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Fogaça e Rigotto abrem voto em Serra e recebem apoio de lideranças catarinenses

O ex-governador Germano Rigotto e o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça, ambos do PMDB, abriram, nesta terça-feira (19), seus votos para o segundo turno das eleições presidenciais. Em almoço com parlamentares do partido declararam que irão votar no candidato José Serra (PSDB). Os dois rechaçaram, no entanto, tomar a linha de frente da campanha no estado. À tarde, Rigotto e Fogaça receberam em Porto Alegre lideranças de Santa Catarina, como o ex-governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB), eleito senador, e Raimundo Colombo (DEM), eleito governador. Mesmo com reiterados pedidos – de catarinenses e gaúchos – Rigotto e Fogaça deixaram o encontro com a mesma opinião: não devem ser figuras centrais na campanha pró-Serra.

O almoço ocorrido no Grande Hotel foi sóbrio, sem militantes. Estiveram presentes apenas deputados estaduais e federais do PMDB – e alguns que se elegeram agora – que apoiam José Serra. Os parlamentares conversaram e almoçaram a portas fechadas. Alguns aplausos podiam ser ouvidos do lado de fora. Quem pode ser ouvido foi o deputado federal eleito Alceu Moreira, que bradou contra os peemedebistas do estado que apoiam Dilma Rousseff (PT), acusando-os de agir assim por “interesses fisiológicos”. Moreira insistiu para que o PMDB entre de cabeça na campanha, com símbolos do partido ao lado dos símbolos da campanha de José Serra (PSDB). Considera esta campanha para presidente da República fundamental para a “refundação” do partido.

Apesar disso, José Fogaça e Germano Rigotto descartaram usar um banner com o logotipo do partido no local onde concederam entrevista coletiva, respeitando assim o fato de o partido não ter uma posição oficial no estado. José Fogaça pediu a palavra em nome dele e de Rigotto e ainda fez alguns rodeios antes de comunicar oficialmente o voto em José Serra.

Os candidatos derrotados ao governo do estado e ao Senado reconheceram que a neutralidade prejudicou suas campanhas, mas mantiveram a posição de que a decisão não foi errada. Para eles, as circunstâncias do primeiro turno impediam uma tomada de posição, porque o principal partido aliado, o PDT, estava com Dilma, enquanto a maior parte dos peemedebistas se inclinava pela candidatura de Serra. “Tínhamos uma posição de neutralidade, que não foi boa para nós, mas era a possível naquele momento. A neutralidade não podia deixar de acontecer”, explicou Germano Rigotto. “Não era uma posição agradável, nem desejada por mim, apenas a adotei para respeitar os companheiros”, disse Fogaça.

Bruno Alencastro/Sul21

Rigotto e Fogaça abrem seu voto em almoço com peemedebistas gaúchos (Foto: Bruno Alencastro/Sul21)

O ex-prefeito de Porto Alegre contou que o almoço e a manifestação do voto, dele e de Rigotto, foram uma reivindicação dos parlamentares do PMDB. Este apoio majoritário dos representantes do partido foi um dos motivos apontados por ambos para terem optado pelo voto em José Serra. “Temos uma bancada estadual e federal que está majoritariamente com Serra. Na quinta-feira (em reunião do PMDB) ficou evidenciado que a maior parte da base está com Serra. É muito majoritário dentro do PMDB”, disse Rigotto. O ex-governador também afirmou que um dos motivos pelo qual escolhe Serra é a “alternância de poder”. O candidato derrotado ao Senado reiterou ainda que sempre defendeu que o PMDB tivesse candidatura própria à presidência.

Mesmo abrindo o voto, Fogaça e Rigotto descartaram a possibilidade de irem para a linha de frente da campanha. O ex-prefeito afirmou que a atitude que lhe cabe é abrir o seu voto e que pedir voto é tarefa para quem foi eleito. “Na minha opinião, o candidato que, como eu, perdeu uma eleição, tem que ter uma atitude de acordo com sua eleição. Estamos fazendo o que entendemos ser o nosso dever. Como militantes entendemos que devemos dar a público a nossa posição. (Pedir votos) é um papel que dever ser cumprido por aqueles que têm mandato, como é o caso dos deputados eleitos que aqui estiveram conosco”.

