Cotação do dia

USD/BRL
EUR/USD
USD/JPY
GBP/USD
GBP/BRL
Trigo
R$ 115,00
Soja
R$ 180,00
Milho
R$ 82,00

Tempo

Vinícius Brum lança novo disco e preserva o espírito de cantautor

Com ampla trajetória nos festivais nativistas, compositor reflete sobre os caminhos da vida enquanto divulga novo álbum de inéditas

Vinícius Brum escreveu músicas de parceria com Roberto Ferreira via internet, durante os meses mais duros da pandemia (Foto: Tânia Meinerz / Jornal do Comércio)

*Geraldo Hasse / Especial / Jornal do Comércio

Músico que não se pilcha como gaúcho e mais parece um compenetrado professor de Literatura (assunto no qual é mestre pela Ufrgs), Vinícius Brum gosta de se definir como cantautor, aquele tipo diferenciado de artista que, tocando bem pelo menos um instrumento musical, escreve as próprias letras, compõe as melodias, negocia os arranjos e, na hora H, encara microfone e palco, por gosto e necessidade. Ainda que, nos primeiros momentos de cada espetáculo, sinta o coração disparar (dizem que acontece com todos, de Caetano a Chico), bastam um, dois ou três minutos para que o intérprete pegue a marcha e se vá pela estrada que conhece tão bem. Melhor ainda se chovem alguns aplausos para completar a magia do espetáculo.

Foi o que se viu no início da noite de 28 de setembro, uma quarta-feira, véspera de eleição, no Theatro São Pedro em Porto Alegre. O público foi insuficiente para lotar o auditório contratado pela Assembleia Legislativa, mas o disciplinado Brum mostrou seu último trabalho, uma mescla de pop e cult. “Vinicius Brum faz uma costura da literatura com a música”, definiu Mariana Abascal, diretora de comunicação da Alergs, na saudação inicial à plateia que, por dois quilos de alimentos, teve o privilégio de assistir à estreia em palco do conteúdo completo do CD Por Que os Ponchos São Negros, baseado no romance homônimo do escritor Roberto Ferreira, ganhador do Prêmio Açorianos de 2011.

Gravado há um ano, o disco e o espetáculo contêm uma dezena de canções elaboradas via internet ao longo da pandemia do coronavirus, entre 2019 e 2021. É um trabalho primoroso que o jornalista cultural Juarez Fonseca definiu como “uma pequena obra-prima” – ele escutou o CD em casa em novembro do ano passado. A quem quiser conferir a validade do elogio do principal crítico musical rio-grandense, o show pode ser assistido na íntegra no site da Alergs ou na página de Vinicius Brum no Facebook. O CD está nas lojas especializadas.

É com esse espetáculo que Vinicius premedita percorrer o interior do Rio Grande nas próximas semanas. Em algumas canções, ele toca violão. Em todas, é acompanhado pelo violão de Guilherme Castilhos, o acordeão de Guilherme Goulart e o contrabaixo de Miguel Tejera. O show do São Pedro foi enriquecido por um quarteto de cordas que ofereceu um fundo musical atípico em audições da música popular rio-grandense.

A partir da definição de Vinicius Brum como cantautor, formou-se espontaneamente uma lista de individualidades artísticas autossuficientes atuantes no cenário musical sulino. Nessa classificação, feita de ouvido, cabem os nomes de Bebeto Alves, Elton Saldanha, Erlon Péricles, Jeronimo Jardim, Luiz Carlos Borges, Marco Aurélio Vasconcelos, Mauro Moraes, Pirisca Grecco, Raul Ellwanger e Vitor Ramil. Com poucas exceções – Humberto Gessinger, Nei Lisboa, Marcelo Delacroix -, a maioria esteve em alguns dos festivais que, nos últimos 50 anos, deram uma nova dimensão à música regional gaúcha, até 1970 restrita a poucos nomes.

