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Yeda presta contas e celebra ajuste das finanças públicas

Felipe Prestes

O governo Yeda Crusius fez o maior ajuste de contas já acompanhado pelo Banco Mundial. Foi o que assegurou a governadora, durante prestação de contas realizada na manhã de hoje (17), no Palácio Piratini. Yeda tem realizado balanços temáticos de seu governo, e este teve foco na área da Fazenda. “Secretários de outros estados me diziam que era impossível governar o Rio Grande do Sul. Os gráficos que apresentamos hoje mostram que ele é governável”, disse.

Segundo Yeda, os governos anteriores sofriam para fechar as contas mensalmente. Seu governo trocou este tipo de sofrimento por outro: o de ajustar de uma vez por todas as finanças públicas. Ela usou a reforma do Palácio Piratini, onde fez o balanço, como exemplo: “Quando chegamos, os cupins haviam vencido a luta no Piratini”.

Yeda Crusius afirmou que este ajuste foi realizado de forma rápida, e que foi conquistado bem antes do fim de seu governo. Disse ainda que o ajuste teve um “custo alto” para o governo. “O custo é alto porque o novo assusta as pessoas”. A governadora garantiu que, cortando gastos desnecessários, seu governo “fez mais com menos”.

Painel sobre as finanças

Antes de a governadora falar, quem apresentou um painel detalhado sobre a situação financeira do estado foi o secretário da Fazenda, Ricardo Englert. Ele destacou que o governo entregará para Tarso Genro um saldo de R$ 3,6 bilhões no Caixa Único (Siac). “Hoje, se em um determinado mês tivermos uma catástrofe nas nossas contas, temos de onde tirar para evitar que isto aconteça”.

Bruno Alencastro/Sul21

Englert se emociona e chora ao fazer o balanço das finanças /Foto: Bruno Alencastro/Sul21

Englert destacou que o ajuste permitiu ao estado ter crédito para obtenção de recursos para investimentos. Permitiu também o pagamento de precatórios. “Pagamos R$ 1 bilhão em precatórios. Foram 61 mil pessoas que receberam precatórios”. Garantiu também que o governo do estado não precisa mais se preocupar com repasse a municípios. “Pagar não é mais uma preocupação para o secretário da Fazenda, ou o governador. Isso é executado pelos tesoureiros”.

O secretário da Fazenda afirmou que o estado conseguiu ampliar o número de fornecedores cadastrados no estado em 700% – de 1,2 mil em 2007, para 10 mil em 2010. Assim, o estado conseguiu preços mais baratos. Englert destacou também que o estado aumentou em 39% o valor dos gastos com pessoal nos quatro anos de governo Yeda e aplicou 400% a mais em investimentos. O secretário lembrou que o estado teve dificuldades para pagar o 13º apenas no primeiro ano de governo, quando fazer um empréstimo no Banrisul. Nos anos seguintes conseguiu pagar em dezembro o 13º, e com recursos próprios.

Ricardo Englert chorou mais de uma vez ao agradecer aos funcionários da secretaria da Fazenda, à governadora e aos colegas secretários. “Nem sei como me colocaram na secretaria, porque quem é chorão como eu, geralmente é coração mole demais. E eu sou assim mesmo”. Após apresentar seu painel, foi parabenizado pela governadora Yeda Crusius: “Você se emocionou como faz alguém que conquista o que persegue. Parabéns, eu é que tenho que lhe agradecer”.

“Não conseguimos fazer tudo”

Em entrevista coletiva, Ricardo Englert foi questionado sobre qual a parcela da recuperação das contas do estado vem do crescimento econômico ocorrido em todo o país durante os últimos quatro anos, e qual se deve ao ajuste fiscal. Creditou 30% ao crescimento econômico, e 70% ao trabalho de ajuste feito pelo governo do estado.

Bruno Alencastro/Sul21

Ricardo Englert (E), secretário da Fazenda | Foto: Bruno Alencastro/Sul21

Englert também explicou que o estado não conseguiu cumprir os mínimos constitucionais de 35% para a Educação e 12% para a Saúde, mas conseguiu um crescimento gradual destes percentuais. “Tudo tem que ser feito a seu tempo”, disse.

