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PF detalha esquema de grandes frigoríficos suspeitos de vender carne estragada

Por Sergio Spagnuolo*

Curitiba – A JBS e a BRF, duas das maiores companhias globais da indústria de carnes, articulavam fraudes em fiscalizações do Ministério da Agricultura com um esquema de pagamento de propina, de acordo com investigação da operação Carne Fraca, deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal.

Segundo o delegado Mauricio Moscardi Grillo, um dos fatos identificados na operação foi o pagamento de propinas a fiscais para fábricas contaminadas continuarem funcionando, entre diversas outras irregularidades nas fiscalizações.

O delegado afirmou ainda que há indicação de que parte da propina a fiscais seria direcionada a partidos políticos, e que foram identificadas algumas ligações do atual ministro da Justiça, Osmar Serraglio, na operação.

Papelão no frango

A investigação da PF aponta que frigoríficos de grandes empresas comercializam carne estragada, com data de validade adulterada e até com inserção de papelão em lotes de frangos. Gravações divulgadas pela PF revelam detalhes do esquema.

BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, estão entre os alvos da operação. Frigoríficos menores também participavam das fraudes. Diretores das empresas participavam diretamente do esquema. Eles contavam com a ajuda de servidores do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, no Paraná, Goiás e Minas Gerais.

Em um dos áudios, um dos donos do frigorífico Peccin, do Paraná, Idair Antônio Piccin, conversa com a mulher dele, Nair Klein Piccin, sobre o uso de carne proibida em lotes de linguiça. Confira:

Idair – Você ligou?

Nair – Eu, sim eu liguei. Sabe aquele de cima lá, de Xanxerê?

Idair – É.

Nair – Ele quer te mandar 2000 quilos de carne de cabeça. Conhece carne de cabeça?

Idair – É de cabeça de porco, sei o que que é. E daí?

Nair – Ele vendia a 5, mas daí ele deixa a 4,80 para você conhecer, para fechar carga

Idair – Tá bom, mas vamos usar no que?

Nair – Não sei

Idair – Aí que vem a pergunta né? Vamo usar na calabresa , mas aí, é massa fina é? A calabresa já está saturada de massa fina. É pura massa fina

Nair – Tá

Idair – Vamos botar no que?

Nair – Não vamos pegar então?

Idair – Ah, manda vir 2000 quilos e botamos na linguiça ali, frescal, moída fina

Nair – Na linguiça?

Idair – Mas é proibido usar carne de cabeça na linguiça

Nair – Tá, seria só 2000 quilos para fechar a carga. Depois da outra vez dá para pegar um pouco de toucinho, mas por enquanto ainda tem toucinho.

Reuters/Redação*

 

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