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A cultura da exploração do prestígio, contudo, seletiva

Ministro Milton confessou não ser segredo que estava ali, sob ordens do presidente da república.

Ministro da Educação (ABr)

 

Marcel Farah*

 

 

Às voltas com o declarado tráfico de influência de pastores junto ao MEC, revelado pela publicação de gravações de conversa do ministro da educação com prefeitos, é de se pensar o quanto a exploração do prestígio é arraigada em nossa sociedade, a brasileira. O ministro Milton confessou não ser segredo que estava ali, sob ordens do presidente da república, a beneficiar os pastores amigos de Bolsonaro. Depois de revelado o “não-segredo”, o ministro percebeu que deveria re-classifica-lo como secreto. Essa cultura vem desde o “favor do político” que “consegue” uma vaga na Unidade de Saúde, até o pagamento dos lucros dos acionistas da Petrobrás. Em alguns casos é denunciado, em outros, justificado como atitude legítima, ou mesmo como opção mais coerente com uma política liberal. Em uma pequena capital do Brasil, o principal meio de comunicação estadual, vinculado à principal corporação de comunicação do país, a Globo, noticiou que filho de deputado, recém aprovado em curso universitário de direito, seria nomeado assessor da presidência do Tribunal de Contas. Quando o tribunal recuou, este mesmo "mídia" gabou-se, “Como impedimos que você pagasse quase R$ 100 mil por ano a um calouro de Direito”.

Doutro lado, a Petrobras foi criada em 1953 como estatal cujo papel, fundamentalmente, é o de gerir um recurso estratégico para o Estado e para o povo brasileiro, o Petróleo. Produto estratégico quer dizer que é algo que pode prejudicar a vida das pessoas caso seja deixado sob controle do mercado internacional. Afinal, a economia, a energia elétrica, os transportes, os preços de insumos, os fretes, dependem do preço do petróleo. Portanto, “o petróleo é nosso” significa dizer que a Petrobrás é do povo, por isso publica. Como empresa pública os lucros devem ser divididos com o povo, e não falo de quem tem carro e abastece com gasolina ou diesel, estou falando da influência do petróleo na inflação, no preço da comida, e de vários outros produtos essenciais. Quando uma presidência da república mantém a paridade do preço dos combustíveis com os preços internacionais, em proveito de supostos acionistas da empresa, o que está acontecendo é a mesma cultura da exploração do prestígio.

Vejamos, ao manter os preços internacionais como tabela da Petrobrás, são favorecidas as grandes produtoras de combustíveis, pois o preço da Petrobrás é próximo do delas. Se a Petrobras voltasse à política anterior de preço baseado no custo de produção aqui no Brasil, não há como empresas internacionais competirem, pois elas não conseguiriam baixar os preços. Quando a Petrobras baixa os preços ela não distribui lucros para os supostos acionistas, ela distribui lucro para o povo, seus verdadeiros acionistas, controlando preços, controlando a inflação. Logo, a exploração do prestígio de quem tem poder de se dizer acionista em detrimento do interesse público é algo escandaloso também. E detalhe, custa muito mais do que R$100 mil por ano. Contudo, neste caso, aquela mídia ligada às grandes empresas de mídia não falam nada, pelo contrário, os comentaristas econômicos destas empresas chegam ao absurdo de defender esta política. Neste caso, portanto, defendem algo que poderia ser chamado de tráfico de influência, e no outro caso, denunciam? Uma seletividade hipócrita, típica de nosso atrasado capitalismo colonial.

 

Dom Total

 

*Advogado e educador Popular

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