É intolerável, no presente estágio da civilização, a "Folha" perguntar numa pesquisa de opinião pública se o entrevistado quer que Lula seja preso.

Já sabemos que o dono da "Folha" não simpatiza com ele desde o dia em que se retirou de um almoço polêmico na sede do jornal, mas assim já é demais.

Trata-se de perigosa incitação a fazer justiça com as próprias mãos que um meio de comunicação responsável jamais deveria fazer, especialmente nesse momento conturbado, a não ser que sua linha editorial defenda a volta à barbárie.

Deixar subentendido que os cidadãos têm o direito de colocar na cadeia quem quiserem desvirtua completamente o sentido da democracia.

E coloca o tacape em mãos que não sabem, não podem e não devem manejá-lo.

Primeiro, o cidadão recebe salvo conduto para prender; depois, poderá exigir outro, para matar.

Em meio a tanto ódio, o jornal atuou para acirrá-lo ainda mais.

O papel de julgar e prender cabe ao Poder Judiciário – por mais defeitos que tenha - não ao cidadão comum, que não tem acesso aos meandros e trâmites dos processos para avaliá-los como se faz necessário.

A voz do povo pode ser a voz de Deus, mas não é a voz do juiz.

ALEX SOLNIK

Alex Solnik é jornalista. Já atuou em publicações como Jornal da Tarde, Istoé, Senhor, Careta, Interview e Manchete. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

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