Ciro (E) e Barbosa (D) são cotados para dueto com Fernando Haddad. (Foto: Reprodução)

Uma aliança com o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, pré-candidato pelo PDT, é  hoje o cenário mais considerado entre aqueles que não veem chances de o PT encabeçar uma chapa. A distância que Ciro mantém do PT na fase mais crítica do partido, porém, o indispõe com amplos setores do petismo. Na última quinta-feira, Ciro protocolou um pedido de visita à Lula na carceragem da PF (Polícia Federal) em Curitiba (PR), mas encontros com políticos tem sido negados pela Justiça.

A possibilidade de uma composição com o PSB também não está descartada. Relatórios de pesquisas qualitativas com paulistanos das classes socioeconômicas B e C, aos quais dirigentes do partido tiveram acesso, indicam que uma chapa com o ex-ministro Joaquim Barbosa como candidato ao Palácio do Planalto e o ex-prefeito paulistano Fernando Haddad como vice potencializa as chances tanto do PSB quanto de petistas.

Em um dos relatórios encomendado por um banco, o nome de Barbosa foi o único a surgir espontaneamente como opção. Na descrição do analista que conduziu o grupo, o ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) foi descrito como o candidato que preencheu o “check-list” de Lula, ou seja: herdou os atributos do ex-presidente com os quais o eleitor se identifica.

Para Barbosa, a união com o PT propiciaria uma estrutura de campanha condizente com a pretensão do cargo: dinheiro, experiência e penetração. A presença de Haddad em uma e outra chapa é vista como uma canal de interlocução de setores empresariais e do mercado.

Barbosa foi relator do processo que condenou os principais caciques do PT. Uma chapa que reúna Barbosa e o PT teria o condão de “limpar” o partido depois da prisão de Lula. Os defensores de uma aliança lançam mão do fato de Barbosa ter poupado o ex-presidente Lula naquele processo e de ter sido um crítico ao processo de impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, em 2016. Já os seus detratores não o perdoam pelo mensalão, berço da Lava-Jato.

Um dos entraves à composição de uma chapa com o PT de vice é a destinação do fundo partidário. A sigla de Lula terá acesso a R$ 212 milhões e já definiu que destinará um terço à campanha presidencial, o que representa o teto fixado definido pela lei eleitoral. Se vier a compor como vice uma chapa com o PDT ou o PSB, não terá como recuar desses gastos, visto que ambas as legendas dispõem de fundos partidários bem menores – R$ 70 milhões e R$ 118 milhões, respectivamente.

A equação financeira da campanha é um dos pontos mais delicados dos rumos do PT. Sucessivos revezes judiciais impuseram multas e bloquearam o acesso do partido a recursos oficiais. Interditada pelo cerco ao ex-presidente, a discussão sobre os rumos da legenda ficou ainda mais bloqueada pela dificuldade de os dirigentes terem acesso ao ex-presidente.

A presidente da legenda, a senadora Gleisi Hoffmann (PR), e Fernando Haddad, ambos portadores de carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), podem ser inscritos como advogados no processo e, assim, terem acesso à cela. A senadora, no entanto, é ré no STF. Uma condenação até outubro pode tirá-la da linha de frente do partido.

Ao registrar no processo dirigentes partidários que passariam a ter acesso à cela de Lula, o PT sinalizaria que já não vê grandes chances de o ex-presidente deixar Curitiba no curto prazo. Até ontem, apenas o advogado Cristiano Zanin Martins e familiares do ex-presidente puderam visitá-lo.

Na avaliação de alguns petistas, a necessidade de debater uma alternativa à candidatura de Lula chega tarde. Com timidez, a proposta de um debate sobre isso chegou ser colocada internamente enquanto a prisão ainda era uma hipótese. Mas não prosperou.

Agora, duas constatações imediatas pressionam contra a insistência de levar a candidatura Lula até o fim. A primeira é a avaliação de que a temporada do petista na cadeia tende a ser longa e sem interrupções. As esperanças em relação a uma decisão jurídica que possa tirá-lo rapidamente de Curitiba vão ruindo a cada sessão do STF.

 

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