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Juízes: Moro meteu os pés pelas mãos e permanece sob suspeição

O cerco crítico e técnico de pares ao juiz Sérgio Moro atingiu seu ápice; juízes federais, dirigentes de associações de magistrados e ministros do Supremo avaliam que, ainda que Moro rejeite o convite para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL), ele já meteu os pés pelas mãos; na visão dos magistrados, Moro se afundou ao sinalizar que considera a proposta e ao se dispor a viajar para falar com o presidente eleito; o aceno de Moro surpreendeu colegas do juízo de primeiro grau e indignou membros de cortes superiores

1 DE NOVEMBRO DE 2018 ÀS 08:41 //

 

247 – O cerco crítico e técnico de pares ao juiz Sérgio Moro atingiu seu ápice. Juízes federais, dirigentes de associações de magistrados e ministros do Supremo avaliam que, ainda que Moro rejeite o convite para ser ministro da Justiça de Jair Bolsonaro (PSL), ele já meteu os pés pelas mãos. Na visão dos magistrados, Moro se afundou ao sinalizar que considera a proposta e ao se dispor a viajar para falar com o presidente eleito. O aceno de Moro surpreendeu colegas do juízo de primeiro grau e indignou membros de cortes superiores.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que "o simples aceno ao cargo, dizem, deveria forçá-lo a abrir mão de diversos casos".

O prejuízo é de grandes dimensões, dizem os magistrados: "colegas do juiz símbolo da Lava Jato temem prejuízos não só a ele, mas a toda a categoria. Eles acreditam que uma eventual composição entre Moro e Bolsonaro vai desencadear questionamentos às decisões do juiz de Curitiba e também de todos os colegas que se projetaram com o combate à corrupção".

No STF, o comentário também é negativo: "um ministro do Supremo diz que, só de se aproximar de Bolsonaro, Moro vai reforçar a ideia de que Lula é um preso político e alimentar as acusações de que atuou por motivações pessoais e de que deveria ter se declarado suspeito de julgar o ex-presidente".

 

Folha: Moro causa dano irreversível à Lava Jato

 

247 – A Folha de S.Paulo escreveu um duro editorial sobre o convite de Jair Bolsonaro a Sergio Moro para o Ministério da Justiça e o comportamento do juiz nos últimos dias. Para o jornal, Moro "comprometeu sua independência como magistrado de maneira irremediável ao dar passos tão resolutos na direção do novo governo" e não tem como seguir à frente da Lava Jato; mais ainda, o texto afirma que o "dano para a credibilidade da Lava Jato (…) pode ser irreversível"

A opinião da família Frias, que sempre apoiou Moro, deu um giro de 180º: "Sobe ao palco o juiz inebriado pela adoração popular e pela chance de entrar na política".

O início do texto é contundente: "A sofreguidão com que o juiz federal Sergio Moro atendeu ao chamado do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), poucas horas após o fechamento das urnas, espantou até mesmo os observadores mais atentos da trajetória do magistrado".

Para o jornal, o simples fato de ter sido convidado e a reação de Moro já são suficientes para por "em dúvida sua isenção" e ensejará "pedidos para que tribunais superiores revisem suas sentenças com olhar crítico". O editorial afirma aina ser "previsível o questionamento a decisões que podem ter contribuído para o triunfo bolsonarista ao reforçar sentimentos antipetistas —da prisão de Lula à divulgação da delação do ex-ministro Antonio Palocci às vésperas do primeiro turno".