Apesar de amargar recorde de impopularidade, com 82,5% de rejeição, esforçar-se para não estourar a meta de um rombo fiscal de R$ 159 bilhões previsto para este ano e deixar mais de 13 milhões brasileiros desempregados, o presidente Michel Temer, ao fazer o balanço de dois anos de sua gestão, afirmou que seu governo foi melhor do que o de seus antecessores e que conseguiu recuperar a economia, tirando-a “do vermelho”.
Em reunião com ministros e parlamentares, no Palácio do Planalto, Temer disse nesta segunda-feira que a equipe que reuniu ao chegar à Presidência foi “uma das melhores de todos os tempos” e capaz de tirar o país da recessão econômica.
“Confesso diante de todos que me sinto responsável pelas atitudes e escolhas que fiz, sempre pensando em um Brasil maior. (…) Sem dúvida, eu creio que todos nós fomos responsáveis por tirar o Brasil do vermelho e colocar no rumo certo”, afirmou.
O documento com o balanço dos dois anos do governo, que foi apresentado em cerimônia no Palácio do Planalto, ressalta que “após vencer a pior recessão econômica da história” o Brasil “retornou ao crescimento”.
Entre os dados apresentados, os destaques são a queda da inflação; da taxa básica de juros da economia (Selic); o reajuste do programa Bolsa Família; a geração de empregos e a agenda de reformas. Os dados da publicação mostram que a inflação caiu de 9,39% em março de 2016 para 2,68% em março de 2018. Em relação à Selic, registra que a taxa atual de 6,5% “é a menor da história”.
Os reajuste e a fila zerada no programa Bolsa Família estão nas primeiras páginas do balanço do governo. Nos dois anos de Temer, o programa teve dois reajustes, o primeiro de 12,5%, em junho de 2016, e o segundo, de 5,6%, que entrará em vigor em junho.
O documento diz, ainda, que houve redução de crimes após a intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. A criação do Ministério da Segurança Pública também é citada como um reforço para o combate à violência. As reformas trabalhista e do ensino médio, constantemente citadas pelo presidente em discursos, também estão presentes no documento. 
O convite da cerimônia comemorativa organizada pelo Planalto tinha como slogan “O Brasil voltou, 20 anos em 2”. A frase, plagiada do programa de governo de Juscelino Kubitschek (50 anos em 5), se transformou em piada por conta da interpretação ambígua da frase que, diante dos números do governo e da rejeição popular, tem efeito negativo. 
“Se tirar a vírgula o slogan fica perfeito. Temer é o timoneiro do maior retrocesso já visto neste país”, enfatizou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ).
Em entrevista ao Portal Vermelho, no final de março, Clemente Ganz, diretor técnico do Departamento de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Diesse) fez uma análise que permanece atualiza-da sobre o impacto das medidas de Temer sobre o mercado de trabalho. Segundo ele, o governo não deu alternativas para uma recuperação econômica mas contribuiu para deteriorar as vagas de emprego.

 

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