Preliminar e provavelmente incompleta, a lista dos cantautores vivos foi “aprovada” por Vinicius Brum, que entrou na dança em 1980, quando acompanhou ao violão a cantora Oristela Alves, presente na Califórnia da Canção Nativa para defender a canção Ronda, de Luiz Carlos Borges (não classificada). Desde então, Brum nunca mais parou. Por vários anos fez parte das comitivas que sustentavam e se nutriam dos festivais. Com uma competição por semana, abriu-se no interior um mercado permanente para amadores e profissionais da música. O som dos festivais, gravado em discos, percorreu outros estados onde havia rio-grandenses ou admiradores da música gaúcha. Não só a tradicional rancheira, mas a milonga, o chamamé, o vanerão, o xote e a chacarera, ritmos que ressuscitaram instrumentos como o bombo leguero. “Com um festival por semana, a gente vivia em Porto Alegre da ajuda de custo dada por eles”, lembra Brum. Sem falar que os prêmios eram bons.

O parceiro morocho

Foto: Tânia Meinerz / Jornal do Comércio

O último trabalho de Vinicius Brum não resultou de um estalo repentino, mas da retomada de uma parceria bem antiga com o passofundense Roberto Ferreira, seu conhecido de festivais nos anos 1980. Quando estudava Direito em Porto Alegre, Roberto figurou no centro de uma polêmica por ter escrito a letra de Morocha, canção musicada por seu primo Mauro Ferreira e apresentada na Coxilha Nativista de 1984 em Cruz Alta pelo cantor David Menezes Jr., também estudante de Direito. No palco, com um rebenque na mão direita, o intérprete exagerou nos gestos debochados ao afirmar que a mulher devia ser tratada como as éguas – “maneador nas patas, pelego na cara”. Foi um escândalo de repercussão nacional: enquanto uma parte da plateia entendeu que se tratava de uma paródia sobre a grossura do gaúcho campeiro, muitas mulheres se revoltaram com a comparação ofensiva. Uma das 12 finalistas, Morocha ficou com o troféu de música mais popular, perdendo para Polca de Relação (Elton Saldanha), Palavra Bem Dita (Mario Barbará) e De Já Hoje (Adair de Freitas).

Formado em 1986 e desde 1996 juiz federal, Roberto Ferreira serve hoje em Porto Alegre, depois de ter cumprido o circuito interiorano da carreira de magistrado. Sua veia poética vem dos Ferreira, sobrenome de sucesso em festivais. O mais famoso foi seu primo Antonio Augusto Brum Ferreira (1935-2008) autor de Veterano (“Sou bagual que não se entrega/assim no mais”), um dos maiores clássicos do nativismo. Como poeta, ele se apresentava como Tocaio Ferreira. Seu maior parceiro foi Ewerton Ferreira.

Capa do CD Por que os ponchos são negros, de Vinícius Brum e Roberto Ferreira (Reprodução: Tânia Meinerz / Jornal do Comércio)

A parceria com Vinicius Brum começou com a valsa Lusitana, vencedora da 5ª Moenda da Canção, no litoral norte do RS, em 1993. Após vários anos dispersos, os dois se reencontraram pela via literária. Em 2019, ao terminar a leitura de Por Que os Ponchos são Negros, Brum se animou a musicar trechos da história. A primeira composição foi justamente sobre os ponchos negros, que dão clima sombrio à história de um homem obrigado a se esconder. É a canção que encerra o show. Outras dez canções foram feitas via internet, durante a pandemia. “Foi uma troca intensa, um vaivém eletrônico constante”, explica Brum. Apenas uma música antiga faz parte do CD e do show: a pioneira Lusitana.

Ao musicar os Ponchos Negros, Vinicius Brum repete o que fizera em 2015 com o livro Assim na Terra, de seu amigo e parceiro Luiz Sergio Metz, o genial Jacaré, falecido em 1996. Mas as confecções foram diferentes. Com os Ponchos Negros, foi uma ação em conjunto com o escritor. Com Assim na Terra, Vinicius musicou trechos do livro, que possui uma extraordinária riqueza lírica. Na maior parte de suas composições recentes, Vinicius trabalha a milonga, sua especialidade.

