Termina, ano! Sopra esperança!
Traga velas para velar o desejo de passagem, de mudança, de aragem de novos ares. (Reprodução)
Por Eleonora Santa Rosa*
Até o fatídico ano de 2016 tem Natal, não é mesmo?
Proximidade do fim, o natalício precede a esperança de um ano melhor.
Tão necessário crer nisso.
Brasil soterrado em lamas que contaminam almas, em purgatório de expurgos sem fim.
Compasso atravessado por protestos e cismas, movimentos medidos por sismógrafo de dores.
Dúvidas, dívidas, divisão, subtração, operações do ano que finda, mas teima em queimar ainda possíveis ilusões.
Amargo gosto do desgosto do que foi visto e vivido.
Desabrochar brochado de expectativas juvenis.
Jovens, velhos, todos envelhecemos (Nelson adoraria).
Stop!
Termina, ano!
Sopra esperança!
Traga velas para velar o desejo de passagem, de mudança, de aragem de novos ares.
Acenda o fogo do coração e ilumina a trilha por melhores dias.
Chama a poesia e renova a fé e o significado de paz, alegria, fraternidade e generosidade.
Extraia destas palavras-coração a virtude da dádiva da misericórdia.
Clama por outros sons nesse réquiem final do 2016.
Lembra os utópicos versos da canção de Lennon:
Então é Natal
E o que você tem feito?
Um outro ano se foi
E um novo apenas começa
E então é Natal
Espero que você tenha alegria
O próximo e querido
O velho e o jovem
Um alegre Natal
E um Feliz Ano Novo
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento
E então é Natal (e a guerra terminou…)
Para o fraco e para o forte (se você quiser)
Para o rico e para o pobre
O mundo é tão errado
E, então, Feliz Natal
Para o negro e para o branco
Para o amarelo e para o vermelho
Vamos parar com todas as lutas…
Vamos esperar que seja um bom ano
Sem sofrimento
A guerra acabou
Se você quiser
A guerra acabou
Agora
*Eleonora Santa Rosa – empreendedora cultural, jornalista e produtora. Exerceu diversas funções públicas, tendo sido Secretária de Estado da Cultura de MG de 2005 a 2008. É fundadora e diretora do Santa Rosa Bureau Cultural.




