Arte

Já me falaram para parar de puxar o saco do Baleia nas minhas colunas, mas têm dias que o homem se supera.

A coluna desta semana, a qual ele se transforma em dourado e se pesca, é de uma sensibilidade ímpar.

Não sei se gostei tanto porque eu já ouvi inúmeras vezes o Baleia declarar o seu amor pelo rio, ou, ainda, jurar de pé junto (sempre depois de algumas doses daquela bebida equestre) que viu a mulher de branco nas margens do uruguai... não sei, enfim.

Talvez o conteúdo, em si, pode até ser supérfluo, mas a sensibilidade implicada sobrevém só de quem sabe escrever. Mario Quintana também soube executar esta tarefa muito bem ao escrever sobre o “nada” e, ainda assim, despertar os melhores sentimentos daquele que o lê.

Desta vez, o Baleia fez o mesmo.

Para mim, foi arte com palavras.

Parabéns!

 

Descarrego

Pois eu também tenho um lugar favorito em que me livro de tudo o que é terrestre e me encontro comigo. Se tivesse a sensibilidade e a sapiência do Baleia, até poderia escrever uma crônica sobre.

O meu lugar fica, também, no Rio Uruguai. Eu, no entanto, não sou afeito aos barcos, molinetes e à pescaria. Mas vou até lá com o meu carro, esqueço do mundo e recarrego minhas energias. O local é o Salto do Yucumã.

No ano passado, acho que fui umas 9 ou 10 vezes.

Das últimas seis vezes vi o salto, de verdade, apenas uma vez.

A barragem da Foz do Chapecó acabou com o Salto. O rio sobe e desce em proporções avassaladoras. Para se ter uma ideia, segundo me contou o Nenê Cavalheiro, por causa da barragem, dá para pegar Surubi na paulada já que ficam aos montes, ilhados e sufocados, em razão da velocidade da mudança de nível do rio.

Triste.

 

Merecimento

Penso eu que isso é merecido para nossa comunidade regional.

Esta joia da natureza tem um potencial turístico ululante.

E o que foi feito de EFETIVO para o desenvolvimento turístico até hoje? Respondo esta pergunta com outra: quantas famílias têm o seu sustento advindo do turismo do salto?

Agora que encheram o rio de hidrelétricas não adianta bradar em nome de Jes... digo, do turismo.

 

Drama

O ônus do avanço das minhas primaveras está aparecendo. A cada dois de outubro que passo, sinto os efeitos da velhice.

Já tenho que controlar a comida, sob pena da minha pança de égua prenha aumentar (e ela aumenta em progressões geométricas, se a deixo livre, pesada e solta); os meus cabelos são extraditados para o solo, sem sequer se despedirem de mim; até dor no nervo ciático eu tenho!

Definitivamente, Platão estava certo (não, não sou conhecedor da obra dele, o “google” me ajudou) quando apontou que as bengalas são provas da idade e não da prudência.

 

Dica de filme

Indico o filme uruguaio “Além da estrada”.

0 comentários | Escrever comentário