Foto: Giulia Cassol/Sul21

Douglas Filgueiras (*)

 

Antes é preciso compreender as estruturas pela qual a sociedade se organiza e se sustenta. Quais são seus princípios políticos, filosóficos e ideológicos? E sobre tudo, quem sustenta a educação no Brasil?

O Brasil perde o titulo de governo progressista passa para o chamado neoconservadorismo que tem como tarefa clara atuar no campo nacional e internacional para defender os interesses norte-americanos, sobre tudo para contribuir com sua reorganização financeira e recuperação econômica, fato evidenciado com a catastrófica politica externa que a equipe econômica do Governo Bolsonaro vem adotando com os países árabes, com a China e a Venezuela.

O espelho do novo quadro politico econômico, reflete diretamente na educação e suas contrarreformas pretendidas pelo atual governo. Não vou me deter em comentar sobre os muitos episódios desastrosos já acumulados neste inicio de mandato, e sim o que está por trás dos ataques à educação de forma estrutural e das perseguições à produção livre e democrática do conhecimento cientifico no campo popular.

Uma educação para o trabalho sem direitos

Há um curso natural em que a consciência coletiva se organiza a partir dos problemas comuns das pessoas. Nesse sentido, percebemos que as falsas respostas para os reais problemas do povo são as mais atrativas, pois exigem um menor esforço de reflexão do problema central, o que nos coloca em uma era da Educação para o trabalho sem direitos.

A partir deste ponto de vista compreendemos o peso dos termos “empreendedorismo” e “economia criativa” em nossa história presente, e como ao longo dos anos foi sendo germinada contribuindo para uma consciência individualista. Não é por acaso que Institutos de Educação sem fins lucrativos têm influenciado diretamente na construção da Base Nacional Comum Curricular – BNCC, definindo os rumos da Politica Educacional não só na elaborado como na execução de planos de educação em todas as esferas publicas. Um plano muito bem arquitetado por parte de quem financia o estado e seus institutos; uma adequação do sistema educacional orientada para o dilaceramento dos direitos sociais trabalhista.

Não é por obra do acaso a ideologização do debate sobre o modelo de educação no governo Bolsonaro, que trás como pano de fundo o germe de sua politica, que atua na organização do estado conforme os interesses financeiros do capital especulativo. O que justifica o congelamento de investimentos na educação, os cortes de verbas para universidades públicas impossibilitando a produção cientifica que tenha como ponto de partida a produção social democrática e emancipatória.

O governo Bolsonaro a serviço da burguesia admite apenas uma formação de nível médio em escala geral como forma de organizar as forças produtivas, e manter apática qual quer possibilidade de insurgência da classe trabalhadora.

As centenas de milhares de trabalhadoras e trabalhadores, de educadores e educandos que tomaram às ruas das mais de 200 cidades pelo país no dia 15 de maio demonstraram para o bloco que esta no poder, que há um processo de transformação em curso, e que o castelo que hoje separa o povo de uma educação capaz de promover a inclusão está por ruir.

Paulo Freire (1921-1997) nos traz uma nova lente para ver o mundo através das palavras, desafia-nos a escrever nossa própria narrativa a partir de nossa história e nos ensina que não há uma saída isolada para a crise que vivemos.

(*) Militante do movimento de economia solidária, integrante da equipe de educadores da Associação do Voluntariado e da Solidariedade (Avesol)

 

As opiniões emitidas nos artigos publicados no espaço de opinião expressam a posição de seu autor e não necessariamente representam o pensamento editorial do OBSERVADOR/TERTULIAWEB.

Sul21.///

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