Foram oito ervas gaúchas classificadas como ‘gran oro’, o maior prêmio, cinco conquistaram medalha de ouro, sete de prata e três de bronze. Outras seis também foram premiadas.

Buenos Aires, capital da Argentina, hospedou o primeiro Mundial de Erva-Mate. O evento, realizado no Museo del Mate, recebeu 406 amostras de diversas partes do planeta e coroou marcas gaúchas, concedendo medalhas de ouro para ervas plantadas, colhidas e industrializadas no Rio Grande do Sul.
Foram oito ervateiras gaúchas classificadas como ‘gran oro’, o maior prêmio, cinco conquistaram medalha de ouro, sete de prata e três de bronze. Outras seis também foram premiadas (Veja a lista completa abaixo)
A avaliação ocorre a partir da análise gustativa, olfativa, sensorial e visual dos produtos. São avaliados licores líquidos da erva-mate feitos a uma temperatura mais elevada do que a do chimarrão, a fase visual a seco e a erva infusionada na cuia.
“A ideia é de que a pessoa tenha a percepção de fazer análise dentro de cada produto. Assim como se avalia vinho, chá, se faz a avaliação da erva-mate da mesma forma”, afirma Rafael Becker, sommelier de erva-mate, que foi embaixador do mundial e jurado da competição.
Cada produto começa com 100 pontos e vai perdendo pontos a partir da avaliação. Ervas que ficaram com 94 pontos ou mais são consideradas ‘gran oro’. As medalhas de ouro pontuam de 90 até 93,9, as de prata ficam entre 86 e 89,9 e as de bronze vão de 82 até 85,9.
A erva-mate gaúcha mais bem posicionada foi da Ervateira Amável, de Ilópolis. “Ganhou ‘gran oro’ com uma pontuação excelente e quase não teve nota perdida. A Amável que ganhou o ‘gran oro’ foi a melhor na sua categoria”, aponta Rafael.
O júri contou com sommeliers de erva-mate, engenheiros químicos, especialistas em cafés e sommeliers de vinhos, a fim gerar uma maior diversidade de opiniões.
Participaram das bancas jurados brasileiros, entre gaúchos e paranaenses, argentinos, uruguaios, chilenos, estadunidenses, canadenses, australianos, poloneses e russos.
A competição foi dividida em categorias, como a erva-mate padrão argentino, padrão uruguaio, padrão brasileiro, tererê e bebida à base de erva-mate, como um refrigerante.
“Eles plantam a própria erva-mate e fazem um extrato de folhas jovens, então o refrigerante tem uma coloração esverdeada. É transparente, mas tem uma coloração esverdeada e tem um sabor muito interessante. E também traz os benefícios do erva-mate”, conta Rafael.
“O padrão de moagem uruguaio é com pura folha fina, repousada sem palito. O padrão argentino é com pura folha repousada com palito. O padrão brasileiro é verde. Nós somos o único país que consome erva-mate verde. Os outros consomem um tom amarelado dourado, repousada”, explica o sommelier.
A grande campeã tem ‘três pátrias’
A grande campeã do mundial não teve pontos perdidos. Foi a erva-mate Uruguai, que é produzida na Argentina, com ervas gaúchas.
“Ela é uma erva-mate esplêndida, espetacular. Conheci a dona lá e posso afirmar que é uma erva-mate de três pátrias, porque o nome é Uruguai, com padrão de moagem uruguaio, a empresa deles é argentina, mas a erva-mate é do Rio Grande do Sul”, diz Rafael.
Mundial deverá ser anual
Já existiam outras competições regionais de erva-mate, mas essa foi a primeira vez de um campeonato mundial consolidado. A ideia, agora, é que a competição seja anual — e por que não ocorrer no Rio Grande do Sul?
“Queremos fazer anualmente. E eu, Rafael, farei o possível para que aconteça no Brasil no ano que vem. E em Porto Alegre. Iria ficar muito feliz”, disse o sommelier.
Ervateiras gaúchas que ‘medalharam’ no mundial
Gran Oro:
Amável (Ilópolis)
Lago Verde (Ilópolis)
Sabadin (Arvorezinha)
Ervais do Futuro (Espumoso)
Barão (Barão de Cotegipe)
Rancho Nativo (Porto Alegre)
Mate & Vida (Putinga)
Elacy (Venâncio Aires)
Medalha de ouro:
Amável (Ilópolis)
Ervais do Futuro (Espumoso)
Lago Verde (Ilópolis)
Ximango (Ilópolis)
DeValérios (Arvorezinha)
Medalha de prata:
Milonga (Porto Alegre)
Machadinho (Machadinho)
Rei Verde (Erechim)
Mate & Vida (Putinga)
Mix Atacadista (São Leopoldo)
Ximango (Ilópolis)
DeValérios (Arvorezinha)
Medalha de bronze:
Ervais do Futuro (Espumoso)
Rancho Nativo (Porto Alegre)
DeValérios (Arvorezinha)
Também foram premiadas as ervateiras Ka’a eté (Camaquã), GOAT (Lajeado) Seiva Verde (Áurea), Portão (Portão) e Ki Mate (Arvorezinha).
Fonte: G1-RS