União entre partidos e estados

Peemedebistas e democratas gaúchos e catarinenses estiveram reunidos na tarde desta terça-feira (19). Em Santa Catarina, DEM e PMDB fizeram coligação vitoriosa. Raimundo Colombo (DEM) foi eleito governador no primeiro turno. Para o Senado, foram eleitos Luiz Henrique da Silveira (PMDB) e Paulo Bauer (PSDB), também da coligação. Os três, mais o vice-governador eleito, Eduardo Moreira, e o suplente eleito ao Senado Casildo Baldaner, foram recebidos por correligionários do PMDB e do DEM gaúchos no Hotel Sheraton, onde manifestaram sua solidariedade a José Fogaça e Germano Rigotto, derrotados nas eleições no estado, e também valorizaram a abertura do voto dos dois peemedebistas a Serra.

Bruno Alencastro/Sul21

Da esq. a dir: Eduardo Moreira, Raimundo Colombo, Luiz Henrique da Silveira: catarinenses dão apoio a Rigotto e Fogaça (Foto: Bruno Alencastro/Sul21)

Como aqui no estado, o DEM também esteve ligado ao PMDB, mas apenas informalmente, esta reunião reforçou o estreitamento de laços entre os dois partidos no sul do país, e também o estreitamento entre gaúchos e catarinenses. Todos os que pediam a palavra faziam questão de falar de seu apreço pelo estado vizinho, das boas relações, por exemplo, entre peemedebistas de ambos os estados. “A solidariedade do PMDB catarinense é histórica”, disse José Fogaça, lembrando que, em duas eleições à prefeitura de Porto Alegre, o correligionário Luiz Henrique da Silveira subiu em seu palanque para apoiá-lo. Silveira, por sua vez, teceu loas ao PMDB gaúcho: “O PMDB gaúcho sempre foi uma bússola para nós”.

O governador eleito de Santa Catarina, Raimundo Colombo (DEM), revelou que tem andado em caravana por todas as 26 regiões de seu estado para agradecer os eleitores pelos votos recebidos. Colombo explica que esta é também uma forma de manter a mobilização da militância em prol da candidatura de José Serra. “Mantém o pessoal ativo, trabalhando”. Colombo acredita que, com esta mobilização, a diferença entre os votos de Serra e Dilma, em Santa Catarina, deve ser bem maior no segundo turno. No primeiro turno, Serra ficou cerca de 250 mil votos à frente.

Casildo Baldaner, eleito suplente ao Senado, sugeriu a José Fogaça e Germano Rigotto que tomem iniciativa semelhante, realizando uma caravana pelo estado para agradecer os votos recebidos e pedindo votos para José Serra. O pedido foi reforçado por outros correligionários que depois fizeram uso da palavra. O coordenador do comitê suprapartidário pró-Serra, Germano Bonow (DEM), disse que, caso Fogaça e Rigotto façam essa caravana, terá a certeza da vitória. Bonow também pediu aos catarinenses que voltem sempre que possível para movimentar a militância gaúcha, e pediu a Luiz Henrique da Silveira que interceda junto ao comitê central de José Serra para reforçar o coro que pede a vinda de lideranças como Geraldo Alckmin para o sul do país.

Posição se mantém

Mesmo com as manifestações dos correligionários, Germano Rigotto e José Fogaça garantiram que mantêm a mesma posição, de não estar na liderança da campanha de José Serra no estado. As declarações de ambos deixam claro que não o fazem porque não querem atropelar lideranças que já têm definido os rumos da campanha serrista em solo gaúcho. “Uma declaração de apoio não quer dizer que tu vais estar na linha de frente, porque já há outras pessoas na linha de frente”, reiterou Germano Rigotto.

Apesar de garantirem que não estarão à frente, os dois devem participar da campanha. “Eu não me nego a participar. Só não tenho pretensão alguma de estar à frente”, disse Fogaça. Rigotto disse que vai pensar de que forma deve participar e reconhece que os pedidos dos correligionários sensibilizam, mas quando diz isso reitera novamente que já há pessoas coordenando a campanha: “A gente vai analisar todo o quadro, mas nós temos grandes coordenadores que estão conduzindo este trabalho”.

Apesar dessa cautela, foi Germano Rigotto quem ciceroneou os convidados catarinenses em um evento que não foi só de “solidariedade” aos candidatos derrotadas, mas eminentemente de apoio a José Serra. Após o encontro, a comitiva de Santa Catarina partiu para Caxias do Sul, junto com o deputado federal Darcisio Perondi. Por lá, participam à noite de abertura da feira de negócios Mercopar e, em seguida, de encontro com militantes pró-Serra de vários partidos.

* Por Felipe Prestes – Fonte: Sul 21 – www.sul21.com.br

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