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Policiais civis convocam paralisação contra pacote de Sartori

De acordo com o sindicato da categoria, as piores medidas para os policiais são o “confisco do 13º” e a “legalização da pedalada salarial”; com relação ao primeiro, o governo encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição alterando o pagamento do 13º salário até 2020 e que, se aprovada, determinada que 50% do 13º seja paga até o último dia útil de cada ano e o restante possa ser pago até 30 de novembro do ano seguinte

12 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 10:36 /

Luís Eduardo Gomes, Sul 21 – Servidores da Polícia Civil iniciaram a semana em regime de operação padrão em protesto contra o pacote de medidas de ajuste fiscal encaminhado pelo governo de José Ivo Sartori (PMDB) à Assembleia Legislativa no final de novembro e que deve começar a ser votado na próxima semana. Na prática, isso significa que os policiais devem atender nesta segunda-feira (12) e também na terça (13) apenas ocorrências emergenciais, paralisando os trabalhos de investigação, o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão, entre outros serviços. Para esta terça também está prevista uma marcha que partirá do Palácio da Polícia, na Av. Ipiranga, em direção ao Palácio Piratini no início da tarde.

Segundo Fábio Castro, vice-presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Policia Civil do RS (Ugeirm), a orientação é que, durante estes dois dias, a categoria atenda somente casos de emergência e que, em casos de baixo potencial ofensivo – como roubos -, a população registre as ocorrências nos canais disponibilizados pela polícia na internet.

Entre outras medidas, o pacote anunciado por Sartori no dia 21 de novembro prevê a extinção de nove fundações do Estado, a demissão de servidores, a fusão de secretarias, o aumento da alíquota previdenciária e o fim da exigência de plebiscito para privatização de empresas como a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), a Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e a Sulgás.

Para Castro, as piores medidas para os policiais são o “confisco do 13º” e a “legalização da pedalada salarial”. Com relação ao primeiro, o governo encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição alterando o pagamento do 13º salário até 2020 e que, se aprovada, determinada que 50% do 13º seja paga até o último dia útil de cada ano e o restante possa ser pago até 30 de novembro do ano seguinte. “É um escárnio”, avalia o policial.

Além disso, outra medida estabelece um novo calendário para o pagamento dos servidores, com aqueles que recebem os menores salários (até R$ 1,3 mil) tendo seus vencimentos pagos até o quinto dia útil do mês e quem recebe acima de R$ 6 mil sendo pago apenas no dia 20. “É a legalização da pedalada salarial que o governo vem adotando há 10 meses. O governo quer se eximir da responsabilidade de pagar os servidores em dia”, diz Castro.

Por outro lado, ele afirma que a categoria está mobilizada para pressionar os deputados estaduais a derrubar todo o pacote de Sartori. “O pacote como um todo é nocivo. Ele ataca setores do Estado que são muito importantes. Todas as fundações desenvolvem um trabalho muito importante e não vai resolver extingui-las”, avalia o policial. “É uma postura ideológica de um governo que sequer começou e faz esses ataques para beneficiar os setores que o apoiaram nas eleições”, complementa.

A expectativa da Ugeirm é que 100% da categoria adira à operação padrão, que tem se tornado um instrumento frequente de protesto contra medidas do governo Sartori. Também espera que cerca de 3 mil policiais, muitos deles vindos do interior, participem da marcha desta terça.