Débora Fogliatto
O atual governador, Tarso Genro (PT) recebeu no Palácio Piratini na manhã desta terça-feira (11) o governador eleito, José Ivo Sartori (PMDB). Em uma reunião que durou cerca de 40 minutos, os dois conversaram de forma tranquila, segundo informações de ambos, a portas fechadas. Os dois ressaltaram o ambiente de respeito mútuo e demonstraram satisfação pela reunião, em que falaram sobre a situação financeira do estado e afirmaram que novos encontros podem ocorrer até o fim do ano.
Sartori considerou a conversa “muito amistosa” e contou que Tarso o relatou algumas questões “da própria vida do estado, da vida administrativa e da realidade que está aí”. Ele também afirmou que o tema da dívida do estado foi abordado e que cumprimentou o governador pela aprovação do projeto de negociação da dívida no Senado, na semana passada.
“Estamos começando o processo de transição, começou sexta passada, estamos analisando, estudando e vendo e quando tivermos alguma coisa vocês tomarão conhecimento”, disse o peemedebista, evitando dar maiores detalhes sobre as formas como pretende governar. Segundo Sartori, a transição será feita de forma “respeitosa, democrática e transparente”.
Sartori afirmou que transição será respeitosa, democrática e transparente | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Questionado por jornalistas, o governador eleito mencionou que a presença de Beto Albuquerque (PSB) em seu governo depende “exclusivamente dele mesmo”. O deputado federal, que foi vice na chapa de Marina Silva e apoiou Sartori no estado, está sendo especulado como um nome para assumir alguma secretaria. O governador eleito se limitou a dizer que “todos que fizeram parte da coligação poderão fazer parte do governo”. Ele também indicou que tentará construir “maioria legislativa” e que conversará com o PDT e o PTB sobre a possibilidade de participarem do governo.
Já Tarso disse que não irá interferir na decisão que tomarem o PDT e o PTB e destacou que ambos os partidos foram parceiros durante seu governo. “Vou permanecer aqui para defender o legado ao nosso governo, mas não vou me especializar em fazer críticas. O que eu vou fazer é estar preparado para defender de maneira clara e transparente tudo que fizemos nesse período”, garantiu.
O petista também elogiou a forma como a conversa foi conduzida, a qual considerou “de alto nível” e contou que se prontificou a encaminhar algum projeto de reestruturação administrativa que o governador eleito queira remeter à Assembleia Legislativa.
Ele contou que a maior parte das informações já pedidas pela equipe de transição de Sartori são principalmente sobre a questão financeira. “Avaliamos evidentemente a situação das finanças do estado, que são praticamente as mesmas de quando assumimos. A situação financeira vai ser gerida de acordo com a visão de cada governo, nós vamos entregar o governo com as contas pagas, com a visão que já manifestamos anteriormente e cabe a ele gerir as contas públicas de acordo com o projeto que foi eleito”, colocou.
Após o encontro, Tarso se reuniu com sindicalistas para tratar do salário mínimo regional e, na coletiva, assegurou que irá continuar até o fim de seu governo “a política de valorização visando no mínimo recuperar o deixado pelo governador Olívio (Olívio Dutra, PT)”. O projeto foi encaminhado à Assembleia Legislativa, a qual o governador afirmou que tem “total soberania” para fazer emendas e aceitar ou rejeitar. ” Nós vamos cumprir com nosso programa de governo e que reflete muito no salário mínimo como uma política econômica, de desenvolvimento e que acresce renda”, afirmou.
Tarso rejeita participar de ministérios
Quando acabar seu mandato, Tarso afirmou que irá permanecer trabalhando internamente no PT para “reformá-lo e reestruturá-lo”. Além disso, também disse que se dedicará à reforma política e ao pacto federativo. “Eu vou me dedicar integralmente a isso junto à sociedade civil, entidades e usando a influência que tenho como dirigente para fazer um trabalho de fora para dentro no meu partido e de dentro para fora na sociedade civil.
Ele afirmou, questionado por jornalistas, não estar disponível para compor algum ministério no governo Dilma, garantindo que pediu para não ser convidado. “Posso ajudar muito a presidenta a sustentar o governo, articular políticas no partido, mas não pretendo e não aceito ser ministro. Não é adequado a um governador que perdeu eleição e tem responsabilidades muito importantes como defender seu legado sair daqui e assumir o ministério”, afirmou.


