O governo de características fascistas de Bolsonaro, portanto, já se iniciou dando o que falar, e desmentindo o que for falado.

 

Por Marcel Farah

Antes mesmo da posse, inicia-se o governo de Bolsonaro. Mesmo que em um país dividido não acabaram as ameaças contra quem diverge do governo eleito. De outro lado, a disputa da comunicação parece ser a principal base de apoio desta imposição de um pensamento único.

Os efeitos da vitória eleitoral do capitão reformado são imediatos e desconsideram existir pessoas que pensam diferente. Desde comemorações com tiros até mensagens com ameaças a segmentos LGBT e negros da sociedade, a vitória de Bolsonaro parece ter fortalecido o que há de pior em nossa sociedade. Mesmo que a maioria de seu eleitorado não tenha esse intuito, de exterminar, matar, agredir, esta é a face revelada há algum tempo durante a campanha e aprofundada com a vitória do 17. Assim, várias pessoas reagem com medo e desesperança, e a mudança anunciada torna-se a pior continuidade possível.

Além disso, e para tornar todo este momento mais obscuro, a enchente de notícias sobre o novo governo, muito antes da posse, dá o tom do que o povo brasileiro enfrentará. As notícias surgem aos montes, diversas geram críticas, como a nomeação de corruptos para ministérios, ou a fusão do Ministério da Agricultura com o Meio Ambiente, e depois são desmentidas. O efeito desta profusão acaba desgastando o transmissor das mensagens, gerando uma sensação de que nenhuma fonte é confiável.

Vejam como Bolsonaro operou essa estratégia quando convidou Alberto Fraga em público, como mostra o vídeo exibido pela TV Record, e depois afirmou que não haverá corruptos em seu ministério pelo twitter, como se aquele vídeo não existisse mais. E para piorar, o site da Record (apoiadora declarada de Bolsonaro), o R7, tirou realmente o vídeo da internet. Dizem que é a mesma tática utilizada por Trump para tirar credibilidade dos meios de comunicação tradicionais, e a atenção das questões centrais. Essa tática, não ameaça nenhuma grande empresa de comunicação, mas diminui a influência e mantém estável a popularidade do presidente, no caso dos states. Será o mesmo aqui?

O governo de características fascistas de Bolsonaro, portanto, já se iniciou dando o que falar, e desmentindo o que for falado. O faz com a intenção de esconder o principal, que Bolsonaro é continuidade do governo Temer, e que Temer foi a descontinuidade de Dilma.

Enquanto debatemos se, ao aceitar o ministério, Moro assumiu que é parcial, a reforma da previdência volta a todo vapor para aumentar a idade mínima da aposentadoria para 49 anos. Sinais de nossos próximos 4 anos, ou menos.

 

 
Marcel Farah
Educador Popular

dom total///

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