Vereadores no rumo da Tumelero
Corre abaixo-assinado na cidade que encaminha Projeto de Resolução reduzindo os ganhos do agente político mais próximo do cidadão: os/as vereadores/as.
A iniciativa, liderada pelo Sindicato do Comércio Lojista de Três Passos e região segue o trilho de alguns municípios de pequeno porte, em outras unidades da federação..
Tenho posição pública pela redução dos salários dos agentes políticos, no geral. Mas, proponho refletir um pouco sobre o assunto e a iniciativa.
Primeiro: Por que reduzir o salário de legisladores e esquecer o prefeito e secretários? Se o objetivo é reduzir as despesas com pessoal para direcionar recursos para áreas mais sensíveis, deveríamos mobilizar a sociedade para reduzir, por tempo determinado ou indefinidamente, os ganhos de todos os agentes políticos, nos três níveis (município, estado e União) e nos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário).
Segundo: Em que se fundamenta a drástica redução? Na média do salário para a categoria “vereadores”? Na nítida sensação de que se paga muito para pouquíssimo retorno, se comparado com outros trabalhadores (professores, comerciários, pedreiros, agentes de saúde…)?
Terceiro: A proposta ignora um tema importante no Rio Grande do Sul: o Piso Regional de Salário, que promove elevação da renda dos trabalhadores carentes de organização sindical forte. É sabido que a entidade proponente da iniciativa (popular) resiste bravamente em pagar o mínimo que determina a lei aos seus “colaboradores”. Nesse particular, o “discurso da crise” alardeado pela mídia se presta para negativas e choradeiras.
Quarto: Se a proposta visa economizar recursos públicos, redirecionando-os para serviços essenciais, como medicamentos para a farmácia básica do município, educação e cultura e saneamento, tem-se uma variedade de possibilidades para discutir e “cortar”. A energia elétrica no parque da Feicap, paga com o dinheirinho do contribuinte e usufruída pelas entidades lá instaladas é um exemplo simbólico.
Por fim, pode-se questionar os grandes problemas da economia estadual e nacional, que refletem diretamente no caixa dos municípios: juros altos pagos pelo povo e pelo Governo, sonegação, corrupção em todos os níveis e má distribuição da renda. Problemas econômicos que têm ligação íntima com a política. Para isso, necessita-se uma nova classe política, oriunda de um novo sistema eleitoral.
Sonhar não custa nada…
Juarez Braga Zamberlan
Jornalista MTb 17575




