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1º de Maio reúne milhares em atos no RS, com cultura, críticas políticas e defesa de direitos

Festival ocorreu em Porto Alegre, Passo Fundo e Caxias do Sul e segue no domingo em Santa Maria e Pelotas

Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT/RS), Amarildo Cenci, mais de 30 mil pessoas participaram das atividades nas três cidades | Crédito: Rodolfo Paz

Mesmo com a chuva que caiu no início da tarde, a programação do Festival do Trabalhador e Trabalhadora no Rio Grande do Sul não foi interrompida. Em Porto Alegre, por exemplo, o evento estava previsto para a Praça da Alfândega, mas foi transferido devido à previsão de tempestade. As atividades começaram às 10h e seguiram até depois das 22h, na Casa do Gaúcho, no Parque Harmonia, reunindo cultura, gastronomia, artesanato e práticas sustentáveis em 12 horas de programação aberta ao público.

Além da Capital, o festival foi realizado em cidades como Passo Fundo e Caxias do Sul. Segundo o presidente da Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT/RS), Amarildo Cenci, mais de 30 mil pessoas participaram das atividades nas três cidades. A programação continua em Pelotas e Santa Maria neste domingo (3).

Em comum, as festividades trouxeram apresentações artísticas, iniciativas de economia solidária e reforçaram as pautas históricas da classe trabalhadora. Entre as principais reivindicações estão o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, a regulamentação da negociação coletiva no serviço público, o combate à pejotização, a defesa e valorização dos serviços públicos, a oposição à reforma administrativa, o enfrentamento aos feminicídios e a defesa da democracia e da soberania nacional.

Porto Alegre reuniu músicos gaúchos como Nelson Coelho de Castro e Gelson Oliveira, além de apresentações de Gilsoul, Yustedes, Moreno Mares, Oi Nós Aqui Traveiz, Bloco da Laje, artistas do hip hop, Chico Chico e Imperadores do Samba, entre outros. As apresentações se intercalaram com falas de lideranças sindicais, movimentos sociais e parlamentares, como os deputados federais Paulo Pimenta (PT), Fernanda Melchionna (Psol) e Daiana Santos (PCdoB), além de Manuela d’Ávila (Psol), da pré-candidata ao governo do estado Juliana Brizola (PDT) e do pré-candidato a vice, Edegar Pretto (PT).

Unidade na luta: movimentos cobram direitos e políticas públicas
Durante o ato em Porto Alegre, lideranças de movimentos sociais e do movimento estudantil reforçaram o caráter de mobilização e denúncia da data. Coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Leonardo Maggi afirmou que o 1º de Maio é um momento de celebração, mas também de reivindicação de direitos.

“Nós, do Movimento dos Atingidos por Barragens, estamos aqui para celebrar, mas também para reivindicar os direitos dos trabalhadores, os direitos dos atingidos”, disse. Ele destacou que, além de pautas históricas como o fim da jornada 6×1 e a luta pelos direitos das mulheres, o mês de maio também marca dois anos das enchentes que atingiram o estado.

Segundo Maggi, passados dois anos da tragédia climática, “muito ainda falta por ser feito”. Ele criticou a atuação do governo estadual e denunciou que famílias seguem sem acesso à moradia digna. “Nenhuma casa foi entregue ao povo atingido. Infelizmente, nós estamos vivendo em abrigos e casas provisórias”, afirmou.

O dirigente também reforçou o sentido político da data. “O dia 1º de Maio é um dia de celebrar, mas é também um dia de lutar, de reivindicar. E nós, atingidos, estamos na rua, porque só assim, só em luta, é que as águas serão para a vida e não para a morte”, concluiu.

Representando a União Estadual dos Estudantes (UEE), a vice presidenta Amanda Martins destacou a importância da unidade entre estudantes e trabalhadores. Em tom de saudação, a estudante de ciências sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), afirmou que a presença no festival simboliza o fortalecimento das lutas coletivas e a ocupação dos espaços políticos.

Martins defendeu que o 1º de Maio deve reafirmar a luta por direitos e pela libertação do povo trabalhador. Também apontou como desafio central a defesa da soberania nacional e o enfrentamento a forças que, segundo a entidade, buscam explorar o país e a classe trabalhadora.

Entre as pautas destacadas pela UEE está a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, vista como uma demanda fundamental para a juventude. Conforme pontuou Martins estudantes e jovens trabalhadores enfrentam rotinas exaustivas, sem valorização e com baixa remuneração.

