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Interventor repudia assassinato de Marielle

 

O Gabinete da Intervenção divulgou nota sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSOL, morta a tiros na noite de ontem, no centro do Rio de Janeiro. O Gabinete informou que o general Braga Netto repudia as ações criminosas como a que culminou na morte da vereadora e de Anderson Pedro Gomes, motorista dela. "Ele se solidariza com as famílias e amigos. O interventor federal acompanha o caso em contato permanente com o Secretário de Estado de Segurança", diz a nota.

Mais cedo, o secretário de estado de Segurança, general Richard Nunes, determinou à Divisão de Homicídios uma ampla investigação sobre os assassinatos e a tentativa de homicídio da assessora de Marielle, que sobreviveu ao ataque.

Os corpos da vereadora e do motorista aguardam liberação no Instituto Médico Legal. Marielle deve ser velada na Câmara de Vereadores, na Cinelândia.

Também o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Rivaldo Barbosa, afirmou que a polícia vai adotar todas as medidas "possíveis e impossíveis" para dar uma resposta. Segundo o ele, o crime é gravíssimo e atenta contra a democracia.

– Estamos diante de um caso extremamente grave e que atenta contra a dignidade da pessoa humana e contra a democracia – afirmou Barbosa.

Ele disse que aceitará ajuda das instituições que estiverem dispostas a colaborar, mas destacou que a Polícia Civil tem condições de solucionar o caso.

De acordo com Barbosa, as informações já levantadas na investigação estão sob sigilo, e nenhuma hipótese de investigação está descartada, inclusive a de se tratar de um caso de execução.

O delegado responsável pelo caso será o novo titular da Delegacia de Homicídios da Capital, Giniton Lages. O antigo titular, Fábio Cardoso, foi promovido a diretor da Divisão de Homicídios, cargo que Rivaldo Barbosa ocupava antes de ser alçado a chefe da corporação.

Uma assessora da vereadora Marielle Franco também estava no carro no momento do crime e sobreviveu aos disparos. Ela foi ouvida como testemunha e receberá proteção do estado.

O chefe de Polícia Civil encontrou-se na manhã de hoje com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que é presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Marielle foi assessora parlamentar de Freixo antes de ser eleita vereadora em 2016, com 46,5 mil votos.

Freixo destacou a atuação da vereadora, que denunciava crimes cometidos por policiais, o que não impedia que ela tivesse bom diálogo com a polícia e inclusive fosse amiga pessoal do atual chefe da Polícia Civil, Rivaldo Barbosa.

– O trabalho da Marielle, como o meu, nunca foi um trabalho contra a polícia. Denunciar policiais que cometem crimes não é ser contra a polícia. Temos que acabar com a ideia que existe no Rio de Janeiro de que quem defende direitos humanos é contra a polícia ou que a polícia é ameaçada pelos direitos humanos. Quem pensa assim é uma sociedade doente.

Para o deputado, a morte de Marielle não provocará silenciamento, mas uma resposta de mais mobilização e luta pelas bandeiras que ela defendia.

– A resposta virá. Quem matou achando que ia calar a Marielle, transformou a Marielle em um símbolo que vai fazer com que muitas Marielles brotem nas praças públicas a partir de hoje. Isso não vai ficar impune e não vai ficar em silêncio.

 

Imprensa europeia repercute morte de vereadora

A imprensa europeia voltou hoje os olhos para o Brasil. O país está nas páginas dos principais jornais. No entanto, o olhar é de perplexidade.

"A onda de violência que sacode o Rio de Janeiro subiu mais um degrau". É assim que começa a matéria do periódico espanhol "El País", que noticia a comoção no Brasil pela morte. O jornal afirmou ainda que tanto os companheiros de Marielle quanto a polícia não duvidam de que o crime se trata de uma execução. "Inclusive em uma cidade tão acostumada com a violência, como o Rio, o crime provocou uma forte comoção, já que apresentou características inéditas até agora. Apesar de os mortos serem contados diariamente, são na maioria das vezes produto de enfrentamentos entre a polícia ou entre grupos de traficantes que disputam territórios, e que muitas vezes acabam com a vida de vizinhos como vítimas colaterais". O caso de Marielle foi diferente.