Milongueando o poeta de Quaraí

Vinícius Brum, Yamandu Costa e Luiz Carlos Borges no Festival da Barranca em São Borja/RS, 1997 (Foto: Acervo pessoal Emílio Pedroso / Reprodução / Jornal do Comércio)

Ao longo do seu show no Theatro São Pedro, Brum falou pouco, mas confessou ter sofrido a influência benfazeja de Luiz Menezes (1922-2005), o poeta e compositor de Quaraí que se destacou como radialista em Porto Alegre, onde fez dupla com o animador de auditório Darcy Fagundes na condução do dominical Grande Rodeio Coringa, o fantástico show da música gauchesca nos anos 1950, apresentado na Rádio Farroupilha.

Embora tenha feito canções como a valsa Última Lembrança (“Eu hei de amar-te sempre sempre, sempre, além da vida / Eu hei de amar-te muito além do nosso adeus”), Menezes tinha um gosto alinhado com a seresta brasileira, cultivada por grandes músicos do Rio de Janeiro como Pixinguinha, autor de Carinhoso.
Também no Rio Grande do Sul havia muitos adeptos dessa linha musical romântica – um deles, Luiz Carlos Borges, que compôs a melodia de Tropa de Osso, um dos clássicos dos festivais gaúchos (prova de que os músicos gaúchos são ecléticos e versáteis, Borges se alinhou ao chamamé argentino, que entrou no Rio Grande do Sul pelos festivais de cidades da fronteira oeste).

Hoje a música regional gaúcha vive sob a hegemonia da milonga. É por aí que vai Brum: ele planeja gravar no segundo semestre de 2023 o CD Milongrafia, com letras e melodias de sua própria autoria. “Meu amigo e compadre Vinicius se tornou o maior especialista em milonga do Rio Grande”, disse ao JC o cantautor Luiz Carlos Borges, lembrando que eles se conheceram em 1980, em Santa Maria.
Para explicar sua admiração pelo músico quaraiense, Brum conta que o pessoal do rádio e da música regional gaúcha cobrava que Menezes fizesse músicas identificadas com o Rio Grande. Não lhes bastava Piazito Carreteiro (“Piazito carreteiro / De bombacha remendada / Vai cantando pela estrada /A canção do boi barroso / Que a tradição lhe ensinou”).

A resposta à cobrança veio com a Milonga do Contrabando (“Velha milonga argentina, uruguaia e brasileira /contrabandeaste a fronteira /na alma do pagadores”, diz a primeira estrofe); foi a primeira gravada em língua portuguesa. Saiu inicialmente em 1968 no LP autoral Tropa Amarga (Copacabana Discos), em que Luiz Menezes dá uma beira para Darcy Fagundes. Já no século XXI, essa canção foi gravada por cantores como Dante Ledesma e Neto Fagundes.

“A milonga é música brasileira”, diz Brum, citando uma frase do uruguaianense Bebeto Alves, que começou no rock e acabou se tornando milongueiro ferrenho. O maior sucesso (internacional, hoje) do gênero é a Milonga para as Missões, composta pelo gaiteiro Gilberto Monteiro e gravada inicialmente por Renato Borghetti há quase 40 anos.

Serrano de alma pampeana

Vinícius Brum em março de 1996, durante o 4º Canto da Lagoa, em Encantado (Foto: Acervo pessoal Vinícius Brum / Reprodução / Jornal do Comércio)

Nascido em janeiro de 1959, Vinicius Brum é o mais velho dos quatro filhos do representante comercial Luiz Felix da Silva (1932-2021) e da professora Jalva Costa Brum (da Silva, ao casar), que vive aposentada em Formigueiro, no centro do Estado. De origem açoriana, a família viveu inicialmente em Bento Gonçalves, depois em Caxias, São Leopoldo e Santa Maria, onde Vinicius, matriculado no curso de Filosofia da UFSM, enturmou com gente da música, do rádio e da boemia. Ali mesmo foi colhido em cheio pela onda dos festivais que tomaram força no final dos anos 1970. Desde então nunca mais se afastou do movimento nativista, no qual pode aprofundar seu mergulho na música.

