O Brasil virou Colômbia. As instituições estão absolutamente desmoralizadas. Executivo dirigido por um golpista corrupto, com o mais baixo índice de aprovação de todos os tempos, subordinado às Forças Armadas, que dão declarações pregando a volta da Ditadura Militar e realizando uma intervenção no Rio de Janeiro, nos bairros pobres, deixando a soberania ir para o ralo, como teste para aplicar no Brasil, já que a violência encontra-se generalizada. As Forças Armadas em nada se posicionaram na entrega do nosso petróleo, de mão beijada, da nossa água, das florestas, do nióbio, enfim, de nossa soberania.

Pretende, ainda, o Executivo, caso consiga mudar sua imagem, aprovar a Reforma da Previdência que será, na verdade, a volta, definitiva, à escravidão moderna. O Poder Judiciário, absolutamente desmoralizado, cheio de mordomias, decidindo de acordo com os interesses da Casa Grande e da Casa Branca, sem nenhum controle externo, e tendo um Legislativo, absolutamente controlado pelo Capital, tornando nossas eleições uma das farsas mais grotescas do mundo.

 

Somente nos três primeiros meses,

150 foram mortos no Rio

 

Na verdade, o país é controlado, em grande parte, pelo tráfico de drogas, milícia, polícia corrupta com um impressionante número de lideranças populares eliminadas, demonstrando que os assassinatos da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes não é um caso isolado. São 30 as lideranças assassinadas no Brasil em curto espaço de tempo; entre 16/2/2016 até hoje, podemos mencionar:

Paulo Sérgio Almeida Nascimento 13/3/2018 – Líder comunitário no Pará;

Márcio Oliveira Matos, 26/1/2018 – Líder do MST na Bahia;

Leandro Altenir Ribeiro Ribas, 19/1/2018 – Líder comunitário no RS;

Jefferson Marcelo, 4/1/2018, Líder comunitário no RJ;

Carlos Antônio dos Santos, 8/2/2018 – Líder movimento agrário Mato Grosso;

José Raimundo da Mota de Souza Júnior, 13/7/2017 – Líder quilombola/MST Bahia;

Eraldo Lima Costa e Silva, 20/6/2017 – Líder MST Recife

George de Andrade Lima Rodrigues, 23/2/2018 – Líder comunitário Recife;

Luís César Santiago da Silva, 15/4/2017 – Líder sindical Ceará;

José Bernardo da Silva, 27/4/2016 – Líder do MST Pernambuco;

Paulo Sérgio Santos, 8/7/2014 – Líder quilombola na Bahia;

Rosenildo Pereira de Almeida (Negão), 8/7/2017 – Líder comunitário/MST;

Jair Cleber dos Santos, 24/9/2017 – Líder movimento agrário Pará;

Simeão Vilhalva Cristiano Navarro, 1/9/2015 – Líder indígena Mato Grosso;

Fabio Gabriel Pacifico dos Santos, 19/9/2017 – Líder quilombola Bahia;

Valdenir Juventino Izidoro (Lobo), 4/6/2017 – Líder camponês Rondônia;

Almir Silva dos Santos, 8/7/2016 – Líder comunitário no Maranhão;

José Conceição Pereira, 14/4/2016 – Líder comunitário Maranhão;

Waldomiro costa Pereira, 20/3/2017 – Líder MST Pará;

Valdemir Resplandes, 9/1/2018 – Líder MST Pará;

Clodoaldo dos Santos, 15/12/2017 – Coordenador SOS Emprego Sergipe;

João Natalício Xukuru-Kariri, 19/10/2016 – Líder indígena Alagoas;

Edmilson Alves da Silva, 16/2/2016 – Líder comunitário Alagoas;

Somente nos três primeiros meses do ano de 2018, 150 pessoas no Estado do Rio de Janeiro foram assassinadas, entre elas, 28 policiais, sob a motivação de guerra às drogas, tendo a maioria entre 16 e 20 anos, sendo negros, pobres e favelados.

A prisão política volta à tona com a criminosa condenação do Almirante Othon, a mando dos Estados Unidos, por tentar construir um submarino atômico para a nossa defesa, e o encarceramento do padre Amaro de Anapu, no Pará, por lutar pela defesa da Amazônia e a Reforma Agrária. Isso sem falar na ordem de encarceramento do ex-presidente Lula antes de esgotados todos os recursos jurídicos previstos, o que viola frontalmente o ordenamento jurídico de nosso país.

Para mudar esta situação, temos que acabar com os privilégios das elites, a lavagem de dinheiro e o tráfico de drogas feitos pelos grandes capitalistas. Urge uma tomada das ruas, preparando uma greve geral para exigir uma constituinte além dos partidos, com representantes do movimentos populares e sindicais organizados para a completa reforma de nossas instituições falidas.

 

André de Paula

Advogado da Frente Internacionalista dos Sem Teto (Fist) e membro da Anistia Internacional.

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