O "El País" citou ainda declarações como a da ex-presidente Dilma Roussef, que se disse impressionada, estremecida e indignada com a morte prematura de Marielle. Citou ainda a Anistia Internacional, que exigiu do governo investigação rigorosa.

Outro jornal espanhol, o "El Mundo", também deu destaque ao crime. Marielle é citada como uma das vozes mais críticas contra a intervenção militar no Rio de Janeiro, que acontece desde meados de fevereiro. O "El Mundo" também fez referência ao twitter que Marielle publicou um dia antes de ser assassinada, e que soou como uma premonição. Na mensagem, ela pergunta "Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?"

O inglês "The Guardian" deu destaque aos protestos que estão sendo organizados em todo o Brasil. "Marielle Franco foi uma política inovadora, que se tornou uma voz para as pessoas desfavorecidas nas pequenas favelas, que são o lar de quase um quarto da população do Rio de Janeiro, onde a pobreza, a brutalidade policial e os tiroteios com traficantes de drogas são rotineiros", afirmou o periódico. O "The Guardian" lembrou ainda que Marielle foi a quinta vereadora mais votada nas últimas eleições e afirmou que ela era uma especialista em violência policial. "Recentemente acusou oficiais de serem excessivamente agressivos na busca de moradores de favelas controladas pelo tráfico. Membro de um partido esquerdista, Franco também era conhecida por seu trabalho social em favelas. Ela estava em seu primeiro mandato no cargo".

O francês "Le Figaro" afirmou que "o assassinato de uma vereadora de esquerda suscitou grande comoção no Brasil", onde estão sendo organizados protestos em várias cidades. O jornal ressaltou que Marielle "se opôs à decisão do presidente brasileiro Michel Temer de confiar a segurança do Rio ao Exército para tentar conter a escalada de violência que vem aumentando desde o final das Olimpíadas de 2016".

O jornal português "Público" informou como o caso do assassinato de Marielle Franco chegou ao Parlamento Europeu, pela voz do eurodeputado português Francisco Assis, do Partido Socialista. Em nota enviada ao "Público", Assis disse que questionou a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Federica Mogherini, sobre "como pretende a União Europeia influenciar as autoridades brasileiras para que este chocante assassínio seja investigado até às últimas consequências", e "para que seja garantida a segurança das populações e dos ativistas que pugnam pelos direitos humanos das mesmas".

Em Portugal estão sendo organizados, pelo Facebook, ao menos três eventos em homenagem à Marielle Franco, dois em Lisboa e um no Porto.

 

Homenagem na Câmara do Rio – Amigos, ativistas e companheiros de política participaram hoje, à frente da Câmara Municipal, de um ato em homenagem à vereadora carioca. Durante o ato, os manifestantes pediram punição aos responsáveis pela morte.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que a morte de Marielle fere a democracia, os direitos humanos, a juventude e as mulheres. Ele disse esperar que a polícia apure o crime e descubra os responsáveis.

"Temos um mês de intervenção e um crime bárbaro desses, num local visível, cheio de unidades do poder público por ali, numa rua larga, iluminada. É insegurança total. Esses grupos mafiosos, grupos de extermínio, parece que quiseram dar uma demonstração de força", disse o deputado, que é integrante da Comissão Externa da Intervenção Federal no Rio da Câmara dos Deputados.

Também deputado federal do mesmo partido, Glauber Braga (RJ) disse que já foi solicitada uma reunião com o interventor federal na segurança do Rio, general Braga Netto, para tratar do assunto. A comissão já tinha uma reunião agendada com Braga Netto para a próxima segunda, mas há a possibilidade de o encontro ser antecipado para amanhã.

 

Com informações da Agência Brasil