Por fim, a estudante reforçou a necessidade de garantir condições dignas para que a juventude possa estudar e trabalhar sem ser submetida à exploração. A entidade também reafirmou a unidade com a classe trabalhadora na luta por direitos.

Centrais reforçam unidade e defendem redução da jornada
Ao avaliar as mobilizações do 1º de Maio no estado, o presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, destacou a amplitude das atividades e o caráter político e cultural dos encontros. Em Passo Fundo, conforme ressaltou, ocorreu “o maior 1º de Maio de todo esse tempo de luta”, reunindo mais de 5 mil pessoas na praça.

Para Cenci, o resultado expressivo está relacionado à combinação entre pautas sociais e manifestações culturais. “Quando a gente junta lutas, pautas justas, causas importantes com a cultura, com a música, com o teatro, com a economia solidária, com os artesãos, com aquilo que a gente tem de melhor socialmente falando, a gente tem esse resultado”, afirmou.

Entre as principais reivindicações dos atos nas cidades está o fim da escala 6×1 | Crédito: Rafa Dotti

Ele também destacou o engajamento popular e o compromisso das entidades envolvidas na organização. Na Capital, a celebração contou com protagonismo das mulheres, com forte presença nas apresentações artísticas e na economia solidária. Segundo o dirigente, mesmo com as dificuldades causadas pela chuva, foram as mulheres, especialmente negras e jovens, que estiveram à frente da organização. “Quem está na linha de frente? Mulherada, mulheres negras, mulheres jovens, que estão com uma garra imensa para dar tudo muito certo”, expôs.

Na avaliação de Cenci, a mobilização também teve forte conteúdo crítico ao sistema econômico e social. “O sistema, às vezes, está aí para escravizar a gente, tomar o nosso tempo, usar o nosso corpo, usar o nosso trabalho para acumular na mão de pouca gente”, afirmou.

Outro destaque apontado foi a centralidade do debate sobre violência contra as mulheres, além da importância dos espaços de convivência e cultura. “Além de demonstrar que ter dias para curtir, para se encontrar, para escutar uma boa música, eles são fundamentais para a vida”, declarou.

Cenci também mencionou o tom político das manifestações, situando-as no contexto da conjuntura nacional. Segundo ele, houve críticas ao Congresso Nacional durante os atos. “O povo também gritou: ‘Congresso, inimigo do povo’”, relatou. Na sua avaliação, é necessário “melhorar o Congresso Nacional”, apontando falta de compromisso de parlamentares com a democracia e com a redução das desigualdades.

Já a presidenta do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telemarketing e Rádio Chamada do Estado do Rio Grande do Sul (Sintratel-RS) e vice-presidenta da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Rio Grande do Sul (CTB-RS), Crislaine Carneiro, destacou a unidade da classe trabalhadora como eixo central das mobilizações. Segundo ela, a construção do ato parte da articulação coletiva entre entidades sindicais. “O principal, o início da construção dele é da unidade. Eu acho que esse é o ponto principal, a unidade das centrais, da classe trabalhadora representada pelos sindicatos”, afirmou.

Carneiro ressaltou que a redução da jornada de trabalho é uma das principais pautas defendidas, com amplo apoio entre os trabalhadores. Para ela, o tema está diretamente ligado a questões estruturais, como saúde mental e enfrentamento à violência de gênero. “A grande maioria dos trabalhadores é a favor, e isso dialoga também com o combate ao feminicídio, com mais tempo para cuidar da saúde mental”, pontuou.

Ela também mencionou a relação com normas de segurança e saúde no trabalho, ao citar a necessidade de discutir o tema no âmbito da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) que estabelece disposições gerais e diretrizes obrigatórias sobre segurança e saúde no trabalho (SST). Na avaliação da sindicalista, o 1º de Maio reafirma reivindicações essenciais. “O principal momento, o mais importante desse 1º de Maio, são as pautas para a sobrevivência da classe trabalhadora”, afirmou.

Carneiro também destacou a diversidade de iniciativas presentes na atividade, como economia solidária, cultura e espaços de reflexão crítica. Para ela, esses elementos evidenciam a importância do tempo livre e da valorização da vida para além do trabalho. “Isso mostra a importância de ter tempo, de poder consumir com a economia solidária, que tem muitas mulheres à frente, e de usufruir da cultura, do lazer, que também dialoga com a saúde de todas e todos.”

Ao sintetizar o significado do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, ela afirmou: “Significa luta, significa conquista e significa resistência para que a gente consiga alcançar uma sociedade mais justa e mais igualitária.”

Fonte: Brasil de Fato RS