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Nexus/BTG: Lula luta contra rejeição e desaprovação; vantagem contra Flávio diminui

Dados demográficos apontam liderança de petista entre jovens e Flávio avança entre evangélicos; disputa cai para um ponto percentual de diferença entre candidatos

Lula e Flávio Bolsonaro lideram as intenções de voto no primeiro turno. (Fotos: Ricardo Stuckert / Presidência da República / Evaristo Sa / AFP)

Na primeira pesquisa Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (24) após o início das campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) à presidência, o candidato da extrema-direita avançou e reduziu para um ponto percentual a vantagem do petista. O resultado coloca os dois, mais uma vez, empatados tecnicamente. O atual presidente tem 46% das intenções de voto, enquanto o senador carioca tem 45%.

Em outros cenários de segundo turno, Lula empata tecnicamente com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), por 46% x 42% e vence contra o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com maior vantagem. Ainda foi simulado um cenário contra Renan Santos (Missão), com larga vitória do petista.

Para vencer, Lula deve enfrentar dois obstáculos: a rejeição e a avaliação de seu governo. Quase metade dos entrevistados (49%) afirmam rejeitar o atual presidente. Sobre o governo, 43% disseram ser “ruim” ou “péssimo”, com desaprovação de 49%.

A certeza de voto também cresce à medida que se aproxima o dia 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições deste ano. Nesta pesquisa, 80% dos eleitores afirmam já estarem decididos, diante dos 70% registrados em 13 de julho.

Além disso, 87% dos entrevistados afirmam já estar decididos a ir às urnas, enquanto 7% dizem que provavelmente participarão da votação. Apenas 3% declararam que não pretendem votar.

No mapeamento do primeiro turno, foram simulados dois cenários. Um com a candidatura de Pablo Marçal (PRTB) e outro sem. O hipotético candidato está inelegível até 2032 por crimes eleitorais cometidos no pleito municipal de São Paulo de 2024.

No cenário sem Marçal, Lula lidera com 41% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro (37%). Muito atrás, em terceiro lugar, está Ronaldo Caiado, com apenas 5% dos votos e empatado tecnicamente com Renan Santos, Romeu Zema, Augusto Cury (Avante) e Samara Martins (UP).

Com a participação do coach Pablo Marçal, os dois principais nomes da disputa seguem muito à frente dos demais candidatos. Já o candidato sob júdice aparece em quarto lugar, com 4% das intenções de voto. Esta é a primeira pesquisa da qual ele participa após o registro de sua candidatura no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), realizado em 15 de agosto, data-limite para o registro de candidaturas às eleições.

Marçal fica à frente de Zema — ex-governador de Minas Gerais por dois mandatos seguidos — e Renan Santos, que vinha liderando as candidaturas de outsiders da política nacional. Contudo, a candidatura de Pablo Marçal está sob análise da Justiça Eleitoral, com chances de ser impugnada devido à punição que recebeu em 2024.

Outro dado levantado pela Nexus no primeiro turno chama a atenção para o desempenho de Santos entre os eleitores que rejeitam apoio tanto a Lula quanto a Bolsonaro. Para alcançar esse público, a campanha do candidato aposta fortemente nas redes sociais, especialmente em vídeos curtos voltados à Geração Z. A estratégia combina conteúdos de caráter conservador e, em alguns casos, mensagens alinhadas à extrema-direita.

Representando o Partido Missão, Renan Santos é presidente e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo de orientação neoliberal e conservadora. Na disputa, se apresenta como uma alternativa tanto a Lula quanto à família Bolsonaro e defende uma agenda ultraliberal.

Com isso, aparece como o líder nas intenções de voto da chamada “terceira via” entre os entrevistados que se definiram à Nexus como “Não Polarizados” ou “Anti-Lula e Anti-Bolsonaro”. Santos tem 6% das intenções de voto entre o primeiro grupo e 11% no segundo.

Entre os eleitores que veem Flávio como uma alternativa, mas não se identificam como bolsonaristas, Santos reúne 8% das preferências. A pesquisa indica que, quanto mais Renan é conhecido ele se torna entre os eleitores, maior é sua rejeição. Enquanto diminui a parcela dos entrevistados que dizem não conhecê-lo, aumenta o percentual dos que afirmam que não votariam nele “de jeito algum”.

Apesar disso, Lula e Bolsonaro aparecem como os líderes em quaisquer grupos demográficos, mesmo os que se colocam como lulistas ou bolsonaristas. Os dois candidatos, inclusive, têm larga preferência até entre os que se definem como contrários a ambos.

A divisão dos entrevistados nessas categorias também se destaca. Mais da metade se coloca como “seguidor convicto” de um dos dois principais candidatos. São 30% de bolsonaristas convictos contra 25% de lulistas convictos. Os “Não Polarizados” são 22% e os contra Lula e Flávio são 8%.

Além disso, a demografia por recortes de sexo, idade e religião traz novas camadas para uma acirrada disputa eleitoral. Na questão de sexo, 48% das mulheres indicaram que votarão em Lula contra 31% para Flávio. Entre homens, o percentual muda: 43% de Bolsonaro e 34% do atual presidente.

Na divisão por faixa etária, Lula lidera entre os eleitores de quase todos os grupos, com exceção daqueles de 25 a 40 anos, faixa em que Flávio Bolsonaro aparece à frente, com 41% das intenções de voto, contra 36% do petista. A maior vantagem de Lula está entre os jovens de 16 a 24 anos: ele soma 49%, mais que o dobro dos 23% de Flávio. É também nessa faixa que Renan Santos obtém seu melhor desempenho, com 10% das intenções de voto.

A identificação religiosa traz uma larga vantagem para Bolsonaro entre os evangélicos, grupo que ajudou a eleger seu pai, Jair, em 2018 e que sustentou sua política como presidente. Flávio tem 47% das intenções de voto contra 29% de Lula.

Foram ouvidos 2.006 eleitores, por telefone, entre os dias 21 e 23 de agosto de 2026 para realizar a pesquisa. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.

O levantamento ouviu eleitores nas 27 unidades da Federação, com distribuição proporcional por região. A pesquisa BTG/Nexus está registrada no TSE sob o número BR-09028/2026.

Fonte: Sul 21