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Greve não rompe o diálogo com o governo, afirma Rejane

O governo gaúcho entende a greve dos professores da rede pública estadual como um “rompimento unilateral” do diálogo por parte do CPERS, segundo as palavras da secretária-adjunta de Educação, Maria Eulalia Nascimento. “Reconhecemos o direito à greve e lamentamos que o sindicato tenha decidido romper o diálogo de forma unilateral”, afirma.  A presidenta do sindicato, Rejane de Oliveira, por outro lado, diz que a entidade está completamente disposta a negociar. “Estamos abertos à negociação. O governo poderia ter evitado a greve hoje mesmo, se nos chamasse pela manhã e apresentasse uma proposta para o pagamento do piso. Pode fazer isto na segunda-feira, vamos ouvir”, avisa.

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Maioria significativa dos milhares de trabalhadores da educação que compareceram ao Gigantinho na tarde desta sexta-feira (18) levantou os braços para apoiar a greve não só pelo descumprimento da lei do piso nacional, mas também por discordar de propostas do governo, como a de inserir o ensino profissionalizante no ensino médio. “O governo quer transformar a escola pública para que ela forme mão-de-obra barata para o empresariado, na medida em que diminui as disciplinas do conhecimento”, critica Rejane.

Segundo a dirigente, a greve começou nesta sexta-feira mesmo. Após a assembleia, os professores marcharam do Gigantinho até o Palácio Piratini onde comunicaram ao governo a decisão. Sindicalistas, como Simone Goldschimdt, que disputou as últimas eleições para o CPERS, defenderam que a greve só começasse no ano que vem, para não obstruir a conclusão do atual ano letivo. A greve imediata, porém, prevaleceu. “Nossa categoria sempre faz uma avaliação com muita responsabilidade, mas com muita atitude”, avalia Rejane.

Segundo Maria Eulalia do Nascimento o governo não tem como prever como se dará o final do ano letivo e quando ele vai acabar de fato, uma vez que não se sabe o tamanho da adesão à greve nem o tempo que durará. A secretária-adjunta conta que a orientação para os diretores de escolas é de dar condições de trabalho a quem optar por trabalhar. “Professores que seguirem trabalhando terão ano letivo normal”, afirma. Para facilitar a vida dos alunos, os diretores também devem tentar juntar todas as aulas dos professores que não aderirem à greve, para evitar horários quebrados.

Governo não pagará dias parados

A secretária-adjunta afirma que outra orientação para os diretores é o registro fiel do ponto, “para fins de efetividade e de vencimentos”. Maria Eulalia diz que os grevistas não receberão pelos dias parados. “A efetividade é que dá o pagamento”, explica.

Ela afirma que o pagamento virá com a recuperação das aulas e que acontecerá quando houver negociação para o fim da greve. Por isto, crê que a situação é diferente de quando a então governadora Yeda Crusius cortou o ponto de professores em duas paralisações – o Governo Tarso depois abonou as faltas, considerando que os trabalhadores tinham recuperado as aulas. “Fizemos isto num processo de acordo e negociação. Agora, foi rompido o diálogo”, diz a secretária-adjunta.

A presidenta do CPERS sugere que este tipo de medida é que pode dificultar o diálogo e que o governo está revelando um lado oculto. “Os governos se demonstram quando estão sob pressão”.