Aqui as baratas pululam saindo de inúmeros esgotos.

 

 

Por Ricardo Soares*

Desculpe senhor Franz Kafka se uso a sua superlativa metáfora da barata humana para esse texto mas é que não encontro nada melhor pra ilustrar o que desejo transmitir aos amáveis leitores.O senhor viveu há muito tempo em Praga, é certo. Eram dias difíceis, todos sabemos, mas o senhor não imagina a dificuldade que é viver no Brasil nesse final do ano 2017 da era cristã. Aqui as baratas pululam saindo de inúmeros esgotos. Nojentas, asquerosas, repugnantes e repulsivas.

Nos executivos poderes as baratas desgovernam a bel prazer ao sabor dos ventos do casuísmo e do fisiologismo. Compram-se votos e favores com cargos, comissões e benesses. Algumas baratas cascas grossas não são apeadas dos cargos nem federais, nem estaduais e nem municipais porque aqui barata além de não faltar é tratada com açúcar e afeto.. Sim, e no meio disso tudo ainda existem  as milhares de baratas legislativas e as judiciárias, baratas togadas,vestidas de baratas, vetustas e pseudo severas a aplicarem a lei para os desafetos e as benesses para os amigos.

Senhor Kafka, aqui no Brasil estamos convertidos em uma república de baratas. Baratas muito caras que curtem lagostas,  carros blindados, queijos suíços, hospital Sírio Libanês, tratamento vip em aeroportos e casas de massagem. Baratas que ganham para palestrar, para disseminar ódio e confusão, baratas demagogas e retrógadas, baratas "coronézinhas".

Também temos as baratas miudinhas, fétidas, que se abraçam aos holofotes das celebridades e as atacam para poderem ter seus cinco minutos de fama. Para isso as baratas caluniam, difamam, pregam racismo, violência, ódio e a mídia - essa gigantesca baratona - lhes dá cartaz. Se não desse essas baratas fascistas, racistas, abjetas voltariam aos seus múltiplos esgotos.

O que me pergunto senhor Kafka é se tudo isso acontece justamente por não termos saneamento básico suficiente. A imundície faz proliferar as baratas ? meu modesto raciocínio diz que sim pois elas crescem , se multiplicam e invadem todos os espaços em progressão geométrica. Agora conclamam censura, liberação de armas, intolerância de gênero e religiosa. Sem blasfemar fico aqui clamando por um gigantesco e avassalador "deus inseticida" que nos livre de tanta barata imunda senhor Kafka. Está muito difícil viver no Brasil desses dias diante de tantas hediondas "metamorfoses".

* Ricardo Soares é escritor, diretor de tv, roteirista e jornalista. Publicou 8 livros e dirigiu 12 documentários.

dom total////

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