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Funaro fecha delação com PGR, que pretende usar acusações em denúncia contra Temer

Ele deverá detalhar, nos próximos dias, os casos em que atuou como operador do chamado grupo do PMDB da Câmara, o qual Temer sempre teve ascendência.

A PGR pretende usar as acusações que serão apresentadas por ele em ao menos uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer. (Valter Campanato/ABr)

Por Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu

Brasília – Após três meses de negociações, o empresário Lúcio Funaro assinou nessa terça-feira o acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, segundo uma fonte com conhecimento da situação contou à Reuters. A PGR pretende usar as acusações que serão apresentadas por ele em ao menos uma nova denúncia contra o presidente Michel Temer.

Funaro esteve na sede da PGR para assinar o acordo e, nos próximos dias, deverá detalhar em depoimentos aos procuradores os casos em que atuou como operador do chamado grupo do PMDB da Câmara, o qual Temer sempre teve ascendência.

Preso desde julho do ano passado na operação Lava Jato, o empresário é apontado como um dos operadores do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), outro expoente do grupo que já foi preso e condenado pela mesma ação policial.

Cunha tentou fechar um acordo de delação com a equipe do atual procurador-geral da República, Rodrigo Janot, mas as negociações não avançaram porque, segundo uma fonte, ele não apresentou provas do que afirmara. Diante disso, a PGR preferiu priorizar as negociações com Funaro e praticamente descartou Cunha como potencial delator.

Segundo uma fonte familiarizada com o assunto, a equipe de Janot vai trabalhar para garantir que os depoimentos de Funaro sejam prestados e, posteriormente, homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a tempo de serem usados em uma nova acusação criminal contra Temer antes de o atual procurador-geral da República deixar o cargo, em 17 de setembro.

Pelo menos desde o ano passado, o empresário deu sinais de que gostaria de fechar um acordo de delação, mas as negociações nunca prosperavam. A equipe de Janot tinha ressalvas quanto à palavra dele – em 2005, no escândalo do mensalão, ele fechou um acordo de colaboração, mas voltou a praticar crimes.

Entretanto, as negociações com Funaro ganharam impulso em abril deste ano, quando ele contratou a equipe do advogado Antonio Figueiredo Basto, especialista em delações premiadas que já firmou importantes acordos na Lava Jato. Com o passar do tempo, Funaro e seu advogado prepararam os chamados anexos da delação – os fatos que, caso a PGR aceitasse, viria a delatar.

Em junho, para mostrar que estava disposto a colaborar, o empresário acusou espontaneamente em depoimento à Polícia Federal Temer e atuais e ex-integrantes do governo em irregularidades com recursos do FGTS. As falas dele embasaram, por exemplo, a decisão de prender provisoriamente o ex-ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Desde o início do mês passado, Funaro vem sendo constantemente transferido da penitenciária da Papuda, em Brasília, para a Superintendência da PF na capital a fim de facilitar as conversas com seus advogados e procuradores para os termos da delação.

Na semana passada, com os chamados anexos da delação praticamente prontos, o impasse do empresário com a equipe de Janot se dava em torno da fixação da pena e da multa a que ele teria de cumprir e pagar pela colaboração. O procurador-geral não queria aliviar as punições a Funaro.

Na segunda-feira, uma fonte disse à Reuters, que interlocutores do procurador-geral deram um ultimato no empresário. Ou ele aceitava as condições propostas pela PGR ou o acordo não seria fechado. No dia seguinte, o acordo foi fechado – a reportagem, contudo, não conseguiu confirmar quem cedeu nas negociações.

Pelo menos até sexta-feira, Funaro está autorizado a permanecer na superintendência da PF em Brasília. Segundo uma fonte, a expectativa é que, de lá, ele siga nos próximos dias para a sede da PGR a fim de prestar os depoimentos da delação.

Com a delação, Funaro espera suspender e até anular o andamento de investigações e ao menos um processo que o envolve e ter condições de retomar suas atividades empresariais.

Reuters///