Feltes sugeriu que, sem caixa 2, candidatos menos conhecidos não conseguem vitória nas urnas. Em nota, ele reconhece que colocações foram ‘infelizes’
Em palestra a empresários em Carlos Barbosa, na Serra, na segunda-feira passada, o secretário estadual da Fazenda, Giovani Feltes, deu declarações polêmicas sobre o caixa 2 de campanha. O evento foi promovido pela Associação do Comércio, Indústria e Serviços (ACI) e contou com a fala de Feltes, sobre a situação financeira do Rio Grande do Sul. O secretário, no entanto, comentou também sobre financiamentos não declarados de campanha: “anjo não se elege nem vereador em Carlos Barbosa. A gente tem que tirar e afastar essa hipocrisia”, disse.
“Em off: me dá uma mão para a campanha? Sim, mas aqui eu tenho R$ 5 mil, R$ 1 mil, R$ 10 mil, R$ 50… sei lá quanto. Mas não bota meu nome na tua prestação de contas. Quem dizia que não? Tá bom. Mas não, precisa. A gente tinha que acabar um pouco com essa hipocrisia. Agora a gente tá: ‘essa campanha foi mais barata. Joia. Essa campanha foi menos suja. Joia. Essa campanha foi melhor. Sim’. Mas ela beneficia quem é mais conhecido. Um novo pra se eleger agora é mais difícil”, disse Feltes em áudio cedido pelo Jornal Contexto, de Carlos Barbosa.
Feltes citou jogo do bicho e igrejas como fontes eleitorais. “Quem tem dinheiro de caixa 2 que não contabiliza nunca? Jogo do bicho. Então eles podem eleger vocês. Igrejas, de qualquer credo. Tráfico. Já pensaram nisso?”, questionou. “Em off: em Novo Hamburgo elegeram um traficante para a Câmara de Vereadores e conheço outras cidades que também elegeram. Lá é dos ‘Mano’, mas deve ter alguém dos Bala na Cara eleito pra vereador em alguma cidade. E é gente que não quer saber de política. Desculpa a provocação, mas todos temos um pouco de culpa nesse país. Desculpa”, continuou Feltes, no trecho registrado durante a palestra.
A Secretaria da Fazenda emitiu nota em que declara que Feltes lamenta “que frases esparsas e sem vinculação com o tema principal acabaram ganhando repercussão após publicadas por um jornal local, mesmo com o alerta preliminar de que se tratavam de manifestações em caráter reservado”. No texto, a pasta ainda sustenta que as expressões utilizadas por Feltes são “genéricas” e que ele reconhece que foram “colocações fora do contexto e infelizes”.
Confira a nota da Secretaria da Fazenda na íntegra:
Na última segunda-feira (12), a convite da ACI (Associação Comercial e Industrial) de Carlos Barbosa, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, realizou palestra abordando a situação das finanças públicas e os desafios para colocar o Rio Grande do Sul em um patamar de equilíbrio fiscal.
Falando por quase duas horas para uma plateia formada por empresários da cidade, o secretário tratou dos problemas estruturais do Estado, traçou uma retrospectiva histórica sobre as medidas já adotadas por diferentes governos e destacou os projetos que buscam a reforma do Estado ora em análise pela Assembleia Legislativa.
Como tratou-se de uma explanação longa, o secretário lamenta que frases esparsas e sem vinculação com o tema principal acabaram ganhando repercussão após publicadas por um jornal local, mesmo com o alerta preliminar de que se tratavam de manifestações em caráter reservado.
São expressões que o secretário se utilizou de maneira genérica, sem vinculação a um fato objetivo e específico. O secretário reconhece que foram colocações fora do contexto e infelizes.
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