Em entrevista exclusiva à TV 247, o ministro mais forte do regime militar e um dos mais influentes conselheiros dos governos Lula e Dilma, além de interlocutor frequente do governo atual, Delfim Netto disse que a crise da carne vai acabar quando o Brasil der um desconto aos importadores; “Eles vão continuar comprando. É uma questão de preço”; Delfim conta por que Dilma caiu e por que se afastou dela: “A Dilma fez em 2011 um excelente governo. No começo de 2012 teve uma mudança na sua forma de pensar e começou a cometer erros dramáticos”; Não economiza elogios a Lula: “O Lula é um gênio! O Lula é um diamante bruto! É ilusão pensar que o Lula é um falecido”; para ele, Moro deu um “tiro mortal” na nomeação de Lula na Casa Civil, “que teria mudado a história do Brasil”; e agiu como censor no caso do blogueiro Eduardo Guimarães: “É evidente que ele exerceu censura. Você ser obrigado a dizer qual é a sua fonte”
24 DE MARÇO DE 2017 ÀS 18:05 //
247 – Nessa entrevista exclusiva à TV 247, ao editor-responsável do 247, Leonardo Attuch, e ao colunista Alex Solnik, o ministro mais forte do regime militar e um dos mais influentes conselheiros dos governos Lula e Dilma, e interlocutor frequente do governo atual, Delfim Netto disse que a crise da carne vai acabar quando o Brasil der um desconto aos importadores.
“Eles vão continuar comprando. É uma questão de preço. O chinês vai continuar comprando, mas vai pedir 10% de desconto. É o que vai acontecer”, disse. Os fiscais praticaram corrupção: “Sobre isso eu acho que não há a menor dúvida. É que o cidadão mora dentro de um frigorífico… no fim ganha umas perninhas de frango de presente”…
Delfim conta por que Dilma caiu e por que se afastou dela: “A Dilma fez em 2011 um excelente governo. Um excelente governo! Cresceu 3, 9; a inflação foi 5,6. Reduziu a relação dívida-PIB. A Dilma no começo de 2012 teve uma mudança na sua forma de pensar e começou a cometer erros dramáticos”.
Para ele, embora as “pedaladas” fossem muito mais sérias do que costumavam ser, “em condições normais de pressão e temperatura, se ela estivesse tendo sucesso na administração e protagonismo provavelmente dava um puxão de orelha”. E não um impeachment.
Não economiza elogios a Lula: “O Lula é um gênio! O Lula é um diamante bruto! Eu sempre disse pro Lula: Lula, tua sorte foi não ter feito a USP”! “Eu volto a insistir. É ilusão pensar que o Lula é um falecido”.
O estado corrompeu os empresários e não o contrário: “O estado organizou o cartel! Quem não entrasse no cartel não tinha obra e ponto final”. Quanto ao caixa 2 nas campanhas ele é taxativo: “Na minha opinião, é o seguinte: todos eles fizeram exatamente a mesma coisa”.
Acha Temer melhor presidente que Dilma: “Temer é um dos poucos sobreviventes políticos que faz tricô com quatro agulhas”.
Para ele, Moro deu um “tiro mortal” na nomeação de Lula na Casa Civil “que teria mudado a história do Brasil”. E agiu como censor no caso do blogueiro Eduardo Guimarães: “É evidente que ele exerceu censura. Você ser obrigado a dizer qual é a sua fonte”.
Do alto dos seus 89 anos, desafia os cânones e proclama: “Quem não bebe e não faz esporte vive mais”.
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O senhor que já foi ministro da Agricultura pode nos dizer o que aconteceu para o Brasil ter hoje uma situação de embargo da importação da carne brasileira em vários países? Como o senhor vê esse problema?
