Cotação do dia

USD/BRL
EUR/USD
USD/JPY
GBP/USD
GBP/BRL
Trigo
R$ 115,00
Soja
R$ 180,00
Milho
R$ 82,00

Tempo

A Copa do VAR…bitro

Vejo na atuação do VÁRbitro o sério risco, por exemplo, de se extinguir uma figura indispensável nos jogos, que é o juiz ladrão.

 

Por Afonso Barroso*

E Deus criou o VAR (Video Assistant Referee), escalado para atuar pela primeira vez numa Copa do Mundo. Digo Deus, meu senhor e minha senhora, porque a tecnologia assumiu o comando do universo de tal forma que botou pra escanteio o Criador, o original, responsável por tudo que existe… menos a tecnologia.

Eu, particularmente, não gosto desse VÁRbitro. Não que seja contra o avanço tecnológico. Só acho que não devia avançar tanto assim, sem mais nem menos, sobre certas realidades sagradas e consagradas do nosso dia a dia. Como o futebol.

Vejo na atuação do VÁRbitro o sério risco, por exemplo, de se extinguir uma figura indispensável nos jogos, que é o juiz ladrão. Imagine você o que será das rodas de botequim sem o juiz ladrão! Menos um assunto para polemizar, menos um personagem a ser devidamente massacrado nas conversas.

Juiz que não pode errar é o togado, aquele que vai julgar um criminoso, um corrupto. O de campo gramado, de apito na boca, tem o direito de se enganar, e às vezes até mesmo de dar a sua furtadinha. Até pra virar assunto do dia e das semanas seguintes.

Existiu no futebol mineiro, em tempos imemoriais, pra lá de jurássicos, um árbitro que furtava descaradamente para o Atlético. Chamava-se Alcides de tal e era conhecido como Cidinho Bola Nossa, porque de vez em quando, se questionado em campo sobre determinada decisão, cometia ato falho e sentenciava: A bola é nossa. Nossa queria dizer, do Galo. Não era propriamente um ladrão. Era apenas atleticano, o que pode ser um defeito, mas de menor gravidade, convenhamos.

E mais: a escalação dos VÁRbitros pode contribuir, de forma sub-reptícia e traiçoeira, para o desencanto que se observa com o futebol. Ao longo do tempo, esse esporte já perdeu muito do interesse histórico do torcedor, por diversas razões. Uma delas é a eliminação que se promoveu dos geraldinos, aqueles que ocupavam as chamadas gerais dos grandes estádios. Eles assistiam aos jogos em pé, por um preço menor, e lotavam a parte que lhes era destinada. Hoje, é todo mundo sentadinho, por preços na maioria das vezes inacessíveis ao espectador de salário mínimo. Além disso, os estádios ficaram menores, embora do mesmo tamanho. Já houve, no Mineirão, jogos com mais de 120 mil pessoas, o dobro da capacidade atual, que foi reduzida sem necessidade pela reforma Fifa de investimentos suspeitos.

Mas tem uma coisa que devo reconhecer: mesmo com a existência do VAR, pode ser classificado na categoria de refinado ladrão o árbitro daquele jogo de estreia do Brasil na Copa, contra a Suíça.

*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

dom total///