A decisão do ministro do STF Teori Zavascki de afastar o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara deve significar o fim da linha para o peemedebista, avaliam deputados federais; Pompeo de Mattos (PDT-RS disse que o peemedebista não tinha condições éticas e morais de permanecer a frente da Câmara; "A mente do mal deixa de funcionar lá e as coisas podem voltar a andar"; para Pepe Vargas (PT-RS), há elementos suficientes para a cassação de Cunha, mesmo que a decisão do STF seja revertida; deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que, a partir da anulação do STF, a defesa da presidenta Dilma deve buscar a anulação do processo de impeachment
5 de Maio de 2016 às 15:43
Rio Grande do sul 247 – A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki de afastar o deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara, nesta quinta-feira (5), deve significar o fim da linha para o peemedebista, avaliam deputados federais.
De acordo com Pompeo de Mattos (PDT-RS), o peemedebista não tinha condições éticas e morais de permanecer a frente da Câmara. “Ele é muito inteligente, mas usa a inteligência que tem para o mal. Por isso é um alívio para a Câmara (esse afastamento). Para nós soa como um bálsamo”, avalia Pompeo.
Ele disse não acreditar que o peemedebista volta ao cargo. "Não vejo condições morais, éticas, jurídicas e políticos para isso. Não tem condições de votar nem como deputado”, afirma, acrescentando ainda que o afastamento deve permitir que o processo de cassação do Cunha possa voltar a andar na Comissão de Ética da casa. “A mente do mal deixa de funcionar lá e as coisas podem voltar a andar”.
O deputado Pepe Vargas (PT-RS), apesar de comemorar a decisão, avalia que o afastamento de Cunha já poderia ter sido determinado pela própria Câmara. Segundo o petista, "o mais grave é que até o presente momento a Câmara não cassou o Eduardo Cunha. Ele manobra, mas as manobras poderiam ser derrubadas".
"Por que a maioria dos deputados não quis derrubar as manobras? Por duas razões: tem um grupo de parlamentares em várias bancadas, a chamada bancada do Eduardo Cunha, que ele construiu a partir de métodos heterodoxos, onde obviamente a existência de financiamento privado facilita, e segundo porque ele fez um grande acordo com a oposição para acolher o processo de impeachment”, avalia. As entrevistas foram concedidas ao Portal Sul 21.
Segundo o congressista, há elementos suficientes para a cassação de Cunha na Câmara, mesmo que a decisão do STF seja revertida. “Acho que isso pode ser resolvido pela Câmara, porque o Cunha feriu o código de ética parlamentar, não só porque mentiu na CPI, mas o código é taxativo quando ele diz que omitir bens na declaração é quebra de decoro parlamentar”.
O deputado Henrique Fontana (PT-RS) afirmou que, a partir da anulação do STF, a defesa da presidenta Dilma deve buscar a anulação do processo de impeachment conduzido por Cunha na Câmara. “A decisão é positiva para a democracia brasileira e reforça a visão que nós temos quanto à ilegitimidade de todo o processo que culminou com a decisão do dia 17 de abril, cassando de forma ilegal o mandato legítimo da presidenta Dilma aqui no plenário da Câmara. Uma cassação que foi dirigida por Eduardo Cunha, onde, em mais um dos ato de abuso de poder dele, por retaliação ele abriu um processo que levou a este golpe que foi praticado”, disse.
Fontana acredita que o STF, ao analisar o impeachment, levará em conta atos de abuso de poder cometidos por Cunha na condução do processo. “Esta decisão também terá relação com a análise que o Supremo fará sobre o abuso de poder que ele cometeu ao abrir o processo de impeachment na Câmara Federal. Todas essas medidas que levaram ao afastamento liminar dele, tanto do mandato quanto da presidência, incluem toda a ação dele na tentativa de levar adiante o processo de cassação ilegítima da presidenta Dilma”, acrescentou.

