Senador pediu ao dono do Banco Master R$ 134 milhões para financiar ‘Dark Horse’, que romanceia a história do pai

O valor pedido por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador e pré-candidato à presidência da República, ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é mais de quatro vezes superior ao orçamento total do filme O Agente Secreto, que recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, dezenas de outros prêmios e foi assistido por cerca de dois milhões de brasileiros.
Segundo a denúncia do site The Intercept, Flávio pediu R$ 134 milhões ao dono do Banco Master. Desse total, recebeu aproximadamente R$ 61 milhões. O custo total para produção de O Agente Secreto foi de cerca de R$ 28 milhões. O filme dirigido por Kleber Mendonça Filho, com Wagner Moura como protagonista, foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco.
Os bolsonaristas pretendem lançar o filme sobre Bolsonaro em 11 de setembro, a pouco menos de um mês das eleições. O ex-presidente será interpretado pelo ator Jim Caviezel, conhecido por seu papel como Jesus Cristo em A Ressurreição de Cristo. O artista também é conhecido por declarações antivacina e apoio a teorias conspiratórias.
O roteiro de Dark Horse é de autoria do deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura e aliado próximo da família Bolsonaro. O parlamentar também é mencionado nas conversas como tendo participado das negociações dos recursos do Banco Master para o filme.
Segundo áudios, documentos e mensagens divulgados pelo site Intercept, dos R$ 134 milhões, cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos em seis operações. Os arquivos compreendem o período de fevereiro a maio de 2025.
“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, escreveu Flávio a Vorcaro, em uma mensagem enviada por um aplicativo de conversa em 16 de novembro de 2025, um dia antes de o banqueiro ser preso tentando fugir do país.
As conversas também indicam que o dono do Banco Master acompanhava pessoalmente o andamento dos pagamentos e atribuía prioridade ao filme em relação a outros compromissos financeiros.
Em outro áudio, Flávio cobra parcelas atrasadas de Vorcaro. “Apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando. Mas, enfim, não é porque está num momento muito decisivo, aqui do filme. É como tem muita parcela para trás. […] Eu fico preocupado aqui com o efeito ao contrário (sic) do que a gente sonhou pro filme, né? Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus Nowrasteh, os caras, renomadíssimos lá no cinema americano mundial, pô, ia ser muito ruim, né? […] E agora que é a reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui”, diz no áudio divulgado.
Flávio Bolsonaro admitiu, em nota, que pediu e recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme sobre o pai.
“Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca”, diz um trecho da nota.
Fonte: Brasil de Fato

