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Gênero, renda e religião: As trincheiras de Lula e Flávio Bolsonaro nas projeções da pesquisa Atlas

Levantamento revela contraste geracional na disputa pelo Planalto, com fatores como gênero, religião e geografia apresentando clivagens importantes; confira

Pesquisa Atlas mostra abismos entre Flávio Bolsonaro e Lula – Flávio Bolsonaro e Lula (Lula Marques Ag Brasil / Ricardo Stuckert PR)

Os dados detalhados da pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (28) revelam como o eleitorado se divide entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no principal cenário de primeiro turno para 2026. O cruzamento de dados aponta abismos demográficos importantes, especialmente nos recortes de gênero, idade e religião.

Desde o surgimento de Jair Bolsonaro como um ator político relevante nas eleições de 2018, as mulheres, em sua maioria, têm se alinhado do lado contrário do hoje ex-presidente. E, pela sondagem, o eleitorado feminino continua sendo o principal pilar da liderança de Lula.

Entre as mulheres, o presidente alcança 52,5% das intenções de voto, contra 38,8% de Flávio Bolsonaro. Já entre os homens, o cenário é de empate técnico, com uma ligeira vantagem numérica para o candidato do PL (40,8% a 39,9%).

A pesquisa Atlas e o abismo geracional
O levantamento revela ainda um contraste marcante entre as gerações no principal cenário de primeiro turno. Lula tem um domínio esmagador entre os eleitores mais velhos, com mais de 60 anos, atingindo 63,4% contra apenas 29,5% de Flávio. O presidente também lidera na faixa de 45 a 59 anos (48,7% a 44%) e de 25 a 34 anos (42,3% a 37,6%).

Por outro lado, Flávio Bolsonaro tem sua maior força entre os adultos de 35 a 44 anos, onde vence por 50% a 40%. Curiosamente, o senador do PL também lidera entre os mais jovens (16 a 24 anos) com 36,6% contra 28,5% de Lula, segmento em que Renan Santos (Missão) chega a pontuar com 22,4%.

Em termos de renda, Lula tem sua maior força entre os eleitores mais pobres e os mais ricos. Ele vence Flávio Bolsonaro entre quem ganha até R$ 2.000, superando o adversário por 51,7% a 35,4%, e também domina nas faixas de renda mais altas, de R$ 5.000 a R$ 10.000, onde vence por 53,7% a 33,5%, e no grupo acima de R$ 10.000, superando o senador por 54,1% a 27,4%.

O parlamentar do PL, em contrapartida, tem vantagem expressiva nas classes médias baixa e média, liderando entre os que ganham de R$ 2.000 a R$ 3.000 (53,9% a 34,4%) e no segmento que recebe entre R$ 3.000 e R$ 5.000 (47% a 39,1%).

O peso do voto evangélico
Em relação ao recorte religioso retratado pela pesquisa Atlas, Flávio Bolsonaro tem ampla vantagem entre os evangélicos, marcando 58,6% contra apenas 23,7% de Lula.

O presidente compensa essa diferença liderando com folga entre os católicos, segmento onde supera o senador por 51,5% a 38,1%; adeptos de outras religiões, com 66,9% a 23%, e entre agnósticos e ateus, com uma vantagem expressiva de 77,6% a 11,2%.

Geograficamente, Lula mantém a dianteira no Nordeste, batendo Flávio por 53,2% a 34,5%, e tem ainda uma liderança folgada na região Norte, superando o adversário por 55,7% a 30%. Flávio Bolsonaro domina o Centro-Oeste por 51,1% a 38,6% e tem vantagem no Sul, com 46% a 42,3%. A disputa é acirrada no Sudeste, onde o cenário é de empate técnico, com vantagem numérica para Lula, que vence o rival por 43,1% a 41,2%.

A pesquisa Atlas/Bloomberg ouviu 5.008 eleitores da população adulta brasileira entre os dias 22 e 27 de abril de 2026. O levantamento utilizou a metodologia de recrutamento digital aleatório (Atlas RDR), com entrevistas realizadas durante a navegação de rotina na web em territórios geolocalizados em qualquer dispositivo (smartphones, tablets, laptops ou PCs). A margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07992/2026.

Fonte: Revista Fórum