Então, volto a escrever com dead line a convite do amigo Darci Bugio-Bindé de Araújo. Ele deseja tornar O Observador um jornal de opinião. Na real, opinião todos tem. Entendi. As opiniões publicadas no Observador devem estimular reflexão, debates e crescimento intelectual. Portanto, devem causar estranhamento. Estreei com um assunto quente: o rendimento (salário vem de sal, que não se aplica ao caso) dos nobres legisladores.
Hoje, apenas o óbvio, o senso comum: o 2º Festival de Cinema foi um sucesso "estrondoroso".
Transcrevo depoimentos de realizadores presentes ao Festival.
1) "… Para nós da equipe, o troféu é o que realmente simboliza o reconhecimento de nosso trabalho. Acreditamos no potencial do audiovisual dentro dos movimentos sociais para denunciar e sensibilizar as pessoas sobre problemas relacionados ao modelo energético atual que não respeita as populações atingidas por barragens. Lutamos até dentro do próprio movimento para mostrarmos a força que essa linguagem carrega. As dificuldades são enormes mas esse prêmio nos da força para continuar nessa luta". – Vinicius Denadai Gomes, diretor de Garabi – Panambi: a última batalha do rio Uruguai, melhor documentário temática água.
2. "…Escrevo para agradecer muito a recepção que vocês nos deram em Três Passos. Foi ótimo conhecer tanta gente engajada com o cinema e de uma simpatia e inteligência ímpares. Fiquei muito feliz com os prêmios também, mas independentemente deles, já teria valido a pena passar os dias no festival. Organização profissional e de uma seriedade que impressiona. Por favor, mande meus agradecimentos aos outros organizadores. Desejo sorte, sucesso e vida longa ao festival. Sigam em frente, pois o trabalho de vocês não é apenas importante para Três Passos, mas para todos os cineastas do país". – Rodrigo Lopes de Barros, diretor de Chacal: proibido fazer poesia, melhor edição e trilha sonora original.
3. "…Foi lindo, gente! Esse festival me encheu de esperança e carinho por essa parte tão idealista de mim mesma: o amor pelo cinema. Obrigada Festival de Cinema de Três Passos por proporcionar dias tão deliciosos, tanta troca de ideias boas e encontros tão produtivos. E valeu, equipe! Nossa estreia me encheu de orgulho!" – Renate Ritzel Melgar, produtora do curta Léo, de Porto Alegre, que aborda a homofobia com coragem singular.
Destaco a exibição de produções local e regional, a presença de um número significativo de realizadores de São Paulo, Santa Cruz do Sul e Porto Alegre, que, encantados com o Cine Teatro Globo e a acolhida do povo dos Três Passos, trocaram energias e experiências, alimentando a alma dos muitos que com eles interagiram.
Pois é, registro aqui a opinião que defendo em reuniões do grupo organizador: O festival, seu crescente entorno e ações futuras será, muito em breve, uma atividade econômica importante para a região, se articuladas com políticas públicas relacionadas as demais artes, educação e turismo.
Olho vivo. Vem aí mais um "celeiro de oportunidades".
Juarez Braga Zamberlan – Jornalista MTb 17575