O secretário também foi questionado sobre instituições que foram muito sacrificadas nos últimos quatro anos, segundo seus próprios funcionários, como Uergs e Emater. “Não conheço com detalhes a situação destas duas instituições, mas sei que a Emater precisou passar por um sério ajustamento de contas. Havia muitos gastos malfeitos. Encontramos a Uergs com muitas dívidas e conseguimos saná-las. Reconheço que não conseguimos fazer tudo o que queríamos”.

“Foi um governo ruim”

Para o deputado estadual Ronaldo Zülke (PT), o atual governo não recuperou as finanças do estado e só evitou o déficit à custa da queda de investimentos e do repasse de recursos para saúde e educação. “Este déficit zero, entre aspas, só foi possível graças à redução dos investimentos e dos recursos a serem aplicados na saúde e na educação. Então na verdade é um arranjo contábil que a governadora e sua equipe construíram. Se ela tivesse aplicado os recursos que precisava aplicar na saúde e na educação, a situação do estado seria de déficit”, afirma.

Divulgação

Deputado Ronaldo Zülke / Foto: Divulgação

Zülke diz que o nível de investimentos do estado está muito aquém do necessário. Ele garante que no governo Olívio, por exemplo, este volume era maior e sem aumentar o endividamento do estado. “O nível de investimento à época era muito superior e, além disso, tivemos superávit primário na gestão de nosso governo”.

A avaliação de Zülke é de que o governo Yeda “foi muito ruim para o Rio Grande”. “Caiu a qualidade da educação, caiu a qualidade do atendimento de saúde. Não tivemos investimentos significativos para o desenvolvimento do Rio Grande. O estado cresceu menos que a economia nacional. Não aproveitou as inúmeras oportunidades de articular-se com o governo federal para ampliar o número de investimentos aqui”, aponta.

Zülke afirma ainda que todos os governos anteriores pagaram precatórios. O deputado destaca apenas ter informação de que o governo atual vem cumprindo com os repasses aos municípios para o transporte escolar. Ele questiona o anúncio de Englert de que o governo deixa R$ 3,6 bilhões no caixa único do estado. “Deixa este dinheiro no caixa único e quanto ela vai deixar de restos a pagar? Está zerado? Todas as contas estão pagas? Certamente tem coisas a pagar”.

“Houve coragem e gestão”

A deputada estadual Zilá Breitenbach (PSDB) afirma que pretende se pronunciar nas próximas sessões legislativas sobre as realizações do governo Yeda. “Temos que marcar o que nós fizemos, porque senão o PT embrulha e diz que a vida toda era dele. O pagamento de precatórios nenhum governo enfrentou com determinação. A governadora pagou R$ 1 bi. Todas as áreas em que tu analisares houve o equilíbrio. Houve coragem e gestão”.

Deputada Zilá Breitenbach / Divulgação Assembleia Legislativa

Zilá destaca que o governo deixa para a próxima administração um poder de endividamento de R$ 1,8 bilhão. “Um governo que entrou sem as mínimas condições financeiras deixa o próximo governo com a capacidade de endividamento de R$ 1,8 bilhão. Isso significa que o governo Tarso terá a capacidade de buscar empréstimos até este valor. O Englert mostrou que se precisasse um cheque de R$ 5 milhões o estado não tinha no início do governo Yeda”.

A parlamentar discorda das críticas feitas por Zülke e garante que o atual governo investiu mais em saúde e educação que os anteriores. “Nós que andamos pelo estado e ouvimos as pessoas, sabemos que os hospitais nunca tiveram tantos investimentos. A gente sabe que saúde e educação são áreas que estavam muito defasadas, há muitos anos não se investia. Investimos muito além do que os governos investiram anteriormente, porém a defasagem ainda é muito grande”.

Zilá lamenta que dois projetos do governo não tenham tido aprovação na Assembleia. Um deles foi a não aprovação de um projeto referente ao Duplica RS, o que fez, segundo a deputada, com que os gaúchos deixassem de economizar R$ 200 milhões em pedágios e que R$ 500 milhões deixassem de ser investidos.

Mas a principal questão que ficará para ser resolvida pelo governo Tarso é a previdenciária. “O governo tem um grande problema para enfrentar que é o da previdência. É isso que tira do RS a possibilidade de investimentos maiores. Nosso governo mandou um projeto para a Assembleia da previdência complementar. Não foi entendido e se o próximo governo não fizer isto estará empurrando o governo para o caos por um período a mais”, afirma. (sul-21)

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