Na verdade, eu vejo isso com muita tristeza, porque levou muitos anos para o Brasil construir realmente um setor poderoso de produção de carnes não só bovina, como frango e suína e conquistamos um espaço importante no mundo pela qualidade do produto. Eu vejo com tristeza, porque esse esforço está sendo comprometido. Haja o que houver, a competição brasileira nesse mercado vai sofrer muito. Eles vão continuar comprando. É uma questão de preço. Eu suspeito que a carne brasileira vai sofrer nos próximos quatro, cinco anos um deságio. O chinês vai continuar comprando, mas vai pedir 10% de desconto. É o que vai acontecer.
Ou seja, se a gente tem um setor que exporta 15 bilhões de dólares por ano a gente pode perder 1 bilhão, 1,5 bilhão por ano?
Eu acho que vamos perder em preço 1,5 bilhão por ano até reconquistar a posição. É claro que nossa gente é muito eficiente. Isso não vai ser brinquedo. Mas, seguramente, os competidores que estavam sendo passados pra trás, pela eficiência do setor brasileiro, estão hoje muito alegres. Porque vão reconquistar uma certa posição…
O senhor se refere aos americanos, aos australianos?
Todos eles. Na verdade, é o seguinte. A exportação de proteína animal do Brasil produz um incômodo enorme e produziu uma mudança profunda na estrutura de comercialização no mundo. Isso é um acidente, não há o que fazer, é impossível negar os fatos. De forma que você tem que conviver com eles.
Quem mais errou nesse episódio?
Na minha opinião, é o seguinte. Eu acho que podia ter sido feito com um pouco mais de cuidado. Agora, de qualquer forma, isso não deve ser usado como desculpa…
(Devido a queda de sinal a transmissão ao vivo é interrompida.)
Tá com uma ziquizira aí? Acho que tem a Polícia Federal nesse troço aí…
É o Moro… é o Moro… esse negócio de criminalizar jornalista é demais… quem tem que guardar sigilo é o policial, o jornalista tem que dar o furo.
O que ele tá querendo realmente é que ele dê o furo. Aquele problema de domingo, da Folha, é um negócio brabo…
O negócio da “coletiva em off” do Janot?
É. Isso tem todo dia às seis horas, eles se comunicam, o pessoal da Globo às seis horas recebe as comunicações deles todos… porque, inclusive, eles ficam puxando o saco do… ô, Solnik, não existe mais jornalista! Só existe comentarista. Ninguém mais dá uma notícia “olha, aconteceu isso… o sujeito disse isso”… (risada) Quem acredita, né? O que acontece? Não há mais jornalismo, todo mundo é comentarista. Ninguém dá aquela notícia…
Pura?
Pura. Todo mundo quer tirar uma consequência da notícia…
Talvez porque a fonte fale diretamente com a Globo, com a Folha, então eles têm o monopólio da notícia pura e aos demais só resta comentar.
Eu acho que eles montaram um sistema que tem um teatro. Todo fim de tarde eles falam com meia dúzia de jornalistas. Alguns são amigos nossos… você sabe disso.
Jornalista não tem que guardar sigilo. Ele quer dar o furo. Eles querem pegar o Eduardo Guimarães para saber se ele informou o presidente Lula antes.
Eu acho esse negócio do Lula um exagero!
Eles estão promovendo o Lula, o efeito contrário ao que pretendiam.
Eu acho que, no fundo, esse sujeito nunca poderia ter sido nomeado…
Quem?
O homem do Paraná…
O Serraglio? O Moro?
Não… o homem da Agricultura…
Ah, o fiscal Daniel Gonçalves Filho?
Ele já tinha tido inquérito…
O senhor dizia que os importadores então vão impor um deságio?
Certamente vão impor um deságio. Porque é como funciona o mercado. A indignação desaparece com um pequeno desconto no preço.
De 10% a 15%?
Estou fazendo uma estimativa…vai levar algum tempo para você reconstruir a credibilidade que havia. Agora, o sistema é razoavelmente seguro…de forma que o governo vai ter que agir com muito cuidado, entrar em contato com essa gente, trazê-los para ver como funciona.
Mas o senhor falou que houve fatos e fatos não podem ser negados.
Não há o que fazer…
Havia corrupção dos fiscais?




