Militantes realizam Plenária Suprapartidária em Defesa da Democracia e contra Bolsonaro | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Em uma plenária que reuniu PT, PCdoB, PSOL, PCB e diversos movimentos sociais na noite desta terça-feira (9) em Porto Alegre, os partidos demonstraram união para defender a candidatura de Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB) à presidência do Brasil, contra Jair Bolsonaro (PSL). Com a presença da própria candidata a vice-presidente, centenas de militantes compareceram à sede do Sindicato dos Municipários (Simpa) para a Plenária Suprapartidária em Defesa da Democracia. Eles foram convocados a participar de um ato na Esquina Democrática na próxima segunda-feira (15).

O ato começou com diversas personalidades dos três partidos juntas no palco, entre elas Pedro Ruas (PSOL), que mediou o encontro, Miguel Rossetto (PT), Abigail Pereira (PCdoB), Sofia Cavedon (PT), Luciana Genro (PSOL), Ana Affonso (PT), além de Manuela. “Temos uma tarefa histórica no Brasil nesse momento. O segundo turno é o primeiro ato dessa unidade que será cada vez maior no Brasil. Nesse momento tão duro da vida brasileira, saberemos que cada uma e cada um de nós cumpriu seu papel para impedir que essa tragédia social e política ocorra”, iniciou Ruas, que é deputado estadual.

Rossetto, que foi o candidato do PT ao governo do Rio Grande do Sul, relatou que quando estava a caminho do ato conversava com dona Lourdes, que definiu como “cidadã de Porto Alegre e apoiadora nossa”. “Ela me perguntava ‘e agora, Rossetto’? e eu disse: agora é lutar pela democracia, pelos direitos sociais, por esse Brasil que queremos. Agora é lutar por Haddad e Manuela”, contou. Ele considera que, com a unidade das bandeiras, é possível construir uma vitória política.

“Agora é lutar pela democracia, pelos direitos sociais, por esse Brasil que queremos. Agora é lutar por Haddad e Manuela” | Foto: Guilherme Santos/Sul21

“Nós estamos convocados mais uma vez pela História para defendermos a democracia, a ideia da igualdade entre todos, combatermos o ódio e a violência, firmarmos a profunda esperança que nós temos em uma nação solidária, uma nação entre iguais. Estamos aqui com a nossa consciência, nossa coragem e a nossa disposição de luta”, acrescentou, dizendo ainda que, apesar do tempo ser curto, esforços serão feitos para se conversar com os cidadãos gaúchos um a um. Segundo ele, todos os municípios do Estado irão ter comitês pela democracia com Haddad e Manuela.

A deputada eleita Luciana Genro representou os dirigentes do partido no evento, afirmando que estamos em um “momento muito preocupante da história brasileira”. “Ao mesmo tempo, é uma alegria ver essa sala cheia, esse pátio, essa rua cheia. Tenho certeza que vamos a partir daqui construir um amplo movimento democrático em defesa das liberdades que foram duramente conquistadas nesse país, por muitos que vieram antes de nós”, disse.

Ela também mencionou que não se deve abrir mão de lutar pelas conquistas que já foram obtidas até hoje. “Estamos colocando de lado as nossas diferenças, elas existem e vão continuar existindo. Mas esse não é o momento para ressaltarmos as nossas diferenças. Ao votar no 13 garantir as conquistas democráticas, as conquistas sociais e seguir lutando para avançar mais”, acrescentou Luciana. Salete Carrolo, da Via Campesina, disse que “está colocada para nós uma tarefa histórica, não somente defender a democracia, os nossos direitos”.

A candidata à deputada pelo PCB, Marianna Rodrigues, lembrou que “a nossa democracia já é muito rasa, nunca alcançou as periferias, quilombolas, sem terras. E ainda assim eles querem colocar os nossos direitos conquistados na lata do lixo da história”. Bruna Rodrigues (PCdoB) afirmou que serão lançados comitês populares em todas as periferias da cidade, e mencionou que “é preciso atenção, nem todos os eleitores do Bolsonaro são fascistas, tem muito povo perdido, muita gente que não sabe o caminho. É preciso olhar no olho do nosso povo e dialogar com muito carinho”.

Sofia Cavedon, vereadora e eleita deputada estadual no último domingo (7), falou saber da importância de “um grande levante popular no Brasil, das esquerdas, da democracia, de todos aqueles que não aceitam que o país renunciem aos marcos democráticos que conquistamos até aqui”. Lembrando uma fala do candidato Bolsonaro, que disse que “as minorias precisam se curvar às maiorias”, Sofia afirmou: “Nós somos a grande maioria do povo brasileiro. A luta é das mais importantes. Sejam os milhares, os muitos corações que com alegria vão desmascarar essa farsa que não representa o povo brasileiro que é o Bolsonaro”.