Tinha seis anos quando entrou para o coral do colégio marista de Bento. Era piá quando começou a aprender violão com o violinista do coral, que se apresentou na festa inaugural da 1ª Fenavinho em fevereiro de 1967. Familiarizado desde criança com aplausos e plateias, fez do violão o abre-alas de sua socialização. Na convivência com os primos aprendeu a gostar do cantor Nelson Gonçalves, que marcou época como intérprete de sambas-canções. Maior de idade, começou como instrumentista e, arriscando letras e tons, aprendeu os macetes do ofício nos bastidores dos festivais e nas tertúlias com os colegas de música e faculdade, primeiro em Santa Maria (1979-82) e depois em Porto Alegre, onde se instalou na virada de 1982/83. A música lhe deu sustento e prestígio.

Sóbrio, situado no meio do caminho que vai dos estúdios aos palcos dos festivais, transita por um caminho limpo, sem gritaria nem gestos largos. “Nunca fui de frequentar CTG, nem mesmo quando meu pai foi patrão do CTG de Formigueiro, quando lá vivia como aposentado”, afirma. Com registro de barítono, possui um timbre baixo e diferenciado que o coloca ao lado de alguns intérpretes ligados ao nativismo, outros recolhidos a nichos especializados da música regional rio-grandense – os cantautores. “Vinicius tem uma voz interessante”, reconhece o cantor-violonista Demétrio Xavier, que desde adolescente se aprimora como estudioso e intérprete da obra do argentino Atahualpa Yupanqui. “Ele fez algumas canções admiráveis, como Um Mate por Ti”, lembra Xavier, que apresenta na Rádio Cultura FM de Porto Alegre o programa Cantos do Sul da Terra.

Hoje, aos 63 anos, casado, sem filhos, Vinicius estima ter composto cerca de 300 canções, a maior parte para festivais. Ganhou uns 30 prêmios – o primeiro, em Santiago. Uma de suas mais ricas parcerias foi desenvolvida com o poeta sanborjense Apparicio Silva Rillo e o músico Beto Bollo; esse trio fez Um Mate Por Ti, que ganhou um belo arranjo de Geraldo Flach e foi gravada há mais de 30 anos pela cantora Loma, uma das divas do nativismo. Seu maior sucesso, Alma de Poço, em parceria com Tocaio Ferreira, ganhou dois festivais em 1990 e possui versos extremamente sofridos “por amores demais”. Diz o refrão: “Ai, ai, ai de mim, corpo de moço, jeito de rio / Ai, ai, ai de mim, alma de poço, peito vazio”. Foi gravada em 1991 por João de Almeida Neto, a voz mais nelsongonçalvesca do cancioneiro sulino, apoiado pelo Tambo do Bando, que estava no auge.

Tambeiros de fé / O bando do Jacaré

Vinicius Brum e Sergio Metz, o Jacaré, parceiro de Tambo do Bando (Foto: Acervo pessoal Emílio Pedroso / Reprodução / Jornal do Comércio)

Ninguém sabe dizer o que significa Tambo do Bando, mas o nome foi inventado por Luiz Sergio Metz, o Jacaré, e ficou para sempre, como um tributo à liderança do poeta e jornalista nascido em Santo Angelo em 1952. Além do nome, ele deu o foco criativo do grupo. Ele e Vinicius já se conheciam dos bares lotados pela juventude universitária do centro do Estado. Poderiam ter formado uma dupla (letra e música), mas prevaleceu a ideia de um grupo instrumental e vocal disposto a ir à luta nos festivais do interior. Logo o Tambo incorporou Beto Bollo, Leandro Cachoeira, Texo Cabral, Kiko Freitas e Marcelo Lehmann – a maioria, de Cachoeira do Sul.

Considerado esquerdista, o grupo explorava temas brasileiros e universais com criatividade e emoção, colhendo vaias ou prêmios, conforme a leitura bagual ou culta dos jurados e dos espectadores. Segundo o músico Paulo de Campos, ex-Almôndegas e diretor da Academia Rima, “o grupo Tambo do Bando revolucionou o jeito de compor, cantar e arranjar (…) por meio do diálogo entre o nativismo, o rock e a MPB, apresentando arranjos e melodias que chocavam os conceitos tradicionais da época nos festivais regionalistas do Rio Grande do Sul.”

