"Bolsonaro não em condições de ser presidente da República. Ele não entende nada do mundo em que está vivendo", diz ainda o economista

 

 

24 de março de 2020, 05:38 h Luiz Gonzaga Belluzzo (Foto: Paulo Emílio)

 

 

 

 

Do Tutaméia – O capitalismo como o conhecemos a partir do final da Segunda Guerra Mundial não seguirá sendo o mesmo. A crise atual será maior do que a de 1929. O PIB brasileiro pode cair mais de 10% neste ano se medidas drásticas não forem tomadas. Medidas que sustentem a renda e progressivamente procurem rearticular as cadeias de fornecimento e produção. O contrário do que está fazendo o governo. A visão é do economista Luiz Gonzaga Belluzzo em entrevista ao TUTAMÉIA. “É preciso fazer o keynesianismo além do Keynes”, diz. Belluzzo ataca a medida provisória contra os trabalhadores anunciada pelo governo. “É uma insensatez, um atentado contra a razão humana. Se fosse aprovada, determinaria um agravamento da crise certamente. Iria enfraquecer a demanda global, na contramão de todas as medidas que estão sendo tomadas fora do Brasil. O atraso mental e intelectual do Paulo Guedes está influenciando de maneira decisiva, porque o presidente não entende de nada. Ele só entende de dizer baboseiras. Foi forçado a recuar porque sentiu o peso da reação”, afirma. Para ele, “não só os trabalhadores seriam prejudicados; mas também os pequenos e médios empresários, as empresas em geral. E acaba batendo nos bancos, porque os bancos não conseguem receber o serviço da dívida que está atrelada aos empréstimos que fizeram às empresas. É um problema sistêmico. Não é possível você pensar como, desculpe a expressão, como cagada de bode. Por pedacinhos. É que eles não pensam nas integrações, articulações da economia. Do ponto de vista do conjunto da economia, vai causar mais danos para as empresas do que benefício. O Estado tem que fazer uma intervenção muito dura. Veja o que está acontecendo nos EUA. Bolsonaro não em condições de ser presidente da República. Ele não entende nada do mundo em que está vivendo. Devia fazer uma consulta com o Trump”, declara.

 

 

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