Após o Supremo Tribunal Federal (STF) ter aceito a denúncia feita pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG) pelos crimes de corrupção e obstrução de Justiça, Raquel Dodge, procuradora-geral, poderá pedir ao STF a prisão de Aécio. A cadeia, porém, está distante do senador. Por causa do mandato, só poderia ser preso em flagrante de crime inafiançável.
Advogados acreditam que o Supremo poderia adotar medidas cautelares, inclusive o afastamento do mandato. O Senado, porém pode derrubar a decisão, como já ocorreu em outubro do ano passado.
Aceita a denúncia, começa a fase de coletar provas e ouvir testemunhas. Não há prazo previsto. Pode durar meses ou anos — esta hipótese é mais provável. O julgamento se dará na Primeira Turma do STF; só os casos dos presidentes da República, da Câmara e do Senado são levados ao plenário. Mas o resultado da Turma pode ser questionado no próprio Supremo.
Aécio poderá ser candidato este ano, renovando seu direito a foro privilegiado. O mandato do senador termina em 2018. Ele tanto poderá se candidatar à recondução ou a uma cadeira de deputado — cenário mais provável, pois enfrentará dificuldades para conseguir ser reeleito senador.
Contra o tucano, pesa a imagem desacreditada da justiça. Pesquisa do Instituto Vox Populi, feita para o PT, revelou que 59% dos entrevistados consideraram que o processo contra Lula foi político, três pontos percentuais a mais do que em dezembro passado. Apenas 32% caracterizaram a investigação como técnica. A maioria (52%) considera que Lula é tratado de maneira mais dura do que outros políticos pelo juiz Sérgio Moro.
Aécio pode ser o instrumento para desfazer esta desconfiança — ainda que dificilmente vá para a cadeia, e mesmo uma condenação parece improvável em curto prazo.
monitor digital///




