por Sergio Lirio*  publicado 02/12/2017 09h34, última modificação 02/12/2017 11h23
O juiz levanta o sigilo de mais um depoimento de suposta propina a Lula um dia depois de seu amigo Carlos Zucolotto Jr. ser exposto na CPI da JBS
 

Na sexta-feira 1º, o juiz Sergio Moro retirou o sigilo do depoimento de Gerson Almada, ex-vice-presidente da construtora Engevix, que afirma genericamente ter conhecimento de uma conta em Madri, na Espanha, supostamente criada em benefício do ex-ministro José Dirceu e do ex-presidente Lula.

A conta seria administrada pelo lobista Milton Pascowitch e abastecida com dinheiro de propinas de contratos da Petrobras. O depoimento de Almada à Polícia Federal aconteceu em junho passado. O ex-executivo teria citado repasses ilegais de 2,4 milhões de reais da construtora para Dirceu. Embora ainda não tenha acatado a denúncia apresentada pela força-tarefa em maio, Moro decidiu levantar o sigilo do depoimento.

A decisão levanta uma dúvida. A divulgação extemporânea do depoimento de Almada justamente neste momento seria uma maneira de desviar o foco das acusações do advogado Rodrigo Tacla Durán durante depoimento na quinta-feira 30 à CPI da JBS, em andamento no Congresso? Antigo representante da Odebrecht, Tacla Durán, que vive hoje na Espanha, voltou a acusar Carlos Zucolotto Jr, amigo e padrinho do casamento de Moro, de negociar vantagens financeiras para azeitar sua delação premiada com representantes da força-tarefa da Lava Jato. A mulher do juiz, Rosângela, trabalhou no escritório de Zucolotto.

Parentêses: às vésperas do depoimento de Tacla Durán, Rosângela decidiu parar de alimentar e atualizar a página no Facebook “Eu MORO com ele”, de bastante sucesso durante as manifestações a favor do impeachment de Dilma Rousseff e que acumulava mais de 800 mil seguidores.

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No depoimento à CPI, o advogado apresentou registros de trocas de mensagens de celular com o amigo de Moro. Se tiver sua autenticidade confirmada, a conversa apresentada demonstra que a entrada em cena de Zucolotto teria resultado em uma redução de 15 milhões para 5 milhões de reais da multa que a força-tarefa pretendia cobrar de Tacla Durán em troca da delação.

O advogado de 44 anos trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e é acusado pelo Ministério Público de participar de esquemas de lavagem de dinheiro e pagamento de propina. Foi preso em novembro de 2016, na 36a fase da Lava Jato, por ordem de Moro. Depois de solto, mudou-se para a Espanha. Sua extradição ao Brasil foi negada pela Justiça do país europeu e ele é considerado "foragido" pela força-tarefa de Curitiba.

O advogado negociou a delação com o Ministério Público, mas não chegou a assiná-la, pois teria de confessar crimes que, segundo diz, não cometeu. Decidiu então partir para o ataque, com acusações aos métodos da força-tarefa, suspeitas sobre Moro e denúncias de uma “indústria da delação” em Curitiba.

* Com textos da Redação

 

Carta Capital///

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