Panelaços fortes e gritos de 'fora, Bolsonaro', foram ouvidos em diversas cidades brasileiras. Atos a favor foram em menor número.

 

Atos foram realizados em bairros nobres das grandes capitais (Jorge Araujo /Fotos Publicas) BRASÍLIA -

 

 

 

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi alvo de panelaços em algumas das principais cidades do país, na noite desta quarta-feira, o segundo dia consecutivo, com maior adesão do que na véspera. No horário marcado, 20h30, panelaços fortes e gritos de "fora, Bolsonaro", foram ouvidos em diversos bairros do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, além de pelo menos outras 16 capitais brasileiras. Além disso, em algumas cidades, luzes e imagens foram projetadas em prédios com críticas ao presidente. Protestos, no entanto, podiam ser ouvidos já no Rio, São Paulo e Brasília desde pouco depois das 19h, quando o presidente começou a falar, em um pronunciamento, depois de um encontro com presidentes dos demais poderes. Mais cedo, o presidente participara de uma longa entrevista coletiva com ministros.

Na maior cidade do país, os protestos foram registrados em bairros de classe média alta, como Higienópolis, Morumbi, Vila Madalena, entre outros. Em alguns bairros, como Vila Mariana, chegou a durar quase uma hora. No Rio de Janeiro, o panelaço foi ouvido na maior parte da Zona Sul, mas também em bairros da Zona Norte como Tijuca e Andaraí. Na capital do país, o panelaço foi forte na maior parte do Plano Piloto, área central de Brasília, também de classe média alta. Na noite de terça-feira, espontaneamente --não havia nenhum movimento marcado pelas redes sociais--, Bolsonaro enfrentou o primeiro panelaço de seu mandato, que tem menos de 15 meses. Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, 18, Bolsonaro afirmou que encara qualquer movimento por parte da população como uma expressão da democracia. "Qualquer manifestação popular nas ruas ou dentro de casa, como o panelaço, nós, políticos, devemos entender como a pura manifestação da democracia." Em seguida, o presidente citou que seus apoiadores organizaram um panelaço a favor do governo para 30 minutos depois da oposição, mas que veículos da imprensa não falaram sobre o ato. "A TV Globo divulgou esse movimento do panelaço, bem como a Veja Online. Mas não vi esses órgãos da imprensa falando que corre nas mídias sociais um panelaço às 21h favorável ao governo Jair Bolsonaro", disse.

No Twitter, ele ainda reforçou a mensagem. Apesar do apelo do presidente, o "panelaço a favor" não teve a mesma adesão, sendo registrado em alguns bairros de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro sem a mesma intensidade, e com gritos de resposta dos contrários ao presidente. Olavo de Carvalho: 'talvez seja tarde' Enquanto o presidente Jair Bolsonaro era alvo de "panelaço" em várias cidades brasileiras, o guru do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, foi à internet dizer que Bolsonaro comete "suicídio" ao "adaptar-se ao sistema". Morador da Vírgina, nos Estados Unidos, Olavo lamentou que "agora talvez seja tarde para reagir."

"Eleito para derrubar o sistema, o Bolsonaro, aconselhado por generais e políticos medrosos, preferiu adaptar-se a ele. Suicídio", escreveu o guru em seu perfil no Facebook. Olavo disse também que, desde o início do governo, aconselhou Bolsonaro para que "desarmasse os inimigos antes de tentar resolver qualquer "problema nacional", mas ele preferiu fazer o contrário. "Desde o início do seu mandato, aconselhei ao presidente que desarmasse os seus inimigos ANTES de tentar resolver qualquer problema nacional. Ele fez exatamente o oposto. Deu ouvidos a generais isentistas, dando tempo a que os inimigos se fortalecessem enquanto ele se desgastava em lacrações teatrais", escreveu. "Lamento. Agora talvez seja tarde para reagir", completou.

O guru disse que Bolsonaro nunca reagiu a seus adversários. "Que é que o Bolsonaro fez contra QUALQUER dos seus inimigos? NADA. NADA NUNCA. Só lhes deu umas agulhadinhas, irritando-os em vez de enfraquecê-los."

 

Reuters/dom total///

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