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Morais: ‘somos ou não racistas, Ali Kamel?’

Escritor faz a pergunta ao diretor-geral de jornalismo da TV Globo, autor do livro "Não somos racistas", diante das agressões preconceituosas feitas à jornalista Maria Júlia Coutinho, que trabalha na mesma emissora; ‘Maju’, como é conhecida, foi alvo de xingamentos como "macaca" em um post do Jornal Nacional no Facebook; solidariedade à ‘garota do tempo’ do JN levou a hashtag #SomosTodosMajuCoutinho a liderar os assuntos do Twitter mundial nesta sexta-feira; "Isso é o que despertam os que movem ódios! Basta de racismo!", publicou a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos

 

3 de Julho de 2015 às 18:51

247 – A enxurrada de ofensas racistas feitas entre esta quinta e sexta-feira contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, da TV Globo, contraria a tese do diretor-geral de jornalismo da mesma emissora, Ali Kamel, que escreveu o livro "Não somos racistas".

"Macaca", "preta imunda", "rolo de fumo", "vai fazer essas previsões na senzala" e "o tempo está preto hoje" foram apenas alguns dos comentários absurdos e maldosos que puderam ser registrados no Facebook, muitos já apagados. O alvo de todos eles era a ‘garota do tempo’ do JN.

O escritor e jornalista Fernando Morais questionou Kamel, pela rede social, depois da polêmica. "O autor do livro abaixo é o jornalista ali kamel, diretor-geral de jornalismo da tv globo, onde trabalha a também jornalista maria julia, que vem sendo vítima de agressões racistas… na página do jornal nacional na internet. afinal, somos ou não somos racistas, ali kamel?".

Lançado em 2006, no auge da discussão sobre cotas raciais em universidades públicas brasileiras, o livro defende a tese de que não somos racistas, mas que se colocássemos em prática o sistema de cotas, poderíamos nos tornar. O texto foi bastante criticado principalmente por não usar informações de pesquisas e análises, mas apenas uma visão pessoal.

A relação do episódio com o livro não veio só de Morais. Vários internautas lembraram da publicação ao escrever mensagem em solidariedade à jornalista. "Cadê o chefão global da Maju, Ali Kamel, pra relançar o livro ‘Não Somos Racistas’?", perguntou @dukechargista. "Aliás… o @realwbonner bem que podia entrevistar o Ali Kamel, seu chefe, e perguntar ao vivo: somos ou não um país, racista?!", postou @edugoldenberg.

"Será q o Ali Kamel vai aderir à campanha #SomosTodosMajuCoutinho? Alguém avisa a ele para tirar o livro ‘Não somos racistas’ de circulação", provocou @Esquerdosa. A conta do PT na Câmara no Twitter publicou: "Diretor de jornalismo da Globo, Ali Kamel, escreveu livro ‘Não somos racistas’. Ataque à jornalista do JN o desmente".

O movimento de apoio a ‘Maju’, como é conhecida, foi intenso. Primeiro do próprio Jornal Nacional, que divulgou um vídeo com uma mensagem de William Bonner, Renata Vasconcelos e a equipe do programa, também de outros jornalistas, como da revista Época, e incontáveis internautas que não se cansam de chamá-la de "talentosa" e "linda", em retribuição aos xingamentos.

"Isso é o que despertam os que movem ódios! Basta de racismo! E racismo é crime! ela nos orgulha pq é competente, profissional, mulher e é negra! Basta de racismo!", escreveu a deputada Maria do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos.