Quando este tipo de evento ocorre é sinal de que as coisas não vão bem. (Nelson Jr./SCO/STF)

Por Marcel Farah

Em 1966 Carlos Lacerda promoveu a articulação daquela que ficou conhecida como frente ampla, a principal articulação da oposição inicial à ditadura militar. Uma tentativa de unidade das três principais forças políticas pré golpe militar: Lacerda representava os conservadores da UDN, Juscelino Kubitschek do moderado PSD e Jango da esquerda cujo principal partido era o PTB.

Até o golpe militar de 1964, apoiado por Lacerda para derrubar Jango, inclusive, eram desafetos políticos. Ou seja, inimigos históricos acabaram se unindo em defesa da democracia.

É patente a contribuição do Judiciário para definir os rumos do Brasil de hoje, mas segundo dizem, é pelo combate à corrupção. A prioridade de atendimento aos pedidos de condenação, as violações à ampla defesa, a alteração de jurisprudências há muito consolidadas, a falta de provas que dá credito a uma delação como se ela bastasse para se chegar à verdade.

Este trabalho ocorre de forma sincronizada com os acontecimentos, revelando, sem querer, a intencionalidade política da Justiça. Gravações ilegalmente divulgadas em momentos definitivos, prisões decretadas para direcionar eleições, seletividade quanto a quem será ou não punido, preso, massacrado ou apenas desculpado. O que é isso, senão corrupção?

Este é o modus operandi histórico do Judiciário para com as classes populares, mesmo sob a Constituição de 1988. Esse modus operandi passou a criminalizar também os representantes dessas classes desde a ação penal 470, quando a grande mídia foi plenamente vitoriosa em seus intentos de dirigir, além da opinião pública, o Judiciário. Seu ápice ocorre com a indicação do juiz Sérgio Moro para ser o novo ministro da justiça de Bolsonaro, o capitão do combate á corrupção.

Esta semana vimos mais um passo nessa direção, o novo julgamento do HC de Lula. Quando viu que a votação seria prejudicial ao ex-presidente, que manteria a prisão injusta de Lula para sustentar a falácia de combate à corrupção, houve pedido de vistas de Gilmar Mendes. Logo quem! O ministro psdebista convicto e declarado. Desafeto político do ex-presidente.

Quando este tipo de evento ocorre é sinal de que as coisas não vão bem. O combate à corrupção soterrou a democracia.

A frente ampla de Lacerda foi dizimada com o Ato Institucional número 5 de 1968. Jango fora deportado pelo golpe e morreu na Argentina, de ataque cardíaco em 1976, Juscelino foi cassado e morreu em misterioso acidente automobilístico em 1976, Lacerda, também cassado, morreu em uma clínica, por infarto, em 1977.

Segundo Marx, “a história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

 

 

Marcel Farah-Educador Popular/ Dom Total///

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