Embora tenha feito muito barulho, o Tambo do Bando deixou apenas dois discos gravados: Ingênuos Malditos (1990) e Tambo do Bando (1992) – ambos relançados em 2016 no álbum duplo Tambo do Bando: Com o Pé no Galpão e a Cabeça na Galáxia, em comemoração aos 30 anos do grupo, que parou antes mesmo da morte precoce de Metz em 1996. O crítico Juarez Fonseca coloca o breve Tambo do Bando no mesmo patamar do duradouro Conjunto Farroupilha, primeiro a explorar criativamente o folclore rio-grandense, nos anos 1950.

Calejado, mas nem tanto, Vinícius Brum se aprimora como intérprete solo, mas não perde o costume de compor em parceria. Em alguns casos, triplas. No Festival da Barranca de 1996 em São Borja, ele e Santiago Neto musicaram um poema de Luiz Sergio Metz, que já pressentia o fim. Era Páscoa, e foi a última vez que eles trabalharam juntos. A última canção de Jacaré, O que tenho a me dizer, foi gravada em 1997 por Santiago Neto, que fez várias músicas com ex-integrantes do Tambo antes de se mudar com a companheira Arlene Lopes para Itacaré, na Bahia. Balada que lembra Belchior, a saideira de Jacaré pode ser lida e ouvida como coisa do Tambo. Eis a letra:

O QUE TENHO A ME DIZER
(Santiago Neto/ Vinícius Brum/ Sérgio Jacaré)
Alguns poucos elementos/ Eu quero na solidão/ Sombra, fumaça, goteira/ Uns rebrilhos de boieira/ Costurando umas clareiras/ Nas trilhas do coração Olhar descendo as soleiras/ Vai se enredar nas tranqueiras/Das lembranças remanseiras/ Das horas de chimarrão Dorme a ave de Minerva/ Vou sorvido pela erva/Repassando meus vazios/ Sem completar minha meta/ Rio pequeno que ressurge/ Chimarrão que nunca seca/ Sabendo da minha sede/ Arma ao olhar sua rede/ Reinventa uma parede/ Por onde eu possa esconder/ Aquele que julguei ser/ E joguei fora por lavado/ Chimarrão desesperado/ Que sem domar encilhei/ Na manhã de ventania/ Minh’alma recém nascia/ Pra nunca mais me rever/ No mate eu tento ler/ O que tenho a me dizer/ Do pouco que tenho escrito/ Sabendo que estou proscrito/ Do meu próprio conhecer/ Nenhuma palavra/ E assim mesmo calada/ Vai quase apagada/ Na madrugada/ O que diz, o que diz… O que ela diz?….

Além das letras do Tambo, Jacaré deixou os contos de O primeiro e o segundo homem (1981), uma biografia do poeta Aureliano de Figueiredo Pinto (1986), o diário Terra Adentro (2006), que narra sua cavalgada junto com Pedro Osório da Silveira e Tau Golin; e o romance Assim na Terra (1995), o mais elogiado dos seus livros e que em 2012 inspirou as 18 canções do CD homônimo de Vinicius Brum.

Atualmente, Brum desenvolve um ensaio sobre as canções vencedoras das Califórnias da Canção Nativa, o festival pioneiro (1971), como tese de doutorado em literatura na Ufrgs. Não há prazo de entrega. Avaliar 43 calhandas é faina mais dura do que foi editar o livro A Alma Atada na Gaita (Búfalo Produções, 2016), biografia e songbook dos 50 anos de carreira de Luiz Carlos Borges. Na época, Brum trabalhava nos bastidores do tradicionalismo oficial, no qual militou por mais de dez anos.

Começou no governo de Germano Rigotto (2003-2006), quando assumiu a direção técnica do Instituto Gaucho de Tradição e Folclore. A partir de outubro de 2006 assumiu a coordenação de tradição e folclore da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre; no biênio 2011/2012 foi o Secretário Adjunto da Cultura da capital. No governo Sartori, quando presidia a Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, viu o IGTF ser extinto junto com outros organismos do Estado. Desde então, voltou-se totalmente para a música, seu ganha-pão original.

*Geraldo Hasse é jornalista. Nascido em Cachoeira do Sul, formou-se em Pelotas. Escreveu uma dezena de livros sobre agricultura, economia, história e meio ambiente.

*Fonte: Jornal do Comércio