Projeto propõe debates e será desenvolvido em cinco regiões do Estado

A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (FETRAF-RS) deu início a um novo programa de formação de lideranças voltado à agricultura familiar, reunindo agricultores, dirigentes sindicais, jovens e mulheres do Rio Grande do Sul. O projeto prevê a realização de quatro seminários formativos em cinco regiões de atuação da federação, além de um seminário estadual. A proposta busca fortalecer a organização social da agricultura familiar, ampliar a capacidade de atuação das lideranças e estimular o debate sobre desenvolvimento rural sustentável e solidário.
O projeto tem como objetivo central qualificar social, política e profissionalmente agricultores e agricultoras familiares. A iniciativa também pretende ampliar a capacidade dos sindicatos e organizações locais de mobilizar as comunidades e construir estratégias de desenvolvimento regional.
A formação é realizada em parceria com o Instituto de Cooperação da Agricultura Familiar do Brasil (ICAF), o Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP) e sindicatos ligados à federação. O coordenador de formação da FETRAF-RS, Felipe Toniolo, explica que a proposta foi construída para ir além de uma formação tradicional, buscando desenvolver lideranças capazes de compreender os desafios atuais da agricultura familiar e atuar de forma organizada nos territórios.
“Essa formação tem dois objetivos centrais. Um é o desenvolvimento da capacidade crítica dos participantes, para que as pessoas consigam compreender o papel que têm na sociedade e também nos processos de organização da agricultura familiar. O segundo é produzir um grande debate sobre o desenvolvimento da agricultura familiar e sobre o desenvolvimento regional, porque uma coisa está ligada à outra”, resume Toniolo.
Segundo Felipe, a metodologia foi pensada para aproximar os debates da realidade vivida pelas famílias agricultoras e estimular a participação ativa dos participantes durante todo o processo. Os encontros combinam exposições dialogadas, trabalhos em grupo, debates e construção coletiva de propostas ligadas às comunidades e regiões.
“A gente quer que as pessoas consigam se olhar dentro desse processo, compreender o papel que têm e também se desafiar a organizar ações nos espaços em que atuam. É uma formação que quer formar ação e gerar movimento”, destaca.
A estrutura do programa foi organizada em quatro grandes eixos temáticos. A primeira etapa aborda o funcionamento do capitalismo contemporâneo no campo, debatendo financeirização, atuação de corporações agroalimentares, papel do Estado e os impactos desse cenário sobre a agricultura familiar. A segunda etapa trata do desenvolvimento, organização social e da cooperação no campo, recuperando a trajetória histórica da agricultura familiar, dos sindicatos, cooperativas e movimentos sociais, além de discutir identidade coletiva e desenvolvimento rural sustentável.
Já a terceira etapa será voltada à discutir o Projeto Estratégico da Agricultura Familiar, com foco no Novo Modelo de Produção mais sustentável, justo e adequado a Agricultura Familiar e o Modo de Vida da Agricultura Familiar. A quarta etapa será dedicada ao trabalho de base e à formação de agentes populares locais. O objetivo é discutir o papel das lideranças nas comunidades, incentivar a construção de novas lideranças e elaborar estratégias de mobilização e atuação nos territórios.
A proposta também prevê atividades entre as etapas, incentivando os participantes a multiplicarem os debates nas comunidades, sindicatos e grupos locais. Entre as ações previstas estão encontros com juventude e mulheres, atividades de base e construção de propostas regionais ligadas ao desenvolvimento da agricultura familiar.
“Além da formação em si, a ideia é criar condições para que as lideranças consigam puxar processos nos sindicatos, nas cooperativas, nas comunidades e em outros espaços. A gente quer construir um debate permanente sobre desenvolvimento rural sustentável e sobre o futuro das nossas regiões”, afirma Toniolo.
A primeira região a receber uma etapa do programa de formação foi o Alto Uruguai, no norte do Rio Grande do Sul, em encontro que reuniu lideranças da agricultura familiar para debater o contexto atual do campo e os impactos das transformações econômicas sobre os modos de vida das famílias agricultoras.
Fonte: Sul 21

