"Áudio de Dallagnol reforça a sua hipocrisia e a sua motivação político-ideológica à frente da Lava Jato - que se transformou num projeto de poder cujo objetivo era tirar Lula da eleição", diz Paulo Pimenta.

 

 

A divulgação do primeiro áudio da Vaza Jato divulgado pelo site The Intercept repercutiu nas redes sociais. Nele, o procurador Deltan Dallagnol celebra a decisão do ministro Luiz Fux de proibir o ex-presidente Lula de conceder uma entrevista ao jornal Folha de S. Paulo antes do primeiro turno das eleições de 2018. Para a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), “para aqueles que insistiam em dizer que as mensagens eram falsas, o áudio de Dallagnol não deixa dúvidas”.

 

Segundo o jornalista Ricardo Noblat, que tinha uma posição em defesa da Lava Jato, o áudio deixa claro que o procurador tomou partido.”Entendi direito? Deltan celebra a decisão de um ministro do STF q impedia Lula de ser entrevistado. E pede a colegas que não espalhem a notícia p/evitar que a defesa de Lula se apresse a entrar com recursos contra a decisão. Se isso não é tomar partido, eu não sei mais o que é.”

 

No Twitter, o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), que chamou Sergio Moro de “juiz ladrão”, quando o ministro compareceu em sessão na Câmara, questiona o procurador: “E aí, Dallagnol? Você e Moro andam meio esquecidos, mas agora é um áudio! Lembra dessa comemoração? A voz é sua?” O candidato à presidência pelo PSOL em 2018, Guilherme Boulos, também faz a pergunta: “Será que agora Moro e Dallagnol vão negar a autenticidade?”

 

Para a jornalista Mônica Bergamo, que realizou a primeira entrevista com Lula somente após uma batalha judicial no Supremo Tribunal Federal (STF) em abril deste ano, o áudio mostra os resquícios autoritários no país. “Como eu disse, e repito: a entrevista de Lula foi um ROMBO na censura no Brasil e em seus ainda fortes resquícios autoritários, um país em que autoridades e pseudojornalistas aplaudem a censura –quando não a promovem.”

“Áudio de Dallagnol reforça a sua hipocrisia e a sua motivação político-ideológica à frente da  – que se transformou num projeto de poder cujo objetivo era tirar Lula da eleição O  poderia vir à Câmara se defender, mas é fujão!”, disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), pelo Twitter. “Vai negar o áudio, Dallagnol?”, questionou.

O procurador-chefe da Lava Jato havia sido convocado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados para uma audiência pública nesta terça-feira (9), às 14 horas, junto com o representante da coordenação-executiva da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), juiz Marcelo Semer. Mas Dallagnol desistiu de comparecer.

 
 

Quem é o pessoal?

O jornalista Xico Sá afirma que “havia um comitê eleitoral no coração da Lava Jato em Curitiba” e traz a questão: “Quem é o pessoal?” No áudio, o procurador afirma que “o pessoal pediu pra gente não comentar publicamente”, referindo-se à decisão de Fux.

Para Renato Rovai, diretor de Redação da Fórum, o pessoal pode ser “algum (talvez alguns) ministro do Supremo. É alguém que tomou a decisão ou ajudou a tomá-la”.

 

Em nota, a lava Jato diz que a “supostas mensagens atribuídas a integrantes da força-tarefa são oriundas de crime cibernético e não puderam ter seu contexto e veracidade verificados”.

 

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