Pré-candidata do PDT ao governo gaúcho participou nesta quarta-feira (20) da reunião-almoço Tá Na Mesa, da Federasul

Pré-candidata ao governo do Rio Grande do Sul, Juliana Brizola (PDT) criticou as privatizações promovidas durante os mandatos de Eduardo Leite (PSD) e, ao ser questionada sobre a possibilidade de reversão dos contratos firmados, caso eleita, disse que “tudo é possível” e que pretende criar uma mesa de diálogo com as empresas e a população. As afirmações foram feitas nesta quarta-feira (20) durante a reunião-almoço Tá Na Mesa, promovida pela Federasul.
“Não é uma discussão ideológica de: ‘eu vou quebrar contratos; eu vou romper a privatização’. Não é terra arrasada. A gente quer abrir uma mesa de diálogo. Agora, se a água estiver não chegando, se a energia estiver cara, como está – com atendimento péssimo ao consumidor – e se as escolas não melhorarem os seus índices, por que não rever? É possível rever? Tudo é possível”, afirmou a pedetista.
Ainda no tema das privatizações, Juliana contestou as ações e posições do atual governo de priorização do equilíbrio fiscal, ao citar a previsão de déficit primário de R$ 4,8 bilhões apresentada pelo Piratini na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2027. “Se vendeu tudo neste estado. Se vendeu a Corsan, a CEEE. Fizeram ajuste fiscal, se tirou direitos do servidor público, se transformou carreiras. Tudo em nome de um equilíbrio fiscal. Mas isso não ocorreu, porque a LDO (para 2027) prevê um déficit primário de R$ 4,8 bilhões”, argumentou Juliana.
Durante discurso no painel da Federasul, cujo público que acompanhava era composto majoritariamente por empresários, a pré-candidata se comprometeu a não aumentar alíquotas tributárias e a não criar impostos. Outro compromisso firmado por Juliana foi de não atrasar os pagamentos de salários de servidores públicos.
A pré-candidata também elencou a saúde e a alta nos índices de feminicídio como os principais desafios para o próximo governador gaúcho. No tema dos feminicídios, ela destacou como referência medidas adotadas na Espanha, em que vítimas passam por um questionário, seguido por uma classificação de risco identificada a partir das respostas às questões e de direcionamento de ações de proteção a partir do risco apontado.
Outro ponto abordado foi o da coligação de oito partidos de centro-esquerda que se formou em torno de sua pré-candidatura e que foi construída após meses de disputas entre o PDT e o PT gaúcho sobre quem lideraria a chapa. Neste sentido, ela disse que eles estão “deixando as divergências de lado” para “primeiro enxergar” as convergências.
A pedetista também destacou o legado de seu avô, o ex-governador gaúcho Leonel Brizola, e afirmou: “não vivo na sombra, vivo à luz de Leonel Brizola”.
Juliana ainda disse acreditar que, em um eventual segundo turno entre ela e Luciano Zucco (PL), acredita que terá o apoio tanto do governador Eduardo Leite, quanto do pré-candidato à sucessão da gestão, o vice-governador Gabriel Souza (MDB).
Sobre uma possível “nacionalização” das eleições ao Piratini, com uma disputa polarizada entre os presidenciáveis Lula (PT) e Flávio Bolsonaro, a pedetista afirmou que “a eleição é nacional”, destacando o apoio mútuo entre ela e Lula, e que muitos dos problemas do Rio Grande do Sul “têm solução em Brasília”.
Fonte: Jornal do Comércio

