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RS deverá reduzir em um quarto a área de trigo na próxima safra

A projeção é da segunda pesquisa de intenção de plantio de Safras & Mercado, que ainda prevê a produção gaúcha 30% inferior

A cultura está pressionada pelos altos custos, sobretudo dos fertilizantes, enquanto os preços seguem sem recuperação (Foto: Joseani Antunes / Embrapa Trigo / Divulgação)

A segunda pesquisa de intenção de plantio de trigo da Safras & Mercado aponta redução na área e no potencial produtivo da safra brasileira de 2026/2027, em meio ao cenário de custos elevados, margens apertadas e maior cautela dos produtores.

A área destinada ao cereal no país foi estimada em 1,943 milhão de hectares, queda de 17,3% frente aos 2,349 milhões de hectares cultivados na temporada 2025/26. A produção potencial foi projetada em 6,155 milhões de toneladas, recuo de 23,3% ante os 8,020 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A retração é mais concentrada nos estados do Sul. No Rio Grande do Sul, a área deve cair 23,8%, para 800 mil hectares, com produção estimada em 2,500 milhões de toneladas, baixa de 30,6%. No Paraná, a área foi projetada em 730 mil hectares, queda de 14,6%, enquanto a produção deve recuar 21,4%, para 2,200 milhões de toneladas.

O analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, destaca que o ajuste reflete não apenas a redução de área, mas também a expectativa de menor investimento nas lavouras.

“O produtor chega à nova temporada pressionado pelos altos custos, especialmente dos fertilizantes, enquanto os preços do trigo seguem sem recuperação suficiente para recompor margens”, afirma Bento.

Segundo Bento, as últimas safras foram marcadas por rentabilidade reduzida, o que elevou o endividamento e diminuiu a disposição dos produtores para investir em tecnologia e manejo. Além disso, o dólar em patamares mais baixos reduz a competitividade do trigo brasileiro e limita o suporte aos preços internos.

Risco climático

A Safras ressalta, no entanto, que os números representam um potencial inicial e ainda não consideram eventuais perdas climáticas ao longo do ciclo. O risco climático segue no radar, especialmente diante da possibilidade de ocorrência de El Niño em 2026.

Caso a projeção atual se confirme, o Brasil deverá ampliar sua dependência externa. Com produção estimada em 6,155 milhões de toneladas, o país poderá precisar importar mais de 8 milhões de toneladas de trigo na temporada 2026/27 para equilibrar o abastecimento interno.

“Parte dos produtores tende a reduzir área, migrar para culturas de menor risco ou trabalhar com um pacote tecnológico mais enxuto”, conclui Bento.

Fonte: Correio do Povo