariedade entre os mais humildes, que não gastam vida acumulando coisas e valores. Passou esse tempo em segredo e recolhimento, até ser alojado em Santa Cruz do Sul, em casa de amigos, onde morreu. Tanto caco de gente metida à artista, que não faria falta nenhuma neste mundo, continua firme. Faturando. E Belchior vira mais uma estrela. Uma lástima.

SOBREVIVENTES – Em 8 de outubro vindouro, quando completa cinquenta anos da morte de Che Guevara, reunir-se-ão em Três Passos, os sobreviventes e lutadores contra a ditadura militar (1964-1985). O evento intitula-se Confraternização das Amigas e Amigos de Sonhos e Lutas 60/70. Terá ponto máximo em almoço/tertúlia no domingo. Na véspera, quando a maioria já estará na cidade, está prevista uma sessão especial no Cine Globo, com exibição de filmes relacionados ao tema: luta e resistência na ditadura. Sonhar não custa nada, mas a presidenta Dilma, que é integrante da turma, está convidada. Aguarda-se confirmação da sua presença.

FRIGORÍFICO – Vendo na TV as gravações da delação premiada do diretor da JBS Wesley Batista, fico a pensar no que passaria pela cabeça dos peões do frigorífico local, obrigados a aplicarem nove cortes por minuto no suíno abatido, para receber em torno de R$ 1.200,00 mensais, diante do esbanjamento que seus patrões vinham praticando, ao bancar sistematicamente a propina para mais de 1.800 políticos do país. Imagina o que ocorreria ao redor do mundo, para o grupo crescer desse jeito. Não deve ser somente trabalho honesto. Hora da gente pensar na possibilidade da JBS local fechar as portas. Qual o plano B para a dependente economia local? Fala liderança!      

MAÇONARIA – Rola nas redes um vídeo com as relações de Michel Temer, Aécio Never, Geraldo Alckmin, João Dória Jr., José Serra e o tucano-juiz Moro com a Maçonaria. Depois, quando o povão fala que a justiça tem lado, ninguém acredita, mas algumas personalidades são tratadas com menos rigor nas barras dos tribunais. Até cego vê. A pergunta é: isso é bom para a Justiça, para a democracia e para o país? NÃO.

RECONHECIMENTO - Permissão para abordar um assunto pessoal. Na última segunda-feira, 22, a empregada doméstica aqui da casa completou sessenta anos de vida. Dona Laura Figueira, popularmente conhecida como Téia, está conosco há 25 anos, convivendo e trabalhando desde maio de 1992. Carteira assinada como manda o figurino. Mais: recebe o piso regional de salário do RGS, fato que muitos empregadores dizem não ser válido para tal atividade. Pura sacanagem. Graças ao contrato, Dona Laura pode se apresentar urgentemente ao INSS local para requerer sua aposentadoria. Que mais ela vai fazer na vida, não sei, não me intrometo. Queremos, a Pinto, a Priscilla, eu e amigos que te conhecem, manifestar publicamente nosso reconhecimento pelo trabalho e dedicação. Dizer francamente que o mundo necessita muito mais de pessoas como Laura Figueira. Nem vou comparar. Vida longa e feliz, Dona Laura, com sabedoria e modéstia, qualidades que lhe são características naturais.

Juarez Braga Zamberlan/ Advogado, Jornalista, colaborador.

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