Iniciativa do FNDC percorre 10 cidades em 2026 e tem primeira parada neste sábado (28), durante conferência antifascista

Porto Alegre recebe, neste sábado (28), a primeira atividade da Caravana do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) pelo Direito à Comunicação. A iniciativa integra a programação da I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos e marca o início de uma mobilização nacional que percorrerá dez cidades ao longo de 2026.
Realizado na Associação Riograndense de Imprensa (ARI), o encontro começa às 10h, com reunião do Comitê FNDC RS, e segue ao longo do dia com abertura oficial às 13h, atividade cultural e mesas de debate a partir das 14h. A programação reunirá pesquisadores, militantes, movimentos sociais e coletivos de comunicação contra-hegemônica para discutir o papel dos meios de comunicação no avanço do fascismo e os caminhos para a soberania das comunicações.
A Caravana do FNDC integra uma estratégia de fortalecimento da mobilização social em torno da democratização da comunicação. Para a secretária-geral do FNDC, Helena Martins, a iniciativa se configura como um espaço de denúncia, organização e luta política diante do avanço do fascismo no Brasil e no mundo.
De acordo com Martins, a proposta parte de uma compreensão central: não há enfrentamento efetivo ao fascismo sem enfrentar, de forma radical, o papel da comunicação hegemônica na sustentação das estruturas de dominação. “A crítica ou a ponderação que aparece, muitas vezes, é uma encenação de pluralismo que confere aparência democrática a um ambiente comunicacional que, cotidianamente, constrói e impõe uma visão de mundo específica, funcional à reprodução do capital e da dominação imperialista.”
Comunicação como campo de disputa
Conforme avaliação do FNDC, no contexto internacional, episódios recentes, como o genocídio do povo palestino, o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e as ameaças a países do Sul Global — evidenciam a atuação dos grandes grupos de comunicação como aparelhos privados de hegemonia, alinhados aos interesses do imperialismo, em especial o estadunidense.
Nesse cenário, a coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko, chama atenção para o papel das plataformas digitais. “São elas que têm viabilizado a guerra cibernética, a vigilância massiva, as operações datificadas, além de favorecerem o controle da circulação das informações, em um alinhamento cada vez mais explícito à extrema direita mundial”, analisa.
Em relação aos meios tradicionais, Helena Martins avalia que há uma tendência de ocultamento ou naturalização dessas violências. “Ainda que a brutalidade desses acontecimentos force, ocasionalmente, alguma fissura no discurso dominante, o que se vê é apenas uma abertura controlada para a crítica ou, mais precisamente, para a ponderação”, afirma.
Para Marko, esse cenário reforça a centralidade da comunicação nas disputas políticas contemporâneas. “Justamente por isso, a disputa comunicacional se atualiza como campo fundamental da luta de classes e da luta antifascista”, observa.
“Diante de um contexto em que o capitalismo e o imperialismo expõem de forma cada vez mais explícita seus mecanismos de dominação, a comunicação acompanha esse movimento, seja ocultando, legitimando, distorcendo a realidade ou produzindo informações orientadas a determinados interesses”, pontuam as dirigentes.
As atividades reúnem nomes como Katia Marko, Sérgio Amadeu, Letícia Cesarino, Helena Martins, Ergon Cugler, Federico Pita (Argentina), Walter Lippold e Greg Medeiros, que irão debater tanto o papel da comunicação hegemônica quanto a construção de propostas voltadas à soberania comunicacional.
A inscrição pode ser realizada através deste link. A Associação Riograndense de Imprensa fica na avenida Borges de Medeiros, 915 Centro Histórico – Porto Alegre.
Programação:
10h – Reunião com o Comitê FNDC RS
13h – Abertura da Caravana
Atividade cultural com Zé Martins (Unamérica)
14h – O papel da comunicação hegemônica a serviço do fascismo
✅ 𝗞𝗮𝘁𝗶𝗮 𝗠𝗮𝗿𝗸𝗼 – Jornalista, coordenadora-geral do FNDC, integrante do NPC. Editora do jornal Brasil de Fato RS
✅ 𝗟𝗲𝘁í𝗰𝗶𝗮 𝗖𝗲𝘀𝗮𝗿𝗶𝗻𝗼 – Antropóloga, professora e pesquisadora da UFSC
✅ 𝗙𝗲𝗱𝗲𝗿𝗶𝗰𝗼 𝗣𝗶𝘁𝗮 – editor de Negrx/jornal Página 12 – Argentina, integrante do DIAFAR (Diáspora Africana de la Argentina)
✅ 𝗦é𝗿𝗴𝗶𝗼 𝗔𝗺𝗮𝗱𝗲𝘂 – Sociólogo, professor e pesquisador da UFABC
✅ 𝗗𝗶𝗲𝗴𝗼 𝗠𝗮𝗿𝗾𝘂𝗲𝘀 – Diretor de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN. Doutor em Antropologia Social pela Unicamp e Professor da Universidade Federal da Bahia
16𝗵 – 𝗣𝗿𝗼𝗽𝗼𝘀𝘁𝗮𝘀 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝘀𝗼𝗯𝗲𝗿𝗮𝗻𝗶𝗮 𝗻𝗮𝘀 𝗰𝗼𝗺𝘂𝗻𝗶𝗰𝗮çõ𝗲𝘀
✅ 𝗛𝗲𝗹𝗲𝗻𝗮 𝗠𝗮𝗿𝘁𝗶𝗻𝘀 – FNDC/DiraCom e UFC
✅ 𝗘𝗿𝗴𝗼𝗻 𝗖𝘂𝗴𝗹𝗲𝗿 – Conselheiro da Presidência da República no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável
✅ 𝗔𝗱𝗺𝗶𝗿𝘀𝗼𝗻 𝗙𝗲𝗿𝗿𝗼 𝗝ú𝗻𝗶𝗼𝗿 (Greg) – Membro do Conselho Nacional de Direitos Humanos
✅ 𝗠𝗮𝘁𝗲𝘂𝘀 𝗔𝘇𝗲𝘃𝗲𝗱𝗼 – Jornalista. Membro da Diretoria Executiva do SindJoRS
✅ 𝗝𝗼𝘀é 𝗡𝘂𝗻𝗲𝘀 – Jornalista. Presidente da Associação Riograndense de Imprensa (ARI).
✅ 𝗪𝗮𝗹𝘁𝗲𝗿 𝗟𝗶𝗽𝗽𝗼𝗹𝗱 – Historiador, pesquisador, membro do Coletivo Fanon
Fonte: Brasil de Fato