Um dos mais saudados pela militância, o ex-prefeito Raul Pont (PT) contou nunca ter visto um voto tão “medroso, atemorizado, confuso e manipulado” ao longo dos 11 processos eleitorais desde a redemocratização. “Nós todos vimos quem é esse sujeito [Bolsonaro] no dia do impeachment, quando ele votou e dedicou seu voto ao chefe da Operação Bandeirantes, durante a qual eu e centenas de pessoas fomos torturadas pessoalmente por ele, pelo comandante Ustra. Estamos aqui para ser testemunho e como resistimos a uma ditadura, vamos resistir a outra se for necessário”, garantiu.

Deputados, vereadores, candidatos e dirigentes partidários participaram do ato | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Manuela: “Eles não podem nos intimidar”

A fala mais longa foi a da candidata à vice-presidência, que como é de costume chegou ao evento carregando sua filha, Laura, de três anos. Saudada aos gritos de “Manu no Jaburu!”, ela falou em tom descontraído, afirmando conhecer muitos dos presentes, e lembrou das eleições estaduais de 1998 no Rio Grande do Sul, quando Olívio Dutra (PT) foi eleito no segundo turno. “No primeiro turno, [Antônio] Britto não levou a eleição por menos de um por cento. E a nossa militância no segundo turno tomou às ruas, virou o jogo e venceu a eleição”, relatou.

Ela apontou que acredita que o encontro, além de servir para “nos abraçarmos, nos acolhermos”, foi também para motivar e organizar os militantes a fazer campanha eleitoral. “O nosso povo não é fascista, não defende o extermínio um dos outros. Nosso povo vive a maior crise da história do Brasil promovida pelo desmonte do governo [Michel] Temer, a reforma trabalhista, nosso povo tem medo do seu futuro, e é razoável que tenha. Mas o povo está escolhendo baseado em mentiras, porque eles só mentem”, destacou, afirmando que está ocorrendo “a maior campanha difamatória da nossa história”.

Mencionando a necessidade de se fazer a defesa do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Constituição, Manuela também criticou a proposta de maior liberação de armas, defendida por Bolsonaro. “Não precisamos de mais armas. Armas já matam muito nesse país, sobretudo os filhos das mães negras. Temos milhões de mães que criam sozinhas os seus filhos, são essas mulheres que fecham os caixões com seus filho dentro sem que nenhuma apuração seja feita”, relatou.

Militantes lotaram salão do Simpa, na Cidade Baixa | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Ela defendeu que é possível construir um país em que “as pessoas façam política sem transformar os espaços políticos em espaços de violência”, mesmo concordando que seja difícil muitas vezes, como quando apoiadores de Bolsonaro quebraram a placa que homenageava a vereadora assassinada Marielle Franco (PSOL). “Mas nós somos aqueles que acreditamos na política que transforma, acreditamos que é possível construir um outro mundo com a política como elemento de transformação, solidária, inclusiva. Nós acreditamos na solidariedade, uns nos outros”, disse.

É preciso que não se permita que exista uma nova ditadura no país, segundo a candidata, e por isso ela pediu que os militantes não se deixem intimidar. “O Brasil é dos brasileiros. Eles não podem nos intimidar, é adesivo no peito, bandeira na mão, se eles chegarem perto e começarem a agredir, filma, divulga. Eles não podem fazer isso. A democracia se constrói com luta e nós dando visibilidade aos nossos sonhos. Coragem, companheiros. A gente não pode desistir do nosso povo”, clamou.

Manuela relatou ainda estar sofrendo uma campanha difamatória muito forte por parte dos adversários, que divulgam milhares de notícias falsas a seu respeito, nas quais a população muitas vezes acredita. “Chega de bloquear quem vota nele no Face, nas redes sociais. A gente precisa devolver a verdade para esse espaço. Quero que a gente não pense que é óbvio, que é engraçado, a gente precisa que vocês entrem nas redes e desmintam isso. A verdade é que nós defendemos o Brasil e o povo brasileiro e eles não, nós defendemos a soberania do Brasil, a democracia, a solidariedade, nós temos esperança, e é por isso que nós venceremos”, pediu, defendendo que, ao invés de se fazer comício, se vá para as ruas conversar com a população “um por um”.

Apos a fala de Manuela, os militantes foram informados da agenda da campanha, que começa já nesta quarta-feira (10), ao meio-dia, para quando está marcado um “bandeiraço” no Largo Glênio Peres. Já às 18h, está marcado um ato de estudantes contra Bolsonaro, no viaduto do Brooklin.

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