Discurso do presidente focou na soberania e no multilateralismo

Multilateralismo, Soberania e Democracia. Esses foram os principais temas defendidos no discurso do Presidente Lula na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York. O presidente Lula falou por cerca de 20 minutos, para representantes dos 193 Estados-membros da ONU. Aproximadamente 130 líderes estão reunidos para discutir as guerras atuais e os riscos do desenvolvimento descontrolado de Inteligência Artificial.
Lula afirmou que a ONU vive seu momento mais crítico desde que ele discursou na tribuna pela primeira vez, em 2003, criticando abertamente o poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança. Segundo o presidente, o ano de 2025 registrou o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixado pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza. Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”.
Lula foi aplaudido ao relembrar que a Assembleia Geral reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o maior crime contra a humanidade. O presidente também criticou tanto as ações de Israel em Gaza quanto os atos terroristas do Hamas contra civis inocentes. O presidente brasileiro também condenou agendas ideológicas, investidas por recursos naturais e a ingerência externa em processos eleitorais. Lula citou os desafios enfrentados na América Latina, mencionando Venezuela, Nicarágua e o embargo a Cuba.
“Na América Latina e Caribe, a proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto do recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém.”
Lula criticou a ingerência externa nas eleições brasileiras e defendeu a cooperação internacional para conter o financiamento e o fluxo ilegal de armas. Ele destacou que entregou pessoalmente uma proposta ao presidente dos Estados Unidos, e defendeu que a solução exige ações de inteligência e combate à lavagem de dinheiro, e não ameaças militares ou envio de porta-aviões.
“Realizamos a maior operação contra o crime organizado da história do Brasil. Batemos recorde de apreensão de drogas e de bens e recursos ilícitos. A lei antifacção que acabamos de aprovar impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo. Crime organizado e corrupção andam juntos. Ninguém está acima da lei”.
O presidente brasileiro alertou para a ausência de ações em relação às questões climáticas, citou a ameaça do derretimento das geleiras no Himalaia e dos impactos de um super El Niño. Citou o Brasil como exemplo, da queda de 50% no desmatamento da Amazônia e o lançamento do fundo “Florestas Tropicais para Sempre” na COP 30.
O presidente brasileiro também criticou a imposição de barreiras comerciais e o “tarifaço” norte-americano, mas afirmou que, apesar disso, o Brasil alcançará exportação recorde. No fim do discurso, Lula citou o líder dos direitos civis Martin Luther King, e disse que aquilo que foi destruído por visões egoístas pode ser reconstruído por pessoas voltadas ao próximo. Após discursar, o presidente Lula se juntou à comitiva brasileira para ouvir o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Fonte: Agência Brasil

