Bispos, especialistas e cientistas brasileiros assumem posições de destaque no sínodo pan-amazônico que começa neste domingo, no Vaticano

 

Brasileiros terão posição de destaque no próximo sínodo. (Andreas Solaro/AFP)

Por Mirticeli Medeiros
Repórter especial

Cidade do Vaticano -  O Sínodo da Amazônia contará com a participação de 250 participantes, dentre os quais a maioria são brasileiros. Alguns bispos - dos 56 provenientes da região amazônica -, padres e leigos que atuam no Brasil terão posição de destaque na próxima reunião de bispos.

Bispos que coordenarão os trabalhos

O cardeal dom Cláudio Hummes, O.F.M., que já foi arcebispo de São Paulo e prefeito da congregação para o clero - ministério vaticano que cuida dos padres - ,atuará como relator geral, ou seja, coordenará toda a produção textual do sínodo dos bispos.

O cardeal dom João Brás de Aviz, atual prefeito para os institutos de vida consagrada - órgão que supervisiona as ordens religiosas - será um dos três presidentes delegados, uma espécie de mediador que coordena algumas sessões da assembleia.

Alguns bispos e especialistas que ajudaram a preparar o sínodo, como no caso de dom Erwin Kräutler, bispo que ficou famoso por idealizar a proposta de ordenar homens casados de “fé provada” - os viri probati -, para atender carência de padres na região.

Um sínodo “feminino”

Um dos grandes diferenciais da próxima assembleia é que, pela primeira vez na história, a sala do sínodo será ocupada, em grande parte, por mulheres. Freiras e leigas especialistas em espiritualidade indígena, preservação do meio ambiente e outras temas referentes à vida na região amazônica, poderão contribuir com os debates. Apesar de não terem direito ao voto, representam um grande avanço impulsionado pelo pontificado atual.

A professora Márcia Maria de Oliveira, doutora em Sociedades e Cultura Amazônicas, que ajudou na elaboração do Instrumentum Laboris do sínodo - a lista de temas a serem debatidos durante a reunião - , trabalhará como perita durante a assembleia.

A pesquisadora Ima Célia de Oliveira, membro da Comissão Nacional pelo Meio Ambiente e autora do primeiro diagnóstico brasileiro sobre biodiversidade e serviços ambientais também contribuirá na qualidade de especialista.

Outros especialistas e cientistas

Destaque também para o padre jesuíta Adelson Araújo dos Santos, atual diretor do centro San Pietro Favre, da Universidade Gregoriana de Roma. Ele tem sido uma das vozes que mais têm saído em defesa do sínodo e trabalhará como perito: a partir da sua especialidade, auxiliará secretário geral na parte científica.

O procurador regional da República Felicio de Araujo Pontes Junior, que também é especialista em direitos indígenas, integra o grupo dos peritos.

Tapi Yawalapiti, filho de Aritana Yawalapiti, o cacique mais velho e mais respeitado do Alto-Xingu, no Mato Grosso, também foi convidado. Mestrando da Universidade de Brasília, ele atua no Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas da instituição. O líder indígena foi membro da comitiva do índio caiapó Raoni durante sua visita ao papa Francisco, em maio deste ano.

O cientista Carlos Alfonso Nobre, nobel da paz em 2007, também foi convocado pelo papa. Considerado um dos maiores meteorologistas do país, ele é conhecido mundialmente por alertar sobre os perigos do aquecimento global. Nobre também auxiliará os bispos na parte técnico-científica.

Campanha

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou uma campanha nas redes sociais e em veículos de comunicação católicos em defesa do papa Francisco e do Sínodo da Amazônia. A intenção é rebater críticas de dentro e de fora da Igreja ao encontro marcado para outubro em Roma. A campanha foi divulgada com duas frases para marcar o conteúdo nas redes sociais: #euapoioosínodo #euapoioopapa #sinodoamazonico.

Redação Dom Total

 


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