SOMOS UM PAÍS DE OTÁRIOS?

Se correr o bixo pega,  se parar o bixo come. Parece que essa é a situação do país. Não se vislumbra uma saída, não se vislumbra um caminho que possa traduzir alguma esperança. Quanto mais o tempo passa, mais se aglutinam as dificuldades. À curto prazo ninguém se arrisca a dar  palpite quanto às medidas que poderiam ser implementadas. Ao contrário, há uma verdadeira guerra entre os fanáticos de Temer e os fanáticos de Lula, fanáticos por dois mortos-vivos, politicamente. Guerra que não leva a nada. A constituição não prevê outra  solução que não seja esperar pela eleição  de 2018. Se temer cair, e tudo indica que cairá, assumirá a Presidência do País o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia,  por trinta dias, até que a Casa indique   alguém para governar até 2018. Uma medida que não traz nenhuma tranquilidade aos brasileiros.  Tanto as medidas, como as escolhas formuladas pelo Congresso trazem arrepios. Tudo é motivo para barganhas. Ninguém espera nada de bom dessa Casa Legislativa. Quanto à escolha de um nome, ele somente surgirá após muitas “negociações”, e esse alguém terá que vender a alma ao diabo se quiser ser indicado. No Congresso não tem almoço gratis.  Outra medida seria  a Emenda à Constituição para  a escolha  de um governante através de eleição direta. Além da exiguidade dos prazos, uma eleição desse porte para uma gestão de alguns meses, somente poria um pouco mais de lenha nessa fogueira, sem qualquer outro resultado. Outra medida, tão drástica quanto improvável, seria a intervenção militar. Improvável mas não impossível.  Essas medidas surgem do caos. Quanta gente enrolada em corrupção vem procurando criar condições para provocar esta ou outra medida que possa  representar a salvação de seus pescoços? E, por incrível que pareça, a Operação Lava Jato continua em pé e assustando os corruptos. Mas as  Reformas estão paradas. Algumas  como a Trabalhista está sendo costurada pelos sindicatos cujas lideranças querem  mesmo é a permanência da contribuição obrigatória equivalente a um dia de salário de todos trabalhadores. Ninguém tem uma idéia do montante desse dinheiro nem  do que tem sido feito com ele. Quem quer essa continuidade são as cúpulas dos sindicatos e não os trabalhadores. O trabalhador quer que a medida seja facultativa. Pena mas o trabalhador não vai levar. Também a reforma eleitoral somente vai criar verba para as campanhas dos candidatos, somente vai engordar essa verba. Serão bilhões tirados dos remédios para hospitais, dos alimentos aos carentes  para  que os candidatos comprem  apoios que possam ser traduzidos em votos. E será tão alta que certamente  deixará ainda umas “sobras de campanha” consideráveis. O brasileiro que prepare o lombo.  E nessa reforma ninguém espere a diminuição dos partidos. Criação de partidos e  aumento de subsídios das cúpulas políticas  nunca  diminuem. Só aumentam. Quanto mais partidos mais dinheiro no bolso dos malandros. Dinheiro dos  cofres do governo, dos cofres da viúva. É a época da “colheita” dos parlamentares. Vai chegar o tempo em que cada parlamentar terá o seu partido. O Governo precisa de apoios para manter-se? Os parlamentares estão aguardando para “negociar”.  E o pior é que o Presidente está disposto a cobrir qualquer exigência, qualquer emenda, qualquer cargo, qualquer importância, qualquer mudança que queiram fazer nas reformas. O dinheiro não é dele.  O dinheiro é do povo. Quem vai sofrer as consequências é o povo.   O  povo otário.

Wilmar Rodrigues de Almeida/ Advogado e colaborador.

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