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“O RS precisa recuperar posição”, diz Tarso

Governador eleito do Estado defende que haja identidade entre as políticas públicas dos governos estadual e federal

Tarso concedeu entrevista exclusiva ao Correio do Povo<br /><b>Crédito: </b> Tarsila Pereira

Tarso concedeu entrevista exclusiva ao Correio do Povo
Crédito: Tarsila Pereira
 

O governador eleito Tarso Genro (PT) ainda não descansou após a vitória no primeiro turno. Tarso segue em atividade como se não tivesse vencido o pleito. Já foi ao interior do Estado várias vezes agradecer o apoio de prefeitos e lideranças do seu partido. Visitou aliados dentro e fora da coligação que o elegeu e participou de inúmeras reuniões para acertar os nomes do seu Secretariado. Também dialogou em busca da melhor estrutura para o primeiro escalão do governo que comandará a partir de 1 de janeiro de 2011.

Apesar da agenda cheia, no entanto, o petista não descuidou do que considera decisivo para o Rio Grande do Sul: as verbas federais. Ex-ministro da Justiça, Educação, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e das Relações Institucionais, Tarso diz ter a exata noção da importância dos recursos federais para o caixa dos estados brasileiros. Nesta entrevista, Tarso fala das ideias para seu governo, analisa as eleições e mostra a disposição de apresentar projetos, ainda antes da posse, que estejam conectados com a União.

Confira os principais trechos da entrevista:

Relação com o governo federal
"O Rio Grande do Sul ficou em terceiro lugar no ranking de aproveitamento dos programas federais em relação a Santa Catarina e Paraná. Isso demonstra a falta de iniciativa política que o Estado teve. Eu não estou culpando a governadora Yeda (Crusius). Isso é fruto do isolamento político do Estado, algo que vem de muito tempo. Ficamos depreciados como sujeito político da federação. Perdemos voz ativa nos grandes temas, como as reformas política e tributária e a definição de um modelo de desenvolvimento. O Rio Grande se intimidou com a mudança de padrão da política nacional. Nós temos que recuperar essa posição do Estado como sujeito ativo da política nacional e global. Isso será feito se tivermos identidade entre os governos estadual e federal. No Congresso Nacional e nos governos estaduais foi eleita uma maioria pró-Dilma.

A mudança na política do País
O governo Lula mudou a pauta estratégica do País. Até o governo Lula, nunca se tinha falado em crescimento econômico com enfrentamento das desigualdades regionais e sociais. Os tucanos só defenderam a mudança desse pauta no meio do primeiro turno, quando o (José) Serra tentou ser o sucessor do Lula, se colando na imagem do Lula, fato que não deixa de ser irônico. Essa pauta de desenvolvimento aliada ao combate das desigualdades é a nova pauta política da esquerda depois da crise neoliberalismo. E os tucanos representam o neoliberalismo. Veja o desconforto do Serra ao fazer propostas como o salário mínimo de R$ 600,00 e 13 do Bolsa-Família, algo que eles sempre chamaram de populismo. Para fazer essas promessas, têm que se observar o movimento da economia no ano que vem. Não se pode chegar aos extremos. A mudança de pauta modificou os partidos no Brasil. Não é de graça que os democratas (Dem) estão em fase de extinção. É um partido que olhava o Estado somente a partir do cumprimento de acordos com o capital globalizado. Foi alterado o padrão de disputa eleitoral. Tomara que nós possamos fazer a reforma política, permitindo que os partidos sejam nacionais. É importante acabar com essa situação de partidos que têm uma posição diferente em cada estado do país.

Os incentivos fiscais e a questão da Ford
Essa questão tem que ser desideologizada. Todo o incentivo tem que ser observado a partir de seus resultados benéficos para o Estado, para geração de emprego. A questão da Ford ficou muito marcada porque foi um golpe político nacional do ex-governador Antonio Carlos Magalhães para levar a fábrica para a Bahia e fazer uma propaganda nacional. Não temos nenhum tipo de restrição, mas achamos que uma grande empresa tem que vir para somar junto com a base produtiva já existente, e não sufocá-la. Queremos atrair empresas, inclusive com incentivos, quando isso se mostrar positivo para o desenvolvimento do Estado. A equação não é ideológica. Até porque as empresas preferem se instalar onde já existe estrutura para que elas possam operar de maneira tranquila. A questão da Ford se resolveu daquela maneira porque o governo federal era hostil e se organizou com o Antonio Carlos Magalhães para fazer aquilo.

Os ataques na campanha eleitoral
O principal caso foi violação do sigilo fiscal. Todos os ataques que se fizeram ao governo Lula e à candidatura da Dilma tiveram esse precedente. Ou seja, a absolutização de que houve a encomenda de quebra de sigilos do PT para atacar a candidatura Serra. Agora, pequenas notícias estão revelando que a violação do sigilo fiscal se originou de disputas dentro do PSDB entre o Serra e o Aécio Neves. Todas as denúncias que são feitas de parte a parte devem ocorrer de maneira restritiva. É lamentável que essas situações estejam sendo usadas de maneira exaustiva pela imprensa anti-Lula e anti-Dilma, sobretudo no centro do país. Isso não ocorreu no Rio Grande do Sul, onde a imprensa fez um debate sobre projetos, não envolvendo na campanha acusações cuja prova depende de processos judiciais.

A afinidade entre o RS e o governo federal
Hoje toda a questão relevante em termos regionais sempre é uma questão nacional e global. Não há questão econômica, política, ambiental e social que não seja ao mesmo tempo regional, nacional e global. Os planos de governo têm que se atrelar a isso. Se isso não for feito, o mandatário não está preparado para governar de maneira apropriada. Ele acaba caindo em políticas paroquiais e de curto alcance. Uma nuvem atômica, por exemplo, não respeita fronteiras. É óbvio que para o Rio Grande do Sul é muito melhor que a Dilma seja eleita. A visão política que eu coloco é a mesma visão da Dilma. Já a visão do Serra é uma visão de como se o Brasil começasse e terminasse em São Paulo. É a visão tradicional dos tucanos. Isso criaria dificuldade ao nosso projeto, embora não seja uma dificuldade intransponível, pois temos que acreditar na possibilidade de diálogo e na capacidade de mudança das pessoas. A vitória da Dilma é muito importante para contemplar o programa de governo que nós apresentamos.

A relação com o ex-governador de São Paulo

Os ataques são uma técnica do Serra. O partido dele comandou uma sucessão de ataques a Dilma, sem nenhum tipo de prova que envolvesse a candidata. Quando a Dilma passou a responder, ele disse que estava sendo atacado e passou a pautar a sua campanha com base nisso. Mas, na verdade, o clima de antagonismo foi criado por ele. Essa é um técnica característica do Serra. Ele cria uma situação de confronto, depois se esconde e diz que está sendo atacado. Conheço o Serra há muito tempo, o tratei de maneira fidalga como ministro, fui a São Paulo para colocar o governo à disposição no que se refere ao Pronasci. Ele sabe que eu não sou sectário, mas eu acredito que ele fez isso para dar uma satisfação aos grupos da extrema-direita que o apoiam.



Fonte: Correio do